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Vírus Nipah explicado: sintomas, transmissão e riscos reais

Infecção rara pode causar encefalite grave, tem alta letalidade e não possui tratamento específico

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Sintomas iniciais do vírus Nipah exigem atenção. (Foto: Aflo via Canva) Fala Ciência

O vírus Nipah voltou a chamar atenção após o registro de novos casos na Ásia e o reforço de medidas sanitárias em aeroportos. Embora pouco conhecido pelo público, ele preocupa especialistas por reunir três fatores críticos: evolução rápida, alta taxa de mortalidade e ausência de medicamentos ou vacinas específicas

Além disso, o vírus pode ser transmitido de pessoa para pessoa, especialmente em situações de contato próximo.


O que é o vírus Nipah

O vírus Nipah tem origem animal e pode infectar seres humanos, caracterizando uma zoonose. Seu principal reservatório natural são morcegos frugívoros, que eliminam o vírus pela saliva, urina e fezes.


A infecção humana pode ocorrer quando:

  • alimentos são contaminados por secreções de morcegos
  • há contato direto com animais infectados
  • o vírus é transmitido entre pessoas


Depois de entrar no organismo, o Nipah pode se espalhar rapidamente e atingir órgãos vitais, principalmente o cérebro e os pulmões, o que explica a gravidade da doença.

Como ocorre a transmissão


O vírus Nipah não é considerado de transmissão aérea. Ele não se espalha livremente pelo ar como a Covid-19. O contágio acontece principalmente por contato próximo, por meio de secreções corporais, sobretudo secreções respiratórias.

Essas secreções incluem:

  • saliva
  • gotículas liberadas ao tossir ou espirrar
  • muco do nariz e da garganta

A infecção ocorre quando:

  • uma pessoa está muito próxima de alguém infectado
  • há contato direto com saliva ou secreções respiratórias
  • as mãos tocam secreções contaminadas e depois boca, nariz ou olhos

Por isso, familiares, cuidadores e profissionais de saúde estão entre os grupos mais vulneráveis, especialmente em ambientes fechados e durante cuidados diretos.

Período de incubação do vírus

O período de incubação é o tempo entre a infecção e o aparecimento dos primeiros sintomas. No caso do vírus Nipah, esse intervalo costuma ser relativamente longo.

Em geral, a incubação varia entre:

  • 4 a 14 dias na maioria dos casos
  • em casos excepcionais, o período pode se estender por até 45 dias

Esse período prolongado dificulta o rastreamento de contatos e o controle rápido de surtos.

Até o momento, não há evidências claras de transmissão eficiente antes do início dos sintomas. O risco de contágio aumenta quando a pessoa já apresenta febre, tosse ou outros sinais da doença.

Sintomas iniciais da infecção

Os primeiros sintomas do vírus Nipah são inespecíficos, o que pode atrasar o diagnóstico. Entre os sinais mais comuns estão:

  • Febre
  • Dor de cabeça
  • Dores musculares
  • Vômitos
  • Dor de garganta
  • Cansaço intenso

Algumas pessoas podem apresentar sintomas leves no início, mas a maioria evolui para quadros mais graves.

Quando a doença se torna grave

Com a progressão da infecção, o vírus pode causar encefalite, uma inflamação do cérebro potencialmente fatal. Nessa fase, surgem:

  • Sonolência excessiva
  • Confusão mental
  • Tontura
  • Convulsões
  • Alterações da consciência

Também podem ocorrer complicações respiratórias, como pneumonia atípica e insuficiência respiratória grave. Em casos severos, a evolução pode levar ao coma em 24 a 48 horas.

Entre as pessoas que se recuperam, aproximadamente um quinto pode permanecer com alterações neurológicas duradouras.

Qual é a taxa de letalidade?

O vírus Nipah está entre os mais letais já identificados. A taxa de mortalidade varia conforme o surto, mas geralmente fica entre:

  • 40% e 75% dos casos

Existe tratamento para o vírus Nipah?

Atualmente, não existe medicamento específico nem vacina contra o vírus Nipah. O tratamento é baseado em cuidados de suporte, com foco em manter as funções vitais e tratar complicações.

O manejo clínico inclui:

  • suporte respiratório
  • controle de convulsões
  • monitoramento neurológico contínuo
  • internação em UTI nos casos graves

A recuperação depende principalmente da detecção precoce e da qualidade do atendimento médico.

Por que o vírus Nipah exige vigilância constante?

A combinação de alta letalidade, incubação prolongada, transmissão próxima entre pessoas e ausência de tratamento específico faz do vírus Nipah uma ameaça que exige resposta rápida e vigilância contínua por parte dos sistemas de saúde.

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