Tubarões-andantes põem ovos sem gastar energia e transformam fisiologia estável em vantagem adaptativa
Tubarões surpreendem cientistas ao gerar ovos sem aumento de energia
Fala Ciência|Do R7

Os tubarões-epaulette, conhecidos como “tubarões-andantes”, estão revolucionando a compreensão da biologia reprodutiva marinha. Diferente de outras espécies, esses tubarões conseguem gerar novos ovos sem nenhum aumento perceptível no gasto energético, desafiando antigos conceitos sobre o custo da reprodução.
Pesquisadores da Universidade James Cook monitoraram o metabolismo, os níveis sanguíneos e hormonais de cinco fêmeas ao longo de todo o ciclo reprodutivo. O resultado foi surpreendente: todas as medições permaneceram notavelmente estáveis, mesmo durante a formação de ovos complexos.
Eficiência reprodutiva sem precedentes
Para contextualizar, a postura de ovos normalmente exige que os animais aumentem consideravelmente sua taxa metabólica. No caso dos tubarões-epaulette:

Essa combinação de características sugere uma adaptação evolutiva única, permitindo que esses tubarões sobrevivam em ambientes estressantes, incluindo oceanos aquecidos.
O que isso significa para a conservação marinha
A descoberta traz implicações importantes para a biologia marinha e a conservação de recifes. Espécies que mantêm a reprodução eficiente sob estresse ambiental têm maiores chances de sobreviver a mudanças climáticas. Assim, os tubarões-epaulette podem servir como modelo para entender resiliência biológica em peixes cartilaginosos, grupo que inclui tubarões, raias e quimeras.
Além disso, a pesquisa publicada na revista Biology Open por Carolyn R. Wheeler et al., mostra que reprodução e sobrevivência não precisam ser trade-offs, pelo menos para algumas espécies. Com recifes saudáveis dependendo de tubarões ativos, a eficiência reprodutiva desses animais ganha ainda mais relevância.
Portanto, os tubarões-epaulette desafiam as expectativas da ciência, comprovando que a natureza pode encontrar formas engenhosas de equilibrar energia, reprodução e adaptação ambiental. Estudos futuros podem revelar mais sobre os mecanismos internos que tornam essa eficiência possível, oferecendo insights valiosos para biologia evolutiva, fisiologia e conservação marinha.















