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Trânsito, obras e cidades: como o barulho humano está ameaçando a reprodução das aves

Como o barulho das cidades pode estar sabotando a sobrevivência das aves

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Poluição sonora ameaça aves, mas soluções urbanas podem reverter o impacto (Imagem: Getty Images via Canva) Fala Ciência

O crescimento das cidades trouxe uma série de impactos ambientais evidentes, como a poluição do ar e a perda de áreas verdes. No entanto, um fator menos perceptível vem ganhando destaque entre cientistas: a poluição sonora. Sons constantes de trânsito, construções e atividades urbanas estão alterando profundamente a forma como as aves se comportam, se comunicam e até se reproduzem.

Pesquisas recentes publicadas na revista Proceedings of the Royal Society B indicam que o ruído antropogênico não é apenas um incômodo, mas um agente capaz de afetar a fisiologia, os níveis de estresse e a aptidão reprodutiva das aves em diferentes partes do mundo. Ao analisar dados de mais de três décadas e centenas de espécies, os cientistas conseguiram identificar padrões claros e preocupantes. Alguns dos principais efeitos observados incluem:


  • Dificuldade de comunicação entre indivíduos da mesma espécie;
  • Aumento dos hormônios do estresse, especialmente em ambientes urbanos;
  • Alterações no crescimento e no desenvolvimento de filhotes;
  • Redução da eficiência reprodutiva em áreas mais ruidosas.

Quando o barulho interfere na sobrevivência


As aves dependem fortemente de sinais sonoros para sobreviver. O canto é essencial para atrair parceiros, alertar sobre predadores e manter a coesão social. Entretanto, em ambientes barulhentos, esses sinais podem ser mascarados, levando a falhas de comunicação que comprometem todo o ciclo de vida.

Além disso, espécies que utilizam ninhos em cavidades, como ocos de árvores, parecem ser ainda mais vulneráveis aos efeitos do ruído. Isso ocorre porque esses ambientes podem amplificar sons externos, aumentando o estresse e prejudicando o desenvolvimento dos filhotes.


Por outro lado, aves que vivem em áreas urbanas tendem a apresentar adaptações comportamentais, como cantar mais alto ou em horários diferentes. Apesar disso, tais estratégias nem sempre são suficientes para neutralizar os impactos fisiológicos do barulho constante.

Um problema global, mas com soluções possíveis


Embora a perda de biodiversidade seja um desafio complexo, a poluição sonora apresenta uma vantagem importante: trata-se de um problema tecnicamente controlável. Diferente de fatores como as mudanças climáticas, o ruído pode ser reduzido por meio de planejamento urbano, do uso de materiais de isolamento acústico e da implementação de políticas públicas mais eficientes

Nesse contexto, soluções como a criação de barreiras acústicas naturais, a exemplo de áreas verdes, a adoção de construções com materiais que absorvem som e o redesenho de vias urbanas para diminuir o tráfego em regiões sensíveis se destacam como estratégias viáveis e eficazes. Portanto, ao compreender como o som interfere na vida das aves, torna-se possível transformar o conhecimento científico em ações práticas de conservação, uma vez que reduzir o barulho não beneficia apenas a fauna, mas também melhora a qualidade de vida humana, reforçando que preservar o ambiente sonoro é uma medida inteligente e urgente para a sustentabilidade.

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