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Lipedema: entenda a doença que causa acúmulo de gordura e dor nas pernas

O lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nos membros inferiores, que não se...

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Giro 10|Do R7

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O lipedema é uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nos membros inferiores, que não se reduz de forma proporcional com dietas ou exercícios comuns. Essa alteração no tecido adiposo costuma surgir ou piorar em fases de mudança hormonal, como puberdade, gestação e menopausa, o que ajuda a explicar por que afeta majoritariamente mulheres. Apesar de ainda ser pouco conhecido pelo público em geral, o lipedema vem sendo cada vez mais discutido e reconhecido por profissionais de saúde.

Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, o lipedema não é sinônimo de obesidade ou “engordar nas pernas”. Trata-se de uma doença que modifica a forma como a gordura é distribuída e como o corpo reage a estímulos mecânicos, como pressão e impacto. Em grande parte dos casos, o tronco se mantém relativamente preservado, enquanto pernas e, em alguns casos, braços ganham volume e aspecto desproporcional. Essa diferença costuma gerar incômodo estético, mas também impacto funcional e emocional.


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O que é lipedema e como ele se manifesta no corpo?

A palavra-chave principal, lipedema, descreve um quadro em que há aumento simétrico de gordura nos membros, geralmente dos quadris até os tornozelos, com aspecto de “coluna” ou “calça” de gordura. Os pés, em muitos casos, permanecem com aspecto normal, o que ajuda a diferenciar o problema de outros tipos de inchaço, como o linfedema. A pele pode aparentar nodulações ao toque, semelhantes a pequenos caroços, e apresentar irregularidades visíveis.


Os sintomas mais citados incluem sensação de peso, cansaço nas pernas, dor espontânea ou ao pressionar a região afetada, além de grande sensibilidade ao toque. Hematomas surgem com facilidade, muitas vezes após pequenos traumas do dia a dia, como esbarrões em móveis. Em estágios mais avançados, a mobilidade pode ser prejudicada, com dificuldade para caminhar longas distâncias, subir escadas ou permanecer muito tempo em pé.

Quais são os sintomas e sinais típicos do lipedema?


Os sinais do lipedema variam de pessoa para pessoa, mas alguns padrões são frequentes. Entre os sintomas mais relatados estão:

  • Acúmulo desproporcional de gordura nas pernas, quadris e coxas, às vezes também nos braços;
  • Dor nas áreas afetadas, que pode ser contínua ou aparecer após esforço;
  • Sensibilidade aumentada ao toque, com desconforto mesmo em pressões leves;
  • Facilidade para formar hematomas, sem causa aparente ou após traumas mínimos;
  • Sensação de peso, fadiga e tensão nas pernas ao final do dia;
  • Dificuldade em encontrar roupas que sirvam bem em tronco e pernas ao mesmo tempo, pela desproporção corporal.


Além dos sintomas físicos, o lipedema pode impactar a rotina de diferentes formas. A limitação para atividades físicas de impacto, a dor crônica e a dificuldade de manter o mesmo ritmo de tarefas diárias costumam ser relatadas. Em muitos casos, a condição é confundida com sedentarismo ou ganho de peso simples, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do manejo adequado.

O que causa o lipedema e por que ele é mais comum em mulheres?

As causas exatas do lipedema ainda estão em estudo, mas há forte associação com fatores hormonais e genéticos. A maior parte dos casos é identificada em mulheres, geralmente após mudanças hormonais marcantes. Muitos relatos apontam histórico familiar, sugerindo predisposição hereditária, ainda que nem todos os familiares desenvolvam o quadro da mesma forma.

Entre as hipóteses discutidas por especialistas estão:

  1. Influência dos hormônios femininos, em especial o estrogênio, que poderia alterar o comportamento das células de gordura em determinadas regiões;
  2. Fatores genéticos que modificam a estrutura e a função do tecido adiposo e dos vasos sanguíneos locais;
  3. Alterações na microcirculação, com maior fragilidade capilar e tendência a extravasamento de sangue, o que explicaria a presença frequente de hematomas.

É importante destacar que a alimentação desbalanceada e o sedentarismo podem agravar o quadro, mas não são considerados causas diretas do lipedema. Uma pessoa com hábitos saudáveis pode, ainda assim, apresentar a doença, o que reforça a necessidade de diferenciar lipedema de excesso de peso simples.

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Como é o tratamento do lipedema e quais opções existem hoje?

Até o momento, não há cura definitiva para o lipedema, mas existem estratégias para controlar sintomas, melhorar a função e reduzir o impacto no dia a dia. O tratamento costuma ser individualizado, levando em conta estágio da doença, queixas principais e condições de saúde associadas. A combinação de diferentes abordagens tende a oferecer melhores resultados.

Entre as medidas mais utilizadas estão:

  • Exercícios físicos regulares, com foco em atividades de baixo impacto, como caminhada, bicicleta, natação e hidroginástica, que auxiliam na circulação e no condicionamento;
  • Uso de meias ou roupas de compressão, que ajudam a conter o inchaço, reduzem a sensação de peso e dão suporte às estruturas dos membros;
  • Fisioterapia e terapias manuais, incluindo técnicas específicas para melhorar a drenagem de líquidos e aliviar desconfortos;
  • Orientação nutricional, com plano alimentar voltado para manutenção de peso saudável, redução de inflamação e apoio ao bem-estar geral.

Em casos mais avançados ou quando o tratamento conservador não oferece alívio suficiente, a cirurgia pode ser considerada. A técnica mais discutida é a lipoaspiração específica para lipedema, que busca remover parte da gordura doente preservando vasos linfáticos e estruturas importantes. Esse tipo de procedimento requer equipe experiente e acompanhamento prolongado, pois o lipedema continua sendo uma doença crônica, mesmo após a intervenção.

O reconhecimento precoce do lipedema e o acesso à informação confiável permitem que a pessoa compreenda melhor o próprio corpo e procure ajuda adequada. Com acompanhamento multiprofissional, é possível controlar sintomas, retardar a progressão da doença e favorecer uma rotina mais funcional, respeitando as características individuais de cada caso.

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