Logo R7.com
RecordPlus

15 anos de guerra na Síria: quem luta contra quem e por que o conflito não acaba

Território fragmentado e interferência estrangeira ajudam a explicar por que o país ainda luta para encontrar estabilidade

Internacional|Do R7

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A guerra civil na Síria começou em 2011 com protestos contra o governo de Bashar al-Assad.
  • Inicialmente uma disputa entre governo e oposição, o conflito evoluiu para uma complexa guerra com múltiplos atores e intervenções estrangeiras.
  • O governo de Assad recebeu apoio da Rússia e Irã, enquanto grupos rebeldes foram respaldados por Turquia e Estados Unidos.
  • Após anos de conflito, a Síria permanece fragmentada e instável, com desafios humanitários e econômicos significativos para a reconstrução do país.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Entenda os lados da guerra na Síria e por que o conflito segue até os dias atuais Reprodução/R7 Estúdio

Quinze anos depois do início da guerra civil, a Síria ainda tenta superar um dos conflitos mais complexos do século 21, que mergulhou o país num cenário de destruição, deslocamentos em massa e uma complexa disputa pelo poder.

O que começou em 2011 como uma onda de protestos contra o governo de Bashar al-Assad rapidamente se transformou em uma guerra prolongada, marcada pela presença de milícias rivais, intervenção de potências estrangeiras e disputas geopolíticas que ultrapassaram as fronteiras do país.


Tudo começou com uma série de manifestações inspiradas por levantes em outros países do Oriente Médio, a chamada “Primavera Árabae”.

Na época, manifestantes foram às ruas pedindo reformas políticas e o fim de décadas de autoritarismo.


A repressão do regime transformou rapidamente os protestos em uma insurgência armada que se espalhou por diferentes regiões do país.

Leia mais

Com o passar dos anos, o conflito só aumentou. O que era inicialmente uma disputa entre poder e oposição, passou a envolver diversos outros atores, cada um com seus próprios interesses, além de forte influência estrangeira.


Todos esses fatores transformaram a Síria em um dos principais e mais complexos tabuleiros geopolíticos do Oriente Médio.

Os lados da guerra

No início do conflito, a disputa se dava entre o governo de Bashar al-Assad e uma coalizão de grupos rebeldes formada por militares dissidentes e milícias civis — que buscavam derrubar o regime e estabelecer um novo sistema político no país.


Com o tempo, no entanto, o cenário se tornou mais complexo.

O governo sírio passou a contar com apoio decisivo da Rússia, do Irã e do grupo libanês Hezbollah, que forneceram suporte militar e estratégico para manter Assad no poder durante boa parte da guerra.

O apoio externo foi determinante para que o regime recuperasse inúmeras áreas perdidas durante os primeiros anos do conflito.

Ao mesmo tempo, diferentes facções rebeldes receberam apoio de países como Turquia e Estados Unidos.

A dinâmica transformou a guerra síria em uma típica “proxy war”, ou guerra por procuração, em português, no qual potências regionais e globais disputam influência indireta dentro do território sírio.

Outro ator central que surgiu durante a guerra foram as Forças Democráticas Sírias (SDF), coalizão dominada por milícias curdas que passou a controlar áreas importantes no nordeste do país.

Essas forças receberam apoio militar dos Estados Unidos principalmente na luta contra o grupo extremista Estado Islâmico (ISIS), que chegou a dominar grandes territórios da Síria e do Iraque na metade da década passada e proclamou um “califado” na região em 2014.

Até a queda de Bashar al-Assad, no fim de 2024, a Síria estava fragmentada em diferentes zonas de controle.

O regime mantinha domínio sobre as principais cidades do país, como Damasco, capital do país, além de Alepo, Homs e Latakia.

Já as Forças Democráticas Sírias controlavam grande parte do nordeste, enquanto grupos rebeldes apoiados pela Turquia mantinham presença no norte, próximo à fronteira turca.

A província de Idlib, por sua vez, permaneceu durante anos como um dos principais redutos da oposição armada, enquanto células do Estado Islâmico continuavam ativas em regiões desérticas do centro e do leste do país.

Por que o conflito não acaba?

Após a tomada de Damasco e a queda de Assad, o governo de transição assumiu o controle das principais instituições do Estado, mas o território sírio ainda permanece marcado por zonas de influência distintas.

Segundo o jornal francês Le Monde, negociações em andamento buscam integrar milícias rebeldes e forças curdas às estruturas do novo Estado, enquanto áreas no norte seguem sob influência de grupos apoiados pela Turquia e células do Estado Islâmico ainda atuam em regiões desérticas do país.

Mesmo após anos de confrontos e mudanças políticas significativas, o fim definitivo da guerra continua distante. O governo de transição, liderado por forças rebeldes, enfrenta dificuldades para consolidar autoridade nacional e integrar as diversas milícias que participaram da guerra.

Outro fator que prolonga a instabilidade é a presença de potências estrangeiras no território sírio. Turquia, Estados Unidos e outros atores regionais continuam exercendo influência militar ou política em diferentes áreas do país, muitas vezes com interesses estratégicos que vão além da própria guerra civil.

Além disso, as consequências humanitárias e econômicas da guerra dificultam qualquer processo de pacificação duradoura. Cidades destruídas, infraestrutura colapsada e milhões de deslocados internos ou refugiados tornam a reconstrução do país um desafio de longo prazo.

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.