A evolução dos supermercados: dos primeiros modelos ao Brasil moderno
A história dos supermercados acompanha de perto as mudanças econômicas e sociais do século XX. Antes do autosserviço, os armazéns e...
Giro 10|Do R7
A história dos supermercados acompanha de perto as mudanças econômicas e sociais do século XX. Antes do autosserviço, os armazéns e mercearias dominavam o comércio de alimentos. Neles, o atendente separava cada produto e atendia todo pedido. O consumidor não circulava livremente entre as prateleiras e mantinha pouco contato direto com as mercadorias.
Com o avanço da urbanização, o crescimento das cidades e o aumento da produção em massa, esse modelo se mostrava lento e pouco eficiente. Nesse contexto, o supermercado surgiu como resposta à necessidade de reduzir custos operacionais. Além disso, acelerou as compras e concentrou diversos itens em um único espaço, mudando o jeito de consumir no dia a dia. Como resultado, o varejo alimentar entrou em uma nova fase de padronização e escala.
Como surgiu o primeiro supermercado no mundo?
O modelo de supermercado moderno se associa, em geral, aos Estados Unidos, no início do século XX. Em 1916, na cidade de Memphis, Tennessee, a loja Piggly Wiggly inaugurou um formato inédito. Por isso, muitos historiadores a consideram o primeiro estabelecimento que aplicou de forma sistemática o autosserviço. O cliente entrava, pegava uma cesta, caminhava pelos corredores, escolhia os produtos nas gôndolas e seguia até o caixa.
Essa proposta, por outro lado, contrastava com as mercearias tradicionais, onde os funcionários controlavam o estoque e o acesso aos itens. No Piggly Wiggly, as mercadorias ficavam expostas com preços visíveis e embalagens padronizadas. Além disso, a loja organizava a disposição para facilitar o fluxo do público. A ideia reduziu a necessidade de mão de obra no atendimento direto, aumentou o volume de vendas e criou uma experiência de compra mais rápida. Posteriormente, esse conjunto de práticas se tornaria referência para todo o setor.
Ao longo das décadas de 1920 e 1930, o conceito de supermercado se espalhou pelos Estados Unidos. Redes como King Kullen e outros formatos combinaram produtos secos, frescos e itens de higiene em um mesmo espaço. Dessa forma, o autosserviço deixou de representar apenas uma curiosidade. Ele se consolidou como solução comercial sólida, principalmente em áreas urbanas em expansão, e também passou a influenciar outros segmentos do varejo, como farmácias e lojas de departamentos.
Qual foi o papel do Piggly Wiggly e do autosserviço na expansão global?
O Piggly Wiggly frequentemente aparece como um marco na história dos supermercados, pois sistematizou práticas que outras empresas copiaram e adaptaram em diversos países. Entre as inovações associadas à rede, destacam-se:
O êxito desse formato inspirou concorrentes diretos nos Estados Unidos e também empresários em outras regiões do mundo. A partir da década de 1940, o modelo de autosserviço se difundiu pela Europa, especialmente após a Segunda Guerra Mundial. Nesse período, muitos países precisavam de eficiência e racionalização na distribuição de alimentos. Desse modo, o supermercado foi visto não só como inovação comercial, mas igualmente como ferramenta de reconstrução econômica.
Países como França, Reino Unido e Alemanha viram o surgimento de redes que ampliaram antigas mercearias e, gradualmente, assumiram a forma de supermercados de maior escala. Paralelamente, governos e organismos internacionais passaram a incentivar a modernização do varejo, conectando-o a políticas de abastecimento e segurança alimentar.
Nos anos seguintes, o conceito se espalhou pela América Latina, Ásia e Oceania, com adaptações culturais e econômicas. Em alguns mercados, o processo avançou mais lentamente, por causa de fatores como menor poder aquisitivo médio, dificuldades logísticas e forte presença do comércio de bairro. Ainda assim, o supermercado de autosserviço se tornou um padrão global de varejo alimentar ao longo da segunda metade do século XX. Mais tarde, esse padrão serviria de base para formatos ainda maiores, como hipermercados, e para novos arranjos, como clubes de atacado.
