Vírus Nipah explicado: sintomas, transmissão e riscos reais
Infecção rara pode causar encefalite grave, tem alta letalidade e não possui tratamento específico
Fala Ciência|Do R7

O vírus Nipah voltou a chamar atenção após o registro de novos casos na Ásia e o reforço de medidas sanitárias em aeroportos. Embora pouco conhecido pelo público, ele preocupa especialistas por reunir três fatores críticos: evolução rápida, alta taxa de mortalidade e ausência de medicamentos ou vacinas específicas.
Além disso, o vírus pode ser transmitido de pessoa para pessoa, especialmente em situações de contato próximo.
O que é o vírus Nipah
O vírus Nipah tem origem animal e pode infectar seres humanos, caracterizando uma zoonose. Seu principal reservatório natural são morcegos frugívoros, que eliminam o vírus pela saliva, urina e fezes.
A infecção humana pode ocorrer quando:
Depois de entrar no organismo, o Nipah pode se espalhar rapidamente e atingir órgãos vitais, principalmente o cérebro e os pulmões, o que explica a gravidade da doença.
Como ocorre a transmissão
O vírus Nipah não é considerado de transmissão aérea. Ele não se espalha livremente pelo ar como a Covid-19. O contágio acontece principalmente por contato próximo, por meio de secreções corporais, sobretudo secreções respiratórias.
Essas secreções incluem:
A infecção ocorre quando:
Por isso, familiares, cuidadores e profissionais de saúde estão entre os grupos mais vulneráveis, especialmente em ambientes fechados e durante cuidados diretos.
Período de incubação do vírus
O período de incubação é o tempo entre a infecção e o aparecimento dos primeiros sintomas. No caso do vírus Nipah, esse intervalo costuma ser relativamente longo.
Em geral, a incubação varia entre:
Esse período prolongado dificulta o rastreamento de contatos e o controle rápido de surtos.
Até o momento, não há evidências claras de transmissão eficiente antes do início dos sintomas. O risco de contágio aumenta quando a pessoa já apresenta febre, tosse ou outros sinais da doença.
Sintomas iniciais da infecção
Os primeiros sintomas do vírus Nipah são inespecíficos, o que pode atrasar o diagnóstico. Entre os sinais mais comuns estão:
Algumas pessoas podem apresentar sintomas leves no início, mas a maioria evolui para quadros mais graves.
Quando a doença se torna grave
Com a progressão da infecção, o vírus pode causar encefalite, uma inflamação do cérebro potencialmente fatal. Nessa fase, surgem:
Também podem ocorrer complicações respiratórias, como pneumonia atípica e insuficiência respiratória grave. Em casos severos, a evolução pode levar ao coma em 24 a 48 horas.
Entre as pessoas que se recuperam, aproximadamente um quinto pode permanecer com alterações neurológicas duradouras.
Qual é a taxa de letalidade?
O vírus Nipah está entre os mais letais já identificados. A taxa de mortalidade varia conforme o surto, mas geralmente fica entre:
Existe tratamento para o vírus Nipah?
Atualmente, não existe medicamento específico nem vacina contra o vírus Nipah. O tratamento é baseado em cuidados de suporte, com foco em manter as funções vitais e tratar complicações.
O manejo clínico inclui:
A recuperação depende principalmente da detecção precoce e da qualidade do atendimento médico.
Por que o vírus Nipah exige vigilância constante?
A combinação de alta letalidade, incubação prolongada, transmissão próxima entre pessoas e ausência de tratamento específico faz do vírus Nipah uma ameaça que exige resposta rápida e vigilância contínua por parte dos sistemas de saúde.














