Descubra o mistério e o “cheiro” da neve melancia
A chamada neve-melancia, também conhecida como neve de sangue, representa um fenômeno natural que chama a atenção em regiões frias...
Giro 10|Do R7
A chamada neve-melancia, também conhecida como neve de sangue, representa um fenômeno natural que chama a atenção em regiões frias do planeta. Em vez do branco habitual, certas áreas de neve ganham um tom rosado ou avermelhado, o que intriga pesquisadores e turistas. Esse evento não se relaciona à poluição ou a tinta artificial. Na verdade, ele ocorre por causa de organismos vivos que se desenvolvem em ambientes extremos.
Pesquisadores observam a neve-melancia principalmente em áreas de alta montanha e em zonas polares. Assim, glaciologistas e biólogos estudam o fenômeno com grande interesse. A cor, o cheiro e até a textura dessa neve especial ajudam a entender como a vida se adapta a temperaturas muito baixas, alta radiação solar e curtos períodos de degelo. Ao mesmo tempo, o fenômeno estimula discussões sobre mudanças climáticas e impactos nos ecossistemas gelados.
O que é a neve-melancia e onde esse fenômeno aparece?
A neve-melancia consiste em um tipo de neve que adquire coloração rosada, avermelhada ou até levemente alaranjada. Essa mudança ocorre devido à presença de algas microscópicas que vivem sobre e dentro dos cristais de gelo. Embora a maior parte da neve contenha apenas água congelada, algumas condições específicas criam um ambiente favorável para esses microrganismos. Então, eles crescem, multiplicam-se e formam verdadeiros tapetes coloridos na superfície.
Esse fenômeno aparece com mais frequência em regiões alpinas e em áreas próximas aos polos. Por exemplo, cientistas registram neve-melancia na Antártica, Groenlândia, Alasca, Alpes europeus, Andes e algumas cordilheiras da Ásia. Normalmente, o fenômeno surge durante o verão local, quando as temperaturas sobem ligeiramente e o dia fica mais longo. As algas permanecem adormecidas durante o frio intenso. Depois, elas se ativam quando a neve começa a derreter, aproveitando a água líquida disponível.
Nesses lugares, a neve-melancia aparece com frequência em áreas inclinadas, trilhas de montanhismo e campos de gelo expostos ao sol. Em altitudes elevadas, o contraste entre a neve branca comum e as manchas avermelhadas cria um cenário marcante. Assim, fotógrafos e cientistas registram muitas imagens e relatos em expedições científicas.

Por que a neve fica vermelha e qual o papel das algas microscópicas?
A cor vermelha ou rosada da neve-melancia resulta de pigmentos produzidos por algas do gênero Chlamydomonas e parentes próximos. Essas algas são organismos unicelulares, de tamanho microscópico, que utilizam a luz do sol para realizar fotossíntese. Em condições extremas de frio, radiação intensa e falta de nutrientes, elas desenvolvem pigmentos especiais, como carotenoides avermelhados. Esses compostos funcionam como uma espécie de “protetor solar biológico”.
Esses pigmentos protegem o material genético das algas contra a radiação ultravioleta. Essa radiação aumenta bastante em altitudes elevadas e em superfícies muito refletivas, como a neve. Além disso, a coloração mais escura intensifica a absorção de calor. Desse modo, as algas favorecem um leve derretimento da neve ao redor, o que libera mais água líquida para o próprio organismo. Portanto, elas usam uma estratégia de sobrevivência eficiente em um ambiente com poucos recursos.
Quando muitas dessas células pigmentadas se acumulam na camada superior da neve, o campo gelado reflete menos luz branca e exibe o tom rosado. A intensidade da cor varia conforme a concentração de algas, a espessura da neve e a incidência de luz. Além disso, o período do dia também influencia a percepção da tonalidade. Em alguns pontos, a neve parece quase vermelha e lembra manchas de tinta ou até sangue espalhado sobre o gelo.
Neve de sangue tem cheiro de melancia? Curiosidades e características sensoriais
Uma das curiosidades mais citadas sobre a neve de sangue envolve o seu odor característico. Muitas pessoas descrevem esse cheiro como parecido com cheiro de melancia ou de frutas doces. Pesquisadores relacionam esse aroma a compostos orgânicos que as algas liberam durante o metabolismo. Isso ocorre principalmente quando a temperatura aumenta e a atividade biológica se intensifica. Em algumas ocasiões, quem se aproxima da neve colorida relata perceber um leve perfume adocicado no ar.
Além do cheiro, relatos históricos mencionam também um leve sabor adocicado quando alguém prova a neve-melancia. No entanto, pesquisadores não recomendam o consumo desse tipo de neve. Embora essas algas não apresentem perigo em pequenas quantidades, a neve pode acumular impurezas, microrganismos diversos e resíduos trazidos pelo vento. Por isso, as pessoas não devem utilizá-la como fonte de água.
Entre as principais curiosidades ligadas à neve-melancia, destacam-se:
Quais são os impactos ambientais e o que as pesquisas investigam?
Pesquisadores dedicam muitos esforços para entender como a neve-melancia interfere no equilíbrio de geleiras e mantos de neve. Ao escurecer a superfície, as algas diminuem o chamado albedo, que representa a capacidade de refletir luz solar. Dessa forma, a neve absorve mais energia e derrete mais rápido. Em regiões já sensíveis às mudanças climáticas, esse efeito pode contribuir para acelerar a retração do gelo.
Por outro lado, essas algas compõem um elemento importante dos ecossistemas frios. Elas servem de alimento para microrganismos, pequenos invertebrados e outras formas de vida que habitam a neve e o gelo. Assim, elas integram uma cadeia alimentar pouco conhecida, porém essencial para a biodiversidade polar e de alta montanha.
As linhas de pesquisa atuais buscam responder a questões como:
Ao investigar essas questões, cientistas relacionam a ocorrência da neve-melancia com tendências de aquecimento global e variações de cobertura de gelo. Além disso, eles avaliam possíveis alterações no ciclo da água em áreas geladas. Assim, o fenômeno deixa de ser apenas uma curiosidade visual e olfativa e se torna um indicador relevante para estudos sobre o futuro das regiões frias do planeta.













