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Como a imaginação realmente funciona: uma nova teoria provou que o cérebro não “desenha” imagens, mas apaga o desnecessário

Você já tentou fechar os olhos e visualizar o rosto de alguém que ama, mas percebeu que a imagem nunca fica com todos os detalhes...

Giro 10

Giro 10|Do R7

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Você já tentou fechar os olhos e visualizar o rosto de alguém que ama, mas percebeu que a imagem nunca fica com todos os detalhes nítidos? Essa imaginação imperfeita sempre intrigou os pesquisadores, mas agora temos uma resposta fascinante para esse mistério. O seu cérebro não funciona como uma tela em branco onde as memórias são pintadas, mas sim como um escultor que apaga o que não importa.

O que a ciência descobriu sobre o córtex visual?


Durante décadas, a neurociência acreditava que imaginar algo ativava os mesmos neurônios que usamos para enxergar de verdade. A lógica parecia simples e direta: se a luz real acende áreas específicas no córtex visual, pensar nessa mesma luz faria exatamente o caminho inverso, de trás para frente.

No entanto, uma equipe de pesquisadores da Universidade de New South Wales publicou um artigo teórico ao perceber que essa ideia tinha falhas profundas na nossa fisiologia. Eles notaram que as células cerebrais não apresentavam o cansaço típico da visão real durante os testes contínuos. Em vez de ligar interruptores elétricos, a nossa massa cinzenta na verdade desliga os ruídos desnecessários para formar uma ideia.


Giro 10

Como isso funciona na prática?

Pense na sua imaginação como um rádio antigo tentando sintonizar uma estação. Mesmo no escuro absoluto e no silêncio, o seu cérebro está constantemente gerando uma energia elétrica de fundo. Quando você decide visualizar um quadrado na mente, o sistema nervoso não acende as luzes no formato dessa figura geométrica exata.


Na verdade, ele age como um filtro poderoso. A mente bloqueia ativamente os neurônios que estão espalhados fora do contorno desejado. É justamente o silêncio dessas células inibidas que permite que a imagem ganhe forma na sua cabeça, destacando-se no meio da atividade cerebral espontânea.

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Afantasia e hiperfantasia: o que mais os pesquisadores encontraram?

Essa nova descoberta da ciência explica condições muito curiosas do nosso dia a dia, como a afantasia, que é a incapacidade de formar imagens mentais. Se os freios inibitórios do cérebro forem naturalmente fracos, o ruído de fundo toma conta e a mente simplesmente não consegue apagar o excesso para criar uma figura compreensível.

Por outro lado, existem pessoas com hiperfantasia, que visualizam cenários com uma clareza impressionante e cores vivas. Nesses casos raros, o córtex visual consegue suprimir tão bem a energia elétrica desnecessária que a lembrança ganha contornos extremamente nítidos.

Os detalhes complexos dessa dinâmica eletrofisiológica foram amplamente documentados por especialistas na área visual, e uma revisão estrutural fascinante pode ser consultada neste estudo, publicado no prestigiado periódico Trends in Cognitive Sciences.

Por que essa descoberta importa para você?

Entender como os neurônios se comportam na nossa mente vai muito além de uma simples curiosidade acadêmica de laboratório. Esse mecanismo sutil de inibição seletiva é o grande responsável por proteger a nossa sanidade no dia a dia, separando o que é apenas uma fantasia passageira do que é um estímulo visual real e presente.

Se a nossa imaginação usasse exatamente a mesma voltagem intensa que a visão biológica usa para processar a luz do sol, nós não saberíamos distinguir uma memória antiga de algo físico. Quando essa barreira natural de segurança falha por algum desequilíbrio, a mente pode gerar distorções severas e alucinações visuais involuntárias.

Giro 10

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O que mais a ciência está investigando sobre o cérebro?

Os próximos passos cruciais da neurociência envolvem mapear como essas inibições visuais interagem diretamente com as nossas emoções e traumas profundos. Os cientistas querem descobrir se no futuro será possível estimular artificialmente essas áreas inibitórias de forma direcionada, ajudando a tratar quadros de ansiedade crônica ou a impulsionar a criatividade bloqueada.

No fim das contas, a nossa capacidade criativa é fascinante justamente por ser moldada através da pura subtração de estímulos confusos. Da próxima vez que você sonhar acordado ou reviver uma boa memória, lembre-se de que a sua mente está, na verdade, esculpindo a realidade diretamente no escuro.

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