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Café e chá protegem? Estudos investigam relação com demência

Café e chá com cafeína podem ajudar a proteger o cérebro: veja o que dizem estudos sobre demência e envelhecimento cognitivo

Giro 10

Giro 10|Do R7

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Em todo o mundo, o café e o chá com cafeína fazem parte da rotina diária de milhões de pessoas. Essas bebidas aparecem em encontros de trabalho, momentos de descanso e até em rituais familiares. Por isso, grupos de pesquisa passaram a investigar se esse hábito tão comum também se relaciona com o envelhecimento do cérebro e com o risco de demência.

Nos últimos anos, estudos de diferentes países analisaram o consumo de café e chá em grandes populações. Esses trabalhos acompanharam pessoas por vários anos e cruzaram informações sobre quanto elas bebiam com o surgimento de alterações cognitivas. Assim, surgiram indícios de que quem consome essas bebidas com regularidade apresenta, em média, menor risco de desenvolver demência em comparação com quem quase não ingere cafeína.


Chá de camomila Giro 10

O que as pesquisas apontam sobre café, chá e demência?

As investigações mais recentes avaliam tanto o volume diário consumido quanto o tipo de bebida. Muitos levantamentos observam uma associação entre consumo moderado de café ou chá com cafeína e menor incidência de demência ao longo do tempo. Em geral, essa relação aparece com destaque em faixas de consumo intermediário, e não em doses muito altas.


Pesquisadores também analisam diferentes grupos etários e perfis de saúde. Alguns dados sugerem efeito mais evidente em adultos de meia-idade que mantêm o hábito por muitos anos. Além disso, estudos que consideram fatores como tabagismo, hipertensão e nível de atividade física mostram que o possível efeito protetor do café com cafeína e do chá não atua isoladamente. Em vez disso, ele parece integrar um conjunto maior de influências sobre o cérebro.

Como cafeína, antioxidantes e polifenóis podem agir no cérebro?


O café e o chá concentram diversos compostos bioativos. Entre eles, a cafeína se destaca como a substância mais conhecida. Esse estimulante atua bloqueando receptores de adenosina, o que reduz a sensação de fadiga e aumenta o estado de alerta. Com isso, a pessoa tende a se manter mais atenta em tarefas cognitivas do dia a dia.

Além da cafeína, essas bebidas reúnem antioxidantes e polifenóis, como ácidos clorogênicos no café e catequinas em determinados tipos de chá. Esses compostos ajudam a neutralizar radicais livres, que surgem em processos naturais do organismo. Dessa forma, eles contribuem para reduzir o estresse oxidativo, que especialistas associam ao envelhecimento celular, inclusive de neurônios.


Outro ponto em análise envolve a inflamação crônica de baixa intensidade. Pesquisas ligam esse processo a maior risco de doenças neurodegenerativas. Muitos polifenóis presentes em café e chá exibem efeito anti-inflamatório em modelos experimentais. Por isso, cientistas investigam se esse mecanismo também oferece proteção indireta para estruturas cerebrais importantes para memória e atenção.

Beber café e chá realmente protege contra demência?

Apesar das associações observadas, os estudos disponíveis apresentam limitações. A maioria dos trabalhos utiliza desenho observacional. Nesses estudos, os pesquisadores acompanham grupos ao longo do tempo, mas não controlam diretamente o que cada pessoa consome. Assim, o consumo de café e chá com cafeína pode se relacionar a outros hábitos de vida que também reduzem o risco de demência.

Além disso, muitas pesquisas se baseiam em questionários de consumo preenchidos pelos próprios participantes. Esse tipo de informação pode sofrer falhas de memória ou estimativas imprecisas. Ainda assim, os resultados mantêm certa consistência entre diferentes populações, o que reforça o interesse científico no tema, porém não confirma uma relação de causa e efeito.

Outra questão envolve a dose adequada. Alguns levantamentos sugerem benefício com duas a quatro xícaras por dia. Outros apontam faixas diferentes, dependendo do tipo de bebida e da população estudada. Portanto, especialistas evitam recomendar quantidades rígidas apenas com base nessas análises. Eles também lembram que consumo exagerado de cafeína pode causar palpitações, ansiedade ou piora do sono em pessoas sensíveis.

Quais outros hábitos influenciam a saúde do cérebro?

A saúde cognitiva não depende apenas de uma bebida. Diversas pesquisas destacam a importância de um conjunto de práticas diárias. Entre elas, o sono adequado ocupa posição central. Noites curtas ou muito fragmentadas prejudicam processos de consolidação de memória e aumentam o cansaço mental ao longo do dia.

O exercício físico regular também exerce papel importante. Caminhadas, ciclismo leve e outras atividades aeróbicas estimulam a circulação sanguínea e favorecem a liberação de substâncias relacionadas à plasticidade cerebral. Além disso, a prática de atividade física ajuda a controlar pressão arterial, glicemia e colesterol, fatores que se relacionam de perto com o risco de declínio cognitivo.

A alimentação equilibrada aparece como outro pilar. Padrões alimentares com maior presença de frutas, verduras, legumes, grãos integrais, azeite e peixes, como o modelo mediterrâneo, se associam a menor risco de demência em diversos estudos. Por fim, o estímulo intelectual e a vida social ativa completam esse conjunto de fatores. Leitura, aprendizado de novas habilidades e convivência frequente com outras pessoas parecem fortalecer redes neurais e oferecer reserva cognitiva.

Cérebro Giro 10

Qual o lugar do café e do chá em um estilo de vida saudável?

Diante das evidências atuais, especialistas descrevem café e chá com cafeína como possíveis aliados da saúde cerebral, desde que se integrem a um estilo de vida equilibrado. Essas bebidas podem somar compostos antioxidantes, polifenóis e cafeína a uma rotina que já inclui sono regulado, alimentação variada e prática de exercícios.

Ao mesmo tempo, pesquisadores reforçam que o consumo dessas bebidas não garante proteção completa contra demência. A genética, o histórico de doenças cardiovasculares, o nível educacional e outros fatores também influenciam o risco ao longo da vida. Por isso, a orientação geral valoriza o conjunto de hábitos e desencoraja a ideia de soluções únicas.

Assim, quem aprecia café ou chá com cafeína pode manter esse costume de forma moderada, levando em conta possíveis limitações individuais. Já profissionais de saúde continuam a acompanhar novos estudos sobre o tema. Com essa abordagem, o debate se mantém baseado em dados e ajuda a construir estratégias mais amplas para preservar a memória e o raciocínio durante o envelhecimento.

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