História dos supermercados no Brasil: quando começou o autosserviço?
No Brasil, os armazéns, vendas e mercadinhos de bairro dominaram o comércio de alimentos até meados do século XX. Muitos pesquisadores atribuem o primeiro supermercado brasileiro à década de 1950, com a abertura de lojas em grandes centros urbanos, como Rio de Janeiro e São Paulo. Esses empreendimentos se inspiraram diretamente no modelo norte-americano de autosserviço e, pouco a pouco, passaram a educar o consumidor para esse novo jeito de comprar.
Esses pioneiros introduziram práticas novas para o consumidor brasileiro. Eles trouxeram carrinhos de compras, gôndolas com grande variedade de produtos e possibilidade de comparação direta de marcas e preços. Além disso, começaram a investir em publicidade, folhetos de ofertas e campanhas em rádio e, posteriormente, em televisão. A experiência de entrar na loja, percorrer corredores, escolher itens e só então se dirigir ao caixa mudou de forma relevante a rotina de compras.
A expansão dos supermercados no Brasil ganhou força a partir das décadas de 1960 e 1970, com o surgimento de redes nacionais e regionais. A combinação de crescimento urbano, aumento do número de famílias nas cidades e desenvolvimento da indústria de alimentos embalados favoreceu o novo modelo. Ao mesmo tempo, melhorias em infraestrutura de transporte e refrigeração viabilizaram a distribuição em maior escala. Aos poucos, o supermercado passou a conviver com o comércio tradicional e ocupou um espaço central na cadeia de abastecimento.

Impactos no comércio e no comportamento de consumo brasileiro
A chegada e a consolidação dos supermercados no Brasil transformaram o comércio de forma significativa. Para o setor, um dos principais efeitos consistiu na concentração de diferentes seções em um único endereço. Hortifrúti, açougue, padaria, produtos de limpeza e itens de higiene pessoal passaram a dividir o mesmo espaço. Isso exigiu mudanças na logística, na negociação com fornecedores e na forma de exposição dos produtos. Consequentemente, fabricantes também tiveram de adaptar embalagens, rótulos e estratégias de marketing ao ambiente de gôndolas.
Do ponto de vista do consumo, o autosserviço estimulou novas rotinas. A ida semanal ou quinzenal ao supermercado substituiu, em muitos casos, as pequenas compras diárias em mercearias de bairro. Com maior variedade disponível, as famílias passaram a experimentar novas marcas, tamanhos de embalagem e categorias de produtos. Desse modo, o leque de escolhas se ampliou de forma considerável e reforçou a noção de consumo planejado.
A partir dos anos 1990, redes internacionais passaram a atuar de forma mais intensa no país e ampliaram a concorrência. Elas trouxeram formatos como hipermercados e, mais recentemente, lojas de conveniência e atacarejos. Em paralelo, a profissionalização da gestão, o uso de sistemas de informação e o foco em indicadores de desempenho passaram a orientar as decisões das redes. Na década de 2020, o comércio eletrônico e os serviços de entrega integrados ao supermercado físico acrescentaram novas camadas ao conceito de autosserviço. Agora, muitos consumidores fazem pedidos por aplicativos e escolhem entre retirada em loja ou entrega em domicílio.
Dos primeiros supermercados aos modelos atuais: o que mudou?
Apesar das mudanças, o supermercado mantém papel central na organização do abastecimento urbano. O que começou com experiências como o Piggly Wiggly, nos Estados Unidos, e com os primeiros autosserviços no Brasil agora se traduz em redes complexas. Essas redes combinam loja física, plataformas digitais e logística avançada, mas preservam o princípio básico de reunir, em um só lugar, grande parte do que uma família precisa para o dia a dia. Assim, o supermercado segue como elo estratégico entre indústria, campo e consumidores, adaptando-se continuamente às novas exigências da sociedade.














