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O que é dismorfia corporal e como ela afeta a mente

O transtorno dismórfico corporal é uma condição em que a pessoa se preocupa de forma excessiva com alguma parte do próprio corpo.

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Giro 10|Do R7

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O transtorno dismórfico corporal é uma condição em que a pessoa se preocupa de forma excessiva com alguma parte do próprio corpo. Ela enxerga defeitos mínimos ou até inexistentes. Essa preocupação ocupa muito tempo do dia, causa sofrimento e atrapalha tarefas simples, como estudar, trabalhar ou sair de casa. Essa condição não representa apenas vaidade ou insatisfação comum com a aparência. Na verdade, trata-se de um distúrbio de saúde mental que exige atenção e cuidado.

Em muitos casos, amigos e familiares não notam nada de errado na aparência. Enquanto isso, a pessoa com dismorfia corporal se vê de forma distorcida no espelho. Essa visão alterada pode envolver o rosto, a pele, o peso, o cabelo ou qualquer outra parte do corpo. A sensação de imperfeição se mantém de forma persistente e costuma vir acompanhada de vergonha e autocrítica intensa. Além disso, quem convive com o transtorno frequentemente sente culpa por não gostar do próprio corpo.


Principais sintomas do transtorno dismórfico corporal

Os sintomas do transtorno dismórfico corporal aparecem de maneiras diferentes em cada pessoa. No entanto, alguns sinais surgem com bastante frequência. Um dos mais comuns envolve passar muito tempo diante do espelho e checar detalhes do rosto ou do corpo. Algumas pessoas fazem o oposto e evitam completamente se olhar, porque não suportam a própria imagem. Além disso, muitas comparam a aparência com a de outras pessoas o tempo todo, em ambientes físicos ou nas redes sociais.


Outro sintoma marcante envolve a realização de rituais repetitivos na tentativa de “corrigir” o suposto defeito. Entre esses rituais, surgem comportamentos como usar maquiagem em excesso para esconder marcas e escolher roupas largas para disfarçar o corpo. A pessoa também pode ajeitar o cabelo de forma compulsiva, tirar fotos seguidamente para avaliar se algo “melhorou” ou buscar filtros que modificam muito o rosto. Em alguns casos, a pessoa passa horas pesquisando procedimentos estéticos e cirurgias plásticas, o que aumenta ainda mais a ansiedade.

Para ilustrar, considere a seguinte situação: alguém acredita que seu nariz é extremamente torto e desproporcional. Mesmo após receber comentários de que o nariz parece normal, essa pessoa evita tirar fotos de perfil e pede edição exagerada nas imagens. Ela também se sente desconfortável em locais muito iluminados. O desconforto não diminui com elogios, porque o problema não está na aparência em si, mas sim na forma como a mente percebe essa aparência. Assim, a pessoa entra em um ciclo de insatisfação e frustração constante.


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Como a dismorfia corporal afeta a autoestima e o dia a dia?

A palavra-chave desse transtorno é autoestima. O transtorno dismórfico corporal costuma derrubar a confiança que a pessoa tem em si mesma. Esse impacto não aparece apenas na aparência, mas também na vida social e profissional. Ao acreditar que existe um defeito grave no corpo, muitos passam a achar que não são bons o suficiente para se relacionar. Alguns deixam de se expor em público ou evitam ocupar determinados espaços, por medo de críticas.


No dia a dia, essa condição gera comportamentos como:

  • faltar a compromissos sociais por sentir vergonha da aparência;
  • evitar piscinas, praias ou lugares em que o corpo fica mais à mostra;
  • fazer muitas selfies e apagá-las por nunca achar uma foto “aceitável”;
  • trocar de roupa várias vezes antes de sair, sem se sentir satisfeito;
  • pedir confirmação constante sobre como está a aparência.

Um adolescente, por exemplo, pode deixar de ir à escola em dias de apresentação porque acredita que todos vão reparar em sua pele com acne. Já um adulto pode recusar oportunidades de trabalho que envolvem contato com o público, por ter certeza de que os outros vão julgá-lo pela aparência. Com o tempo, o isolamento social aumenta e as atividades prazerosas perdem espaço na rotina. Esse cenário favorece o surgimento de ansiedade e depressão e, em alguns casos, de pensamentos autodepreciativos intensos.

Quais são as causas mais comuns da dismorfia corporal?

As causas do transtorno dismórfico corporal se mostram diversas e envolvem uma combinação de fatores. Aspectos biológicos, como predisposição genética, influenciam esse quadro. O funcionamento de certas áreas do cérebro ligadas à percepção da imagem também contribui. Além disso, fatores psicológicos, como perfeccionismo extremo e autocrítica rígida, aparecem com frequência nas histórias de quem convive com esse transtorno.

O contexto social exerce um papel importante. Comentários repetidos sobre aparência na infância e na adolescência deixam marcas profundas. Episódios de bullying, comparações dentro da família e exposição intensa a padrões estéticos nas redes sociais alimentam a insatisfação corporal. Em muitos casos, a pessoa começa apenas desconfortável com algum traço físico. Com o tempo, essa preocupação cresce, ganha força e se transforma em transtorno.

Exemplos comuns incluem crianças que recebiam críticas constantes pelo peso ou pelo formato do nariz. Anos depois, essas pessoas passam a enxergar esse traço como algo “inaceitável”. Além disso, a pressão por corpos considerados “perfeitos” e rostos sem marcas intensifica essa percepção distorcida da própria imagem. Em consequência, muitos passam a acreditar que só merecem amor ou sucesso se mudarem o corpo.

Quais são os tratamentos mais usados para o transtorno dismórfico corporal?

O tratamento da dismorfia corporal geralmente envolve uma combinação de psicoterapiaacompanhamento psiquiátrico e, em alguns casos, medicação. Em geral, profissionais recomendam a terapia cognitivo-comportamental. Essa abordagem ajuda a identificar pensamentos distorcidos sobre a aparência e a substituí-los por interpretações mais realistas. Na terapia, a pessoa aprende a lidar com o espelho, com fotos e com situações sociais de modo gradual e estruturado.

Quando os sintomas aparecem de forma intensa, o psiquiatra pode indicar antidepressivos, em especial os da classe dos inibidores seletivos da recaptação de serotonina. Esses medicamentos não mudam a aparência física, porém atuam nos circuitos cerebrais ligados à ansiedade, à obsessão com o defeito e à compulsão por checagens. O objetivo consiste em reduzir o sofrimento psicológico para que a psicoterapia apresente mais efeito. Em alguns casos, o tratamento também inclui psicoeducação para a família, o que melhora o apoio no dia a dia.

Além do cuidado clínico, algumas estratégias do cotidiano apoiam o tratamento:

  1. reduzir o tempo gasto em frente ao espelho e em aplicativos de edição de imagem;
  2. limitar comparações com influenciadores e perfis altamente editados nas redes sociais;
  3. desenvolver atividades que não tenham foco na aparência, como hobbies criativos ou esportes recreativos;
  4. buscar redes de apoio, como família, amigos e grupos terapêuticos;
  5. evitar cirurgias plásticas repetidas sem avaliação psicológica adequada.

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