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Por que os mosquitos picam alguns com mais frequência do que outros: cientistas suecos e franceses identificaram 27 substâncias que atraem insetos

Você já esteve em um churrasco ou em um acampamento onde os mosquitos parecem ignorar todo mundo ao redor para atacar...

Giro 10

Giro 10|Do R7

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Você já esteve em um churrasco ou em um acampamento onde os mosquitos parecem ignorar todo mundo ao redor para atacar exclusivamente você? Durante muito tempo, nós culpamos o famoso mito do “sangue doce”, mas a verdade biológica é muito mais complexa e fascinante. Cientistas suecos e franceses acabam de desvendar os bastidores químicos dessa perseguição, revelando que o nosso próprio corpo emite uma “assinatura” invisível e irresistível para esses pequenos insetos.

O que a ciência descobriu sobre a atração dos mosquitos?


Um estudo detalhado, liderado por pesquisadores da Universidade Sueca de Ciências Agrícolas e do Instituto Francês de Estudos do Desenvolvimento, colocou essa velha dúvida sob a lente dos microscópios. Analisando a pele de dezenas de mulheres em condições rigorosamente controladas, eles descobriram que, das quase mil substâncias voláteis que o nosso corpo exala naturalmente, os temidos mosquitos Aedes aegypti reagem a apenas vinte e sete delas.

A grande revelação dessa história química é uma substância específica chamada 1-octen-3-ol, também conhecida no meio científico como “álcool de cogumelos”. Ela é produzida quando o sebo natural da nossa pele se decompõe. Os testes comprovaram que pessoas que secretam níveis ligeiramente mais altos dessa substância — como foi o caso das gestantes no segundo trimestre avaliadas no estudo — tornam-se alvos biológicos preferenciais para os insetos.


Os resultados do estudo, liderado pelo Professor Anders Ignell da Universidade Sueca de Ciências Agrícolas e com a participação de Frédéric Simard, do Instituto Francês de Estudos do Desenvolvimento, confirmaram a presença de marcadores químicos específicos que tornam certas pessoas um alvo mais preferível para os mosquitos Aedes aegypti.

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Como funciona o “radar” do mosquito na prática?

A caçada do mosquito não é aleatória; ela acontece em etapas muito bem calculadas pela evolução. A dezenas de metros de distância, o primeiro grande alarme do inseto é acionado pelo dióxido de carbono (CO₂) que você exala a cada respiração. É como um poderoso sinal de fumaça indicando que há um hospedeiro respirando por perto.


Quando o mosquito se aproxima e cruza a barreira dos dez metros, o seu olfato superpoderoso entra em ação. Nesse exato momento, a combinação daquelas 27 substâncias da sua pele clarifica e amplifica o sinal inicial, guiando o mosquito como um GPS de alta precisão diretamente para o seu braço. É o trabalho em equipe do CO₂ com o odor corporal que sela a picada.

Genética, bactérias e… cerveja? O que mais os pesquisadores encontraram?

A pesquisa revelou que o nosso papel como “ímã de mosquitos” é inconstante e depende de vários fatores curiosos. Cerca de sessenta e sete por cento da nossa atratividade é definida pela nossa genética e pela microbiota da pele — as bactérias naturais que vivem na nossa superfície e produzem moléculas que os insetos sentem de longe.

Além disso, seus hábitos diários importam muito. Praticar atividades físicas intensas aumenta a temperatura do corpo e a produção de suor, criando um banquete sensorial para eles. Beber cerveja também aumenta o volume de CO₂ exalado e altera instantaneamente a composição química da pele. E se você tem o sangue do tipo O (primeiro grupo), saiba que você secreta o antígeno H, uma substância que os mosquitos adoram e detectam com enorme facilidade.

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Por que essa descoberta importa para você?

Decifrar os complexos mecanismos que os mosquitos usam para escolher suas presas não é apenas uma curiosidade acadêmica, mas o primeiro grande passo para revolucionar a nossa saúde pública. Entender essa exata “receita” de atração abre portas vitais para a criação de uma nova geração de repelentes inteligentes, formulados especificamente para bloquear essas moléculas atrativas e nos deixar “invisíveis” aos radares dos insetos.

Até que essa super tecnologia chegue às farmácias, lembre-se de que a sua atratividade muda de acordo com o seu metabolismo e os seus hábitos do dia a dia. Continue acompanhando as incríveis descobertas da biologia e entenda como até mesmo os insetos mais irritantes do verão seguem regras maravilhosas ditadas pela química da natureza.

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