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Libélulas podem ver cores invisíveis aos humanos? Estudo revela visão além do espectro e impacto na ciência e medicina

A visão das libélulas tem recebido atenção crescente da comunidade científica. Afinal, estudos recentes indicarem que esses insetos...

Giro 10

Giro 10|Do R7

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A visão das libélulas tem recebido atenção crescente da comunidade científica. Afinal, estudos recentes indicarem que esses insetos conseguem perceber faixas de luz que escapam totalmente à visão humana, incluindo a chamada luz vermelha profunda. Assim, essa descoberta amplia o entendimento sobre como diferentes espécies enxergam o mundo e mostra que a percepção de cores na natureza é mais variada do que se imaginava. Pesquisas reforçadas por análises genéticas e fisiológicas sugerem que o sistema visual das libélulas é um dos mais complexos entre os insetos.

Enquanto o ser humano enxerga uma faixa relativamente estreita do espectro eletromagnético, que vai do violeta ao vermelho, as libélulas parecem operar com um “painel de controle” muito mais amplo. Estudos com microscopia, registros eletrofisiológicos e sequenciamento de genes ligados à visão apontam que esses animais são capazes de detectar desde a luz ultravioleta até regiões de vermelho muito além do limite humano. Esse alcance visual ajuda a explicar o comportamento de caça, acasalamento e navegação em ambientes variados, como margens de rios, lagos e áreas alagadas.


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Como funciona a visão de cores das libélulas?

A visão de cores nas libélulas é baseada em estruturas chamadas omatídeos, que formam os olhos compostos característicos desses insetos. Cada olho pode conter dezenas de milhares de omatídeos, e em vários deles existem diferentes tipos de células fotorreceptoras especializadas em captar comprimentos de onda específicos. Em vez de depender de poucos tipos de receptores, como acontece em muitos vertebrados, as libélulas reúnem uma grande diversidade de pigmentos visuais, o que dá ao sistema ocular uma sensibilidade ampla e segmentada.


Esses pigmentos, conhecidos como opsinas, são proteínas que mudam de configuração quando recebem luz. Em cada tipo de fotorreceptor, a opsina é ajustada para uma faixa de cor específica, como ultravioleta, azul, verde, amarelo ou vermelho profundo. A combinação dos sinais gerados por todos esses receptores é processada pelo sistema nervoso da libélula, permitindo distinguir nuances de cor relevantes para o ambiente aquático e terrestre. Essa organização torna a visão do animal altamente especializada para tarefas como localizar presas em movimento rápido e reconhecer parceiros da mesma espécie.

Por que a luz vermelha profunda é importante para as libélulas?


A indicação de que libélulas percebem luz vermelha profunda chamou a atenção porque essa faixa de radiação fica além da sensibilidade usual de muitos insetos. Evidências recentes sugerem que alguns fotorreceptores presentes na parte inferior e lateral dos olhos das libélulas são sintonizados para comprimentos de onda mais longos, chegando a regiões próximas ao infravermelho próximo. Essa característica pode oferecer vantagens em ambientes com iluminação variável, como ao entardecer, ao amanhecer ou em áreas com muita vegetação.

Na prática, enxergar vermelho profundo pode facilitar a detecção de contrastes entre a água, o céu e a vegetação, além de ajudar a distinguir padrões de coloração em outros indivíduos. Algumas hipóteses levantam a possibilidade de que reflexos específicos na superfície da água, invisíveis para os humanos, sejam facilmente identificados pelas libélulas graças a essa sensibilidade estendida. Em cenários de caça, essa capacidade pode auxiliar na identificação de presas que se destacam levemente do fundo, mesmo em condições de baixa luminosidade.


  • Melhor detecção de presas em situações de luz fraca.
  • Diferenciação de ambientes aquáticos com base em reflexos sutis.
  • Reconhecimento de parceiros por padrões de cor e brilho específicos.

Como a visão de libélulas difere da visão humana?

A comparação entre a visão de libélulas e a visão humana ajuda a entender o impacto dessa descoberta. O ser humano tem três tipos principais de cones, responsáveis pela percepção de azul, verde e vermelho dentro do espectro visível. Essa configuração torna a visão humana tricromática, com sensibilidade máxima em faixas bem definidas. Já as libélulas podem ter de 10 a mais de 20 tipos de opsinas diferentes, de acordo com a espécie, o que amplia bastante a quantidade de cores e intensidades que podem ser distinguidas.

Outra diferença importante está na estrutura física dos olhos. Os olhos compostos das libélulas oferecem um campo visual quase panorâmico, permitindo monitorar o espaço ao redor com grande eficiência. Em compensação, a resolução de detalhes finos costuma ser menor do que a visão central humana. Assim, enquanto pessoas têm vantagem na leitura de pequenos detalhes, as libélulas se destacam em perceber movimento rápido e mudanças sutis de luz e cor em grandes ângulos. A combinação entre múltiplos fotorreceptores e grande campo de visão cria um sistema altamente adaptado à caça aérea.

  1. Humanos: visão tricromática, três tipos de cones, faixa estreita do espectro.
  2. Libélulas: múltiplos tipos de opsinas, sensibilidade do ultravioleta ao vermelho profundo.
  3. Humanos: alta resolução central, campo de visão limitado.
  4. Libélulas: ampla visão panorâmica, foco em movimento e contraste.

Quais são os impactos dessa descoberta para a ciência?

A identificação da sensibilidade das libélulas à luz vermelha profunda tem repercussão em diferentes áreas da ciência. Na biologia evolutiva, essa capacidade oferece pistas sobre como sistemas visuais complexos surgem e se diversificam ao longo do tempo. A comparação entre espécies que vivem em ambientes distintos, como florestas densas e áreas abertas, permite investigar quais pressões ambientais favoreceram a expansão do repertório de opsinas nesses insetos.

Na ecologia, compreender a visão colorida das libélulas ajuda a interpretar comportamentos de caça, dispersão e reprodução. A forma como esses animais selecionam habitats, evitam predadores e escolhem parceiros pode estar diretamente ligada às cores e contrastes percebidos por seus olhos. Essas informações são úteis em estratégias de conservação de ambientes aquáticos, já que alterações na qualidade da água e na vegetação podem modificar sinais visuais essenciais para o ciclo de vida das libélulas.

Outro ponto relevante é o impacto dessa descoberta no desenvolvimento de tecnologias ópticas e médicas. Pesquisadores utilizam os princípios da visão de libélulas como inspiração para criar sensores capazes de detectar uma gama mais ampla de comprimentos de onda, úteis em câmeras de alta sensibilidade, dispositivos de imageamento em baixa luz e sistemas de navegação autônoma. Na área médica, o estudo das opsinas e da forma como diferentes fotorreceptores processam luz pode auxiliar no desenho de terapias para distúrbios visuais e no aperfeiçoamento de exames que dependem de contrastes sutis de cor e luminosidade.

À medida que novas técnicas de análise genética e de imagem avançam até 2026, a tendência é de que surjam mais detalhes sobre como a visão estendida das libélulas funciona na prática. Esse conhecimento contribui não apenas para entender melhor esses insetos, mas também para refinar modelos sobre a evolução da visão em animais e para inspirar soluções tecnológicas alinhadas ao modo como a luz é percebida no mundo natural.

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