Análise: se diálogo com os EUA falhar, países do Oriente Médio devem sair em defesa do Irã
Governo iraniano nega enriquecimento nuclear com fins militares, mas movimentações indicam preparação para conflito iminente
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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O governo iraniano ainda tenta manter o diálogo na mesa, em meio à pressão dos Estados Unidos em negociar um acordo sobre o programa nuclear do país, segundo a pesquisadora Giovana Branco. Em entrevista ao Conexão Record News, a doutoranda em ciência política avalia que o Irã “reconhece sua fragilidade e tenta apaziguar a situação, evitando um conflito armado”.
Nesta quinta-feira (19), o diretor da Agência de Energia Atômica do Irã disse que nenhum país pode privar a República Islâmica do direito de enriquecer combustível nuclear. Segundo a autoridade, essa é a base da indústria e, independentemente do que se deseja fazer no processo nuclear, é preciso combustível.

Branco diz que “isso, de fato, tem sido uma fala do governo já há muito tempo”, e destaca que o objetivo iraniano de enriquecimento para fins militares ainda precisa ser comprovado. Teerã afirma que o programa tem fins pacíficos, mas o governo dos Estados Unidos teme que o país tente desenvolver uma arma nuclear.
“É muito difícil a gente analisar os programas dos países justamente porque a linha entre um programa pacífico e um programa militar nem sempre é muito clara”, complementa a pesquisadora.
Ao mesmo tempo, imagens de satélite revelam que o regime iraniano reforçou a segurança em bases militares e nucleares, o que inclui duas instalações nucleares atacadas por Israel e pelos Estados Unidos em 2025. Apesar das tentativas de diálogo, o movimento é interpretado como indicativo de que o Irã se prepara para um conflito iminente.
Sobre as reações de que um possível ataque americano ao Irã poderia desencadear no Oriente Médio, a especialista diz que é possível esperar uma defesa ampla do governo iraniano, já que qualquer tipo de intervenção de uma grande potência poderia causar desequilíbrios estruturais na região.
“Apesar de os países do Oriente Médio nem sempre serem aliados do Irã, por questões inúmeras, a gente ainda tem uma percepção geral de que uma intervenção militar dos Estados Unidos, em qualquer região do mundo, é uma questão bastante delicada”, afirma a especialista, ao pontuar que, ao menos no campo discursivo, a região em peso deve apoiar o Irã.
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