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Voyager 1 perde energia e NASA aposta em operação arriscada para salvá-la

Com energia cada vez mais limitada, a Voyager 1 enfrenta uma manobra decisiva para continuar explorando o espaço profundo

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Sonda Voyager com grande antena parabólica, geradores nucleares e instrumentos científicos em longas hastes (Imagem: NASA/JPL-Caltech) Fala Ciência

Poucas missões espaciais carregam tanto simbolismo quanto a Voyager 1. Lançada em 1977, a sonda atravessou décadas explorando regiões jamais visitadas por qualquer outra nave humana e hoje segue além dos limites tradicionais do Sistema Solar. No entanto, manter essa missão ativa exige decisões cada vez mais delicadas.

Com a energia disponível diminuindo ano após ano, a NASA iniciou uma nova etapa de preservação da sonda: desligar parte de seus equipamentos científicos para garantir que ela continue funcionando pelo maior tempo possível. A medida antecede uma operação técnica complexa, considerada uma das mais importantes dos últimos anos da missão.


O objetivo principal é simples, mas desafiador: manter a Voyager 1 viva no espaço profundo. Entre os principais fatores que preocupam os engenheiros estão:

  • Perda contínua de aproximadamente 4 watts de energia por ano;
  • Maior consumo após uma recente manobra de orientação;
  • Necessidade de preservar o aquecimento interno da nave;
  • Limitação no número de instrumentos científicos ativos;
  • Enorme distância da Terra, que dificulta respostas rápidas.


Cada ajuste precisa ser calculado com precisão, já que qualquer erro pode comprometer permanentemente a missão.

O desligamento que pode garantir mais anos de exploração


O mais recente passo foi a desativação do instrumento conhecido como LECP, responsável por medir partículas carregadas de baixa energia, como íons e elétrons presentes no ambiente espacial.

Esse sistema ajudava no monitoramento de raios cósmicos e outras partículas presentes na região onde a sonda está atualmente. Apesar da importância científica, sua suspensão foi considerada necessária para priorizar a sobrevivência da nave.


NASA desligou instrumento da Voyager 1 para economizar energia e prolongar sua missão científica (Imagem: NASA/JPL-Caltech) Fala Ciência

Mesmo com essa redução, a Voyager 1 ainda mantém dois instrumentos ativos e continua transmitindo dados valiosos de uma área nunca explorada diretamente por outra espaçonave.

A operação “Big Bang” e o risco calculado

A próxima etapa recebeu internamente o apelido de “Big Bang”, não por envolver explosões, mas por representar uma grande reconfiguração energética.

A proposta é substituir dispositivos que permanecem ligados continuamente por alternativas de menor consumo. Isso permitiria reduzir a demanda elétrica e, ao mesmo tempo, manter sistemas essenciais funcionando, especialmente os responsáveis pelo controle térmico.

No ambiente extremamente frio do espaço interestelar, manter a temperatura mínima dos equipamentos é fundamental para evitar falhas irreversíveis. Se a estratégia funcionar, a missão poderá ganhar anos extras de operação.

Voyager 2 será o laboratório antes da decisão final

Antes da aplicação definitiva na Voyager 1, a mesma tentativa será feita primeiro na Voyager 2, considerada mais estável energeticamente e mais próxima da Terra.

Os testes devem ocorrer entre maio e junho. Caso os resultados sejam positivos, a adaptação será repetida na Voyager 1 em julho.

Existe inclusive a possibilidade de que alguns instrumentos atualmente desligados sejam reativados no futuro, caso a economia energética supere as expectativas.

Mesmo após quase meio século, as Voyagers continuam sendo um dos maiores feitos da exploração espacial e ainda podem guardar descobertas surpreendentes.

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