Análise: continuidade da violência em Gaza mostra fragilidade do sistema internacional na garantia da paz
Vice-líder da Autoridade Palestina se reúne com ex-premiê britânico para discutir desdobramentos após resolução do Conselho de Segurança
Internacional|Do R7
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O ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, que participou do plano de paz de Donald Trump para o Oriente Médio, se reuniu neste domingo (23) com o vice-líder da Autoridade Palestina, Hussein al-Sheikh. Segundo comunicado, os dois discutiram os desdobramentos depois da resolução do Conselho de Segurança da ONU. Entre outros pontos, o plano norte-americano exige uma reforma da AP.
Israel e Hamas se acusam mutuamente de violações graves do cessar-fogo na Faixa de Gaza. Enquanto representantes do grupo terrorista afirmam que o caminho para a segunda parte do acordo é complexo, Israel pede que as forças internacionais forcem o Hamas ao desarmamento.

Se a princípio o acordo de paz teria dado uma grande esperança sobre os próximos passos do conflito, a doutoranda em ciência política Giovana Branco pontua que o que se observa na prática é “um cessar-fogo sem grandes comprometimentos de ambos os lados”.
Em entrevista ao Conexão Record News, ela avalia que a situação coloca em pauta a maneira como o sistema internacional pode estabelecer compromissos que sejam críveis para encerrar conflitos. “Isso nos coloca uma nova dificuldade de entender que não basta a gente ter um acordo, um cessar-fogo, já que ambas as partes continuam de alguma forma mantendo ali alguma retaliação, mantendo o uso da violência”.
“Nesses últimos dias, a gente já tem visto mais de centenas de palestinos mortos e também soldados israelenses que sofreram algum tipo de ataque”, continua Branco, que compara o impasse a outra situação de conflito que é alvo de discussões internacionais — a guerra entre Rússia e Ucrânia.
“No caso russo, o Putin tem batido muito nessa tecla sobre a necessidade de um compromisso de longo prazo e não apenas de um cessar-fogo. E, no fundo, é exatamente o que aconteceu em Gaza. A gente tem um cessar-fogo agora, mas, na prática, a violência ali continua”.
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