Logo R7.com
RecordPlus
Notícias R7 – Brasil, mundo, saúde, política, empregos e mais

Por que o chá de camomila acalma? Entenda o efeito no cérebro

Entre as infusões mais consumidas no cotidiano, o chá de camomila associa-se ao relaxamento e a noites de sono mais tranquilas. Saiba...

Giro 10

Giro 10|Do R7

  • Google News

Entre as infusões mais consumidas no cotidiano, o chá de camomila associa-se ao relaxamento e a noites de sono mais tranquilas. Porém, essa fama não surgiu por acaso. Afinal, ao longo de décadas, estudos laboratoriais e clínicos passaram a investigar como os compostos naturais da planta interagem com o organismo humano. As pesquisas apontam que parte desse efeito calmante liga-se à forma como certas substâncias da camomila se conectam a estruturas do cérebro que se envolvem na regulação da ansiedade e do sono.

Embora muitas pessoas utilizem o chá de camomila como apoio em rotinas de descanso, seu efeito não é comparável ao de medicamentos sedativos prescritos. Assim, o que se observa na prática é um relaxamento suave, que tende a reduzir a agitação e favorecer um estado de tranquilidade. Porém, sem provocar uma sonolência intensa em indivíduos saudáveis. Esse caráter mais leve relaciona-se à concentração dos compostos bioativos na bebida e à forma como eles modulam, de maneira discreta, certos sistemas químicos do cérebro.


Chá de camomila Giro 10

O que se relaciona ao chá de camomila como calmante?

No contexto da saúde e bem-estar, a expressão mais usada é chá de camomila calmante. Essa palavra-chave reúne três ideias centrais: a forma de consumo (chá), a planta (camomila) e o efeito que mais se busca (calmante, relaxante). A partir dela surgem variações como “camomila para relaxar”, “camomila para ansiedade leve” ou “infusão de camomila relaxante”. Portanto, todas remetem à mesma questão principal. Ou seja, por que essa planta, em forma de bebida quente, parece favorecer um estado de calma em parte da população?


Para compreender esse ponto, é útil lembrar que o efeito de qualquer fitoterápico depende de fatores como dose, frequência de uso, sensibilidade individual e possíveis interações com medicamentos. No caso da camomila, o chá que se prepara de modo tradicional, com 1 a 2 colheres de flores secas por xícara, oferece uma quantidade moderada de compostos ativos. Assim, essa dose é suficiente para exercer influência discreta sobre o sistema nervoso, sem chegar ao nível de uma forte sedação.

Chá de camomila calmante: qual é o papel da apigenina?


Entre os diversos componentes da camomila, a apigenina é um dos que são objeto de estudo quando o assunto é efeito calmante. A apigenina é um flavonoide, isto é, uma molécula de origem vegetal que atua como antioxidante. Em certas condições, ela interage com receptores do sistema nervoso central. Nos experimentos laboratoriais, ela demonstrou afinidade por receptores ligados ao sistema GABAérgico. Em especial, receptores do tipo GABAA, que também são alvo de alguns ansiolíticos farmacológicos.

O GABA (ácido gama-aminobutírico) é um neurotransmissor considerado o principal inibidor do cérebro. Quando se liga a seus receptores, tende a reduzir a atividade de neurônios, favorecendo estados de calma e diminuição da tensão muscular. Além disso, em doses mais altas, sonolência. A apigenina parece se conectar a regiões específicas desses receptores, modulando a resposta ao GABA de forma mais suave. Em outras palavras, ela não substitui o GABA, mas pode facilitar sua ação, tornando os sinais de relaxamento um pouco mais eficientes.


No chá de camomila, entretanto, a quantidade de apigenina disponível é relativamente baixa quando comparada às doses usadas em estudos com extratos concentrados ou em modelos animais. Isso ajuda a explicar por que o efeito percebido tende a ser moderado: a bebida contribui para um reforço discreto da atividade GABAérgica, sem gerar o grau de supressão neural típico de sedativos de uso controlado.

Quais outros compostos da camomila colaboram para o efeito relaxante?

A camomila não é formada apenas pela apigenina. As flores contêm um conjunto de substâncias que atuam em sinergia, entre elas outros flavonoides (como luteolina e quercetina) e componentes do óleo essencial, como o bisabolol e o camazuleno. Esses elementos apresentam propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, que podem contribuir indiretamente para a sensação de bem-estar, principalmente em indivíduos com desconfortos digestivos leves ou tensão muscular associada ao estresse.

Alguns estudos sugerem que o óleo essencial de camomila também exerce leve ação sobre o sistema nervoso autônomo, ligado às respostas de “luta ou fuga”. Em concentrações adequadas, certos terpenos presentes na planta parecem favorecer uma modulação desse sistema, estimulando um predomínio do ramo parassimpático, associado a estados de descanso e recuperação. No chá, parte desses compostos é liberada na infusão, o que pode colaborar com um efeito calmante global, ainda que discreto.

  • Flavonoides: auxiliam na modulação de receptores neuronais e oferecem proteção antioxidante.
  • Componentes voláteis: participam da regulação do sistema nervoso autônomo e do humor.
  • Atividade digestiva: o alívio de desconfortos gastrointestinais leves pode reduzir a sensação geral de tensão.

Chá de camomila Giro 10

Por que o efeito da camomila é considerado leve e mais relaxante do que sedativo?

O caráter suave do chá de camomila calmante está ligado principalmente à dose de compostos ativos ingerida em uma xícara comum e à forma como essas substâncias atuam nos receptores de GABA. Ao contrário de medicamentos que se ligam de maneira intensa e específica a esses receptores, os constituintes da camomila exercem uma modulação moderada. Isso favorece a sensação de relaxamento e diminuição da ansiedade leve, mas raramente provoca sono profundo ou sedação intensa em indivíduos sem outras condições associadas.

De forma simplificada, a camomila age como um reforço discreto ao sistema natural de freio do cérebro, sem desligar abruptamente a atividade neuronal. Além disso, a absorção dos compostos presentes no chá é gradual, passando pelo trato digestivo e pelo metabolismo hepático, o que limita picos de concentração no sangue. Esses fatores contribuem para que o efeito seja percebido como um relaxamento suave, adequado para rotinas de descanso, leitura noturna ou preparo para dormir, mas não como um recurso de sedação forte.

  1. A infusão libera apigenina e outros flavonoides em baixa a moderada concentração.
  2. Esses compostos modulam de forma leve os receptores ligados ao GABA.
  3. O resultado tende a ser redução de tensão e ansiedade leve, sem grande impacto motor.
  4. O organismo metaboliza rapidamente parte dessas substâncias, limitando a duração da ação.

Dessa forma, a camomila se mantém, em 2026, como uma opção tradicional e amplamente utilizada para apoiar práticas de relaxamento cotidiano. O chá não substitui tratamentos médicos para quadros de ansiedade ou insônia, mas pode integrar rotinas de cuidado, principalmente quando aliado a hábitos como higiene do sono, redução de estímulos intensos à noite e técnicas simples de respiração, sempre com atenção a possíveis alergias ou orientações profissionais específicas.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.