Fnac cancela debate com autores de livro sobre tática black bloc
Veto partiu da matriz francesa, que proíbe eventos relacionados aos black blocs

Uma semana após fazer o convite, a FNAC São Paulo cancelou nesta segunda-feira (17) um debate com os autores do livro-reportagem Mascarados - a verdadeira história dos adeptos da tática black bloc (Geração Editorial), sobre o movimento que atua na capital paulista desde as manifestações de 2013. Inicialmente marcado para a próxima quarta-feira (19), o bate-papo foi vetado por ordem da matriz da livraria, sediada na França, que vem proibindo eventos relacionados aos black blocs desde 2014, após um ataque ao site da companhia.
De autoria da socióloga Esther Solano e dos jornalistas Bruno Paes Manso e Willian Novaes, Mascarados foi lançado em novembro de 2014. Na segunda-feira passada (10), o trio esteve no Programa do Jô para tratar do assunto, mas acabou se desentendendo com o apresentador, que comparou os black blocs aos nazistas.
“Na semana passada deu a polêmica por causa do Jô, que não sabia do que estava falando. Aí a Fnac teve uma ideia muito inteligente de trazer à tona o livro, fazer o lançamento e promover um debate para explicar do que se trata o livro, que não é uma apologia à tática black bloc”, conta Novaes.
“Hoje me mandaram um link do evento, fiz um post do evento [no Facebook] convidando os amigos, mas aí, do nada, recebo uma ligação [da curadora da Fnac] dizendo que a matriz francesa ligou para o Brasil e ordenou que cancelasse o evento”, continua.
Para o autor do livro, está se repetindo “o mesmo princípio de censura” que aconteceu durante a entrevista com Jô Soares na semana passada.
“O livro não é uma apologia, é uma reportagem, uma grande pesquisa para explicar quem são [os black blocs] e o que eles pensam. É uma ignorância de não querer dar ouvido para temas polêmicos. É uma ‘pré-condenação’ à capa do livro, ao título do livro, mas a proposta do livro é o contrário disso. Ninguém ali é mascarado, eu não sou mascarado, sou jornalista e escritor”, diz Novaes.
“Caiu no mesmo limbo do Jô, mas o Jô foi digno porque ligou depois pedindo desculpas pela entrevista que ele fez”, conta.
Procurada pelo R7, a FNAC informou, por meio de sua assessoria, que não irá comentar o assunto. A livraria justifica o cancelamento como um “mal-entendido de agenda” e afirma que o livro continua a ser vendido.
A ideia dos autores agora é levar o debate para outras livrarias de São Paulo. Um evento também está sendo planejado para o começo de novembro, na USP (Universidade de São Paulo).
