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Olhos desalinhados: como reconhecer e tratar o estrabismo

Estrabismo: entenda causas, tipos e tratamentos eficazes com óculos, lentes, terapia visual, prismas e cirurgia para preservar a visão...

Giro 10

Giro 10|Do R7

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O estrabismo corresponde a um desalinhamento dos olhos, que deixam de apontar para a mesma direção ao mesmo tempo. Em vez de trabalharem de forma coordenada, cada olho passa a enviar uma imagem diferente ao cérebro. Assim, a visão pode ficar embaçada, duplicada ou suprimida, principalmente em crianças pequenas.

Essa alteração não surge apenas por questões estéticas. Ela interfere na forma como o cérebro organiza as imagens e pode afetar a percepção de profundidade. Além disso, sem tratamento adequado, o cérebro tende a ignorar o olho desalinhado, o que favorece o aparecimento da ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”.


estrabismo Giro 10

O que é estrabismo e quais são seus principais tipos?

Os especialistas definem o estrabismo como qualquer desvio ocular persistente ou intermitente. Esse desvio pode ocorrer para dentro, para fora, para cima ou para baixo. A classificação principal usa justamente a direção do desvio como referência.


Na esotropia, o olho se volta para dentro, em direção ao nariz. Esse tipo aparece com frequência na infância e muitas crianças apresentam o desvio de forma constante. Já na exotropia, o olho se desloca para fora, em direção à orelha. Em muitos casos, o desvio surge mais quando a pessoa se sente cansada ou se distrai.

A hipertropia corresponde ao desvio para cima, enquanto a hipotropia indica o desvio para baixo. Esses dois tipos envolvem, com frequência, alterações em músculos específicos ou em nervos que controlam esses músculos. Além disso, algumas pessoas misturam direções, com combinações de esotropia e hipertropia, por exemplo.


Quais são as causas e fatores de risco do estrabismo?

O estrabismo pode surgir por vários motivos. Em muitos casos, ele se relaciona a um desequilíbrio na força dos músculos que movimentam os olhos. Quando um músculo puxa mais que o outro, o olho tende a desviar.


Alguns fatores aumentam o risco da condição. Entre eles, destacam-se:

  • Histórico familiar de estrabismo ou ambliopia.
  • Erro de refração sem correção, como hipermetropia elevada.
  • Doenças que afetam o desenvolvimento neurológico.
  • Traumas oculares ou cranianos.
  • Infecções ou tumores que comprometam nervos oculares.

Em crianças, o estrabismo pode se tornar mais evidente durante febres, doenças gerais ou fases de crescimento rápido. Em adultos, o desvio pode surgir de forma súbita após acidentes vasculares, diabetes descompensado ou traumas. Por isso, qualquer alteração recente no alinhamento ocular exige avaliação rápida.

Estrabismo: quais sinais e sintomas merecem atenção?

Os sinais do estrabismo variam conforme a idade. Em bebês maiores e crianças, os pais costumam notar um olho “fugindo” em fotos ou quando a criança se concentra em um objeto. O desvio pode aparecer o tempo todo ou em momentos específicos, como quando a criança olha para longe.

Outros sintomas comuns incluem:

  • Dor de cabeça frequente, principalmente ao final do dia.
  • Cansaço visual durante a leitura ou uso de telas.
  • Fechar um dos olhos ao focar objetos distantes ou em ambientes claros.
  • Inclinar a cabeça para compensar o desvio ocular.
  • Dificuldades na escola, por causa da leitura do quadro ou de livros.

Algumas crianças não relatam visão dupla, porque o cérebro passa a ignorar a imagem do olho desviado. Esse mecanismo reduz o desconforto imediato, porém aumenta o risco de ambliopia. Em adultos, a visão dupla surge com frequência e interfere em tarefas como dirigir, subir escadas ou trabalhar em frente ao computador.

Como funciona o diagnóstico e por que o tratamento precoce é essencial?

O diagnóstico do estrabismo depende sempre de exame oftalmológico completo. O especialista avalia o grau de desvio, a acuidade visual de cada olho e a presença de erros de refração. Além disso, o médico observa a movimentação ocular em todas as direções e verifica se há algum comprometimento neurológico.

Em crianças, a avaliação precoce se torna ainda mais importante. O cérebro desenvolve a visão de forma intensa nos primeiros anos de vida. Se o olho permanece desalinhado nesse período, o cérebro reduz o uso desse olho e instala a ambliopia. Depois de certa idade, a recuperação da visão se torna mais difícil, mesmo com correção adequada.

Assim, muitos serviços recomendam exame oftalmológico ainda na primeira infância, mesmo sem queixas aparentes. O diagnóstico precoce permite corrigir o estrabismo com recursos simples, como óculos e terapia visual, e reduz a necessidade de cirurgias complexas no futuro.

Quais são as principais opções de tratamento para o estrabismo?

O tratamento do estrabismo varia conforme a causa, o tipo de desvio e a idade do paciente. Em muitos casos, o primeiro passo envolve a correção de erros de refração com óculos ou lentes de contato. Uma hipermetropia importante, por exemplo, pode desencadear esotropia e melhorar após a correção óptica.

Os médicos podem associar terapia visual, com exercícios que treinam o cérebro a usar os dois olhos de forma coordenada. Esses exercícios procuram melhorar a convergência, o foco e a percepção de profundidade. Normalmente, o tratamento combina sessões em consultório com atividades orientadas para casa.

Em alguns casos, os profissionais indicam óculos prismáticos. Esses prismas desviam levemente a luz antes de chegar aos olhos e reduzem a diferença entre as imagens. Dessa forma, o cérebro consegue fundir as duas imagens com mais facilidade, o que diminui a visão dupla e melhora o conforto visual.

Quando o desvio permanece importante apesar das medidas anteriores, a cirurgia passa a representar uma opção. O cirurgião ajusta a posição ou a força dos músculos oculares, para realinhar os olhos. Em crianças, o procedimento busca tanto o alinhamento estético quanto a recuperação da função binocular. Em adultos, a cirurgia costuma reduzir a visão dupla e melhorar o alinhamento em atividades diárias.

Por que o acompanhamento contínuo faz diferença?

O estrabismo não se resume a um evento isolado. Ele exige acompanhamento frequente, principalmente em crianças em crescimento. O oftalmologista ajusta o grau dos óculos, revisa a necessidade de terapia visual e avalia a estabilidade do alinhamento.

Esse acompanhamento também permite detectar precocemente sinais de ambliopia. Quando necessário, o médico pode indicar oclusão com tampão em um dos olhos, para estimular o olho mais fraco. Embora essa medida cause desconforto temporário, ela aumenta as chances de desenvolvimento visual adequado.

Com diagnóstico correto, tratamento personalizado e acompanhamento regular, muitas pessoas com estrabismo alcançam bom alinhamento ocular e preservam a função visual. Dessa forma, reduzem o impacto da condição sobre o aprendizado, o trabalho e as relações sociais ao longo da vida.

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