Vênus pode ter chuva de meteoros causada por asteroide partido no passado
Fragmentos de um asteroide antigo podem atingir a atmosfera de Vênus em julho
Fala Ciência|Do R7

Enquanto na Terra aguardamos as tradicionais chuvas de meteoros anuais, um evento ainda mais raro pode estar prestes a ocorrer em outro planeta: Vênus poderá atravessar uma vasta nuvem de detritos espaciais, produzindo uma intensa chuva de meteoros. O fenômeno tem origem na fragmentação de um asteroide ocorrida há milhares de anos, cujos restos ainda circulam pelo Sistema Solar.
Embora a ideia seja fascinante, a maioria desse espetáculo permanecerá invisível para nós. Apenas meteoros extremamente brilhantes poderiam ser detectados a partir da Terra, e mesmo assim de forma pontual. Para entender a importância dessa previsão, três pontos são essenciais:
Dois corpos, uma história comum
Os objetos envolvidos pertencem a um grupo raro de asteroides chamados Atiras, cujas órbitas permanecem inteiramente dentro da trajetória da Terra. Ambos apresentam características físicas semelhantes e completam uma volta ao redor do Sol em apenas 115 dias, tornando-se alguns dos asteroides mais rápidos já observados.
Essa semelhança extrema levou astrônomos, liderados por Albino Carbognani, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália, a suspeitar que os dois corpos eram, na verdade, fragmentos de um único asteroide ancestral.
Resumo do fenômeno em Vênus
Origem
Asteroide do grupo Atira, fragmentado há milhares de anos
Causa da ruptura
Calor extremo do Sol + efeito YORP (aceleração da rotação)
Período orbital
115 dias, entre os asteroides mais rápidos conhecidos
Planeta afetado
Vênus
Tipo de chuva
Meteoros asteroides, sem cometa, semelhantes às Geminídeas
Brilho esperado
Apenas meteoros extremamente brilhantes visíveis da Terra
Detritos
Corrente de poeira ainda cruza a órbita de Vênus e pode gerar chuva em julho
O papel do calor extremo e do efeito YORP
As simulações orbitais indicam que esse asteroide original chegou a se aproximar do Sol a cerca de 15 milhões de quilômetros, uma distância suficiente para causar aquecimento intenso. Esse calor repetido provavelmente gerou rachaduras internas, enfraquecendo sua estrutura.
Ao mesmo tempo, a rotação do corpo foi acelerada pelo chamado efeito YORP, um fenômeno em que a radiação solar funciona como um leve motor, aumentando gradualmente a velocidade de giro do asteroide. Combinados, esses fatores podem ter levado à ruptura espontânea do objeto, sem necessidade de colisões.
Detritos ainda vagando pelo espaço
Os fragmentos microscópicos liberados nessa quebra formaram uma corrente de poeira orbital, que continua cruzando a órbita de Vênus até hoje. Modelos computacionais sugerem que o planeta deve interceptar essa nuvem novamente em julho, gerando uma chuva de meteoros em sua atmosfera.
Diferentemente da maioria das chuvas terrestres, geralmente associadas a cometas, esse evento seria puramente asteroidal, semelhante ao que ocorre com as Geminídeas.
Sem sondas ativas em Vênus atualmente, o fenômeno deve passar despercebido. No entanto, futuras missões como DAVINCI, VERITAS e EnVision poderão registrar diretamente esse tipo de evento, transformando chuvas de meteoros em ferramentas científicas para estudar a dinâmica de asteroides e a própria atmosfera venusiana.
Mais do que um espetáculo distante, essa possível chuva em Vênus mostra como fragmentações antigas continuam moldando o presente do Sistema Solar.















