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Dentistas de luxo? Maias usavam pedras preciosas para preencher dentes, revela achado raro nas Américas pré-coloniais

Odontologia maia avançada: pedras preciosas em dentes revelam técnicas sofisticadas, simbolismo de status e identidade na Mesoamérica...

Giro 10

Giro 10|Do R7

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Pesquisadores anunciaram recentemente novas evidências de que a civilização maia realizava modificações dentárias sofisticadas, incrustando pedras preciosas diretamente nos dentes. Restos humanos analisados em sítios arqueológicos no México, na Guatemala e em Honduras revelaram incisivos e caninos frontais com pequenas cavidades preenchidas por materiais como jade, turquesa e pirita. A precisão dos orifícios e o bom estado de preservação das incrustações chamaram a atenção das equipes científicas, que passaram a investigar como esse procedimento era feito e qual era sua função na sociedade maia.

De acordo com os estudos, as intervenções eram realizadas principalmente nos dentes anteriores, mais visíveis quando a pessoa sorria ou falava. As cavidades eram abertas na superfície do esmalte em formatos circulares ou ovais, em geral bem alinhadas e simétricas, o que indica forte controle técnico. Exames microscópicos mostraram que as pedras eram cuidadosamente ajustadas ao espaço perfurado, sugerindo um planejamento prévio do tamanho e do formato das joias dentárias.


Modificações dentárias maias: como as pedras preciosas eram incrustadas?

As análises indicam que os maias provavelmente utilizavam brocas manuais de pedra ou ossos, associadas a abrasivos minerais, para perfurar os dentes sem causar trincas extensas. Substâncias como pó de quartzo ou areia fina misturadas à água podem ter servido como agentes de desgaste, tornando o processo mais controlado. Após abrir a cavidade, os artesãos aplicavam uma espécie de cimento natural, possivelmente à base de resinas vegetais e minerais pulverizados, para fixar o jade, a turquesa ou a pirita. Essa combinação criou uma aderência estável, capaz de resistir ao uso diário da arcada dentária ao longo de muitos anos.


Giro 10

Qual era o significado cultural das pedras preciosas nos dentes maias?

As incrustações dentárias parecem estar ligadas a elementos centrais da cultura maia, como status social, estética e identidade coletiva. Indivíduos com maior número de dentes ornamentados costumam ser encontrados em contextos arqueológicos associados a elites locais ou grupos de maior prestígio, o que sugere um uso como marcador de posição na hierarquia social. Além disso, o brilho da pirita, semelhante ao de um metal, e o verde intenso do jade tinham forte carga simbólica na Mesoamérica, associados a fertilidade, poder e conexão com o mundo espiritual. Assim, os dentes enfeitados funcionavam tanto como adorno corporal quanto como sinal visível de pertencimento a determinados grupos ou linhagens.


O que essa prática revela sobre a odontologia antiga nas Américas?

A descoberta amplia o entendimento sobre a odontologia pré-colombiana e desafia a ideia de que as sociedades das Américas antigas não desenvolviam procedimentos complexos de cuidado bucal. Já eram conhecidos casos de limagem dos dentes, extrações e uso de substâncias naturais para aliviar dores, mas a incrustação de pedras preciosas demonstra um nível de precisão e planejamento pouco associado, até recentemente, a essas civilizações. A capacidade de perfurar o esmalte sem destruir o dente, somada ao uso de materiais de fixação duráveis, indica um conhecimento empírico de anatomia dentária e de propriedades físicas de minerais e resinas.

Ao reunir dados arqueológicos, análises laboratoriais e comparações com outras práticas corporais maias, os especialistas apontam que essas modificações dentárias representam um exemplo expressivo do domínio técnico e da complexidade cultural dessa sociedade. As incrustações com jade, turquesa e pirita mostram que a boca era vista como um espaço de expressão simbólica e social, tanto quanto o vestuário, os adornos corporais ou as inscrições em pedra. A descoberta reforça a importância de reavaliar o legado maia à luz de novas evidências científicas, revelando uma tradição odontológica sofisticada e integrada a uma visão de mundo abrangente.

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