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Saiba o que são nanoplásticos e seu risco para a saúde

Os nanoplásticos passaram a fazer parte do cotidiano sem que a maioria das pessoas percebesse. Saiba o que são eles e os riscos que...

Giro 10

Giro 10|Do R7

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Os nanoplásticos passaram a fazer parte do cotidiano sem que a maioria das pessoas percebesse. Já houve a identificação desses fragmentos extremamente pequenos de plástico em alimentos, na água potável, no ar e até em tecidos humanos. Assim, o tema passou a despertar a atenção de pesquisadores e autoridades de saúde. Entender o que são essas partículas e quais riscos podem representar tornou-se essencial em um cenário de aumento constante da poluição por plástico.

De forma simples, os nanoplásticos são pedaços de plástico em escala nanométrica, tão pequenos que não se pode vê-los a olho nu. Eles se formam, principalmente, pela quebra de materiais plásticos maiores, como embalagens, garrafas, fibras sintéticas e pneus, ao longo do tempo. Por causa do tamanho reduzido, esses fragmentos conseguem se dispersar facilmente no ambiente e interagir com organismos vivos de maneira ainda pouco compreendida.


Fios de cabelo Giro 10

O que são nanoplásticos e como eles se formam?

A palavra-chave principal aqui é nanoplásticos, que se refere a partículas de plástico com dimensões menores que um micrômetro, muitas vezes na faixa de poucos nanômetros. Em escala comparativa, um fio de cabelo humano é milhares de vezes mais grosso do que um nanoplástico típico. Esses resíduos podem ser gerados de duas maneiras principais: de forma direta, quando são fabricados já em tamanho nano para usos específicos na indústria, ou de forma indireta, a partir da degradação de plásticos maiores, conhecidos como microplásticos.


No dia a dia, diversos processos contribuem para a formação de nanoplásticos. Entre eles, estão o atrito de pneus nas ruas, lavagem de roupas de fibras sintéticas, fragmentação de sacolas, copos descartáveis e outros itens. A ação do sol, da chuva e do vento acelera essa quebra. Com o tempo, um plástico descartado incorretamente pode se transformar em uma nuvem de partículas microscópicas, que se espalham pelo solo, pela água e pelo ar. Assim, essa característica faz com que os nanoplásticos sejam difíceis de monitorar e de remover do ambiente.

Nanoplásticos na saúde: quais são os principais riscos?


A grande preocupação em relação aos nanoplásticos na saúde liga-se à capacidade que essas partículas têm de entrar no organismo humano por diferentes vias. Assim, estudos indicam três rotas principais de exposição: ingestão (por meio de alimentos e água contaminados), inalação (pela respiração de ar com partículas em suspensão) e, em menor escala, contato com a pele. Pesquisas mais recentes já identificaram traços de plásticos em sangue, pulmões e placenta, sugerindo que essas partículas conseguem ultrapassar barreiras biológicas importantes.

Entre os riscos que a comunidade científica aponta, alguns pontos se destacam:


  • Inflamação: a presença de partículas estranhas pode estimular respostas inflamatórias em tecidos, especialmente em pulmões e intestino.
  • Estresse oxidativo: nanoplásticos podem favorecer a formação de radicais livres, associados ao dano celular.
  • Transporte de substâncias químicas: essas partículas podem carregar aditivos do próprio plástico, como plastificantes, além de poluentes que aderem à sua superfície.
  • Interferência em processos celulares: devido ao tamanho reduzido, há possibilidade de interação direta com células e organelas.

Até o momento, muitos dados ainda vêm de estudos em laboratório e em modelos animais. A ciência segue investigando como esses efeitos se traduzem em impactos concretos na saúde humana ao longo de décadas de exposição contínua.

Como os nanoplásticos entram na alimentação e na água?

Os nanoplásticos no ambiente acabam se espalhando por diferentes cadeias alimentares. Por exemplo, no mar pequenas partículas são ingeridas por organismos microscópicos, que os peixes e outros animais maiores consomem. Esse processo, que tem o nome de bioacumulação, faz com que fragmentos de plástico possam chegar a pratos de frutos do mar e peixes consumidos regularmente. Em ambientes terrestres, estudos em solos agrícolas apontam que fertilizantes, lodos de estação de tratamento e água de irrigação podem conter esses resíduos.

A água potável também é uma rota importante. Pesquisas recentes identificaram micro e nanoplásticos tanto em água engarrafada quanto em sistemas de abastecimento público. Embora muitas estações de tratamento consigam reter parte das partículas maiores, as menores podem escapar. Além disso, o desgaste de tubulações, filtros e recipientes plásticos contribui para a liberação de fragmentos em pequena escala.

  • Alimentos de origem marinha (peixes, moluscos e crustáceos)
  • Água em garrafas plásticas e, em menor grau, da torneira
  • Bebidas e alimentos processados em contato prolongado com plásticos
  • Sal de cozinha e outros produtos obtidos por evaporação de água do mar

Peixe no mar Giro 10

É possível reduzir a exposição aos nanoplásticos?

Diante da presença de nanoplásticos no dia a dia, diferentes estratégias são alvo de discussão por parte de órgãos reguladores, pesquisadores e setores produtivos. Em nível individual, algumas medidas simples podem contribuir para diminuir o contato com essas partículas, ainda que não o eliminem totalmente. Por isso, uma abordagem combinando mudanças de hábitos, melhorias tecnológicas e políticas públicas é vista como o caminho mais realista.

  1. Reduzir o uso de plásticos descartáveis: priorizar embalagens reutilizáveis, recipientes de vidro ou metal e sacolas permanentes.
  2. Cuidar da água consumida: utilizar filtros adequados, trocando-os regularmente, e evitar exposição prolongada de água a recipientes plásticos.
  3. Escolher produtos têxteis com atenção: dar preferência, quando possível, a tecidos com menor liberação de fibras sintéticas e lavar roupas em ciclos mais curtos.
  4. Descartar corretamente resíduos plásticos: seguir orientações de reciclagem e evitar queimadas ou descarte em áreas verdes e corpos d’água.

Enquanto a ciência avança para entender de forma mais completa os efeitos dos nanoplásticos na saúde humana, cresce o interesse por tecnologias de filtragem mais eficientes, materiais alternativos e regulamentações que limitem a liberação de partículas. Em paralelo, ações cotidianas e escolhas de consumo podem colaborar para reduzir a pressão sobre o ambiente e, consequentemente, a quantidade de fragmentos plásticos circulando em alimentos, água e ar.

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