Internacional Anistia Internacional pede que Biden desative Guantánamo

Anistia Internacional pede que Biden desative Guantánamo

ONG lembrou discurso de quando Biden era vice-presidente de Obama e prometeu defender os direitos dos presos no local

  • Internacional | Da EFE

AI pede que Biden feche prisão em Guantánamo

AI pede que Biden feche prisão em Guantánamo

Reuters

A Anistia Internacional (AI) pediu que presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, feche o Campo de Detenção da Baía de Guantánamo, que fica em uma base militar americana em Cuba.

A ONG divulgou nesta quarta-feira (14) um relatório no qual lembrou que em um discurso durante a Cúpula de Segurança de Munique de 2009, quando era o vice-presidente no governo de Barack Obama, Biden disse que defenderia os direitos daqueles que fossem levados à Justiça e prometeu fechar a prisão de Guantánamo.

"Depois de 12 anos, ao se preparar para assumir o controle da Casa Branca como presidente, Biden tem a oportunidade de tornar essas palavras realidade. Ele não deve deixar essa oportunidade escapar", destacou a AI em seu relatório.

A instituição também apresentou um catálogo de violações dos direitos humanos cometidas contra os detentos de Guantánamo, alegando que "as vítimas de tortura não recebem cuidados médicos adequados e ficam detidas indefinidamente e sem passar por julgamentos justos".

A ONG reiterou a necessidade de um comprometimento com a verdade e prestação de contas e de reparações e defendeu a importância de que se reconheça que as atividades deste centro de detenção devem ser encerradas e de forma prioritária.

O ex-presidente Barack Obama (2009-2017) fez do fechamento da base uma das suas prioridades no governo e, embora não tenha cumprido o objetivo, conseguiu esvaziar parte da prisão, transferindo 196 detentos para outros países, deixando apenas 41.

Durante a campanha para as eleições presidenciais de 2016, o então candidato Donald Trump se mostrou contrário às transferências de presos e prometeu manter e expandir o centro de detenção.

Sem prestação de contas

A prisão de Guantánamo chegou a ter 800 detentos pouco depois de que foi inaugurada, a mando do então presidente George W. Bush (2001-2009), pouco depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.

Em 2011, a organização internacional Wikileaks começou a divulgar documentos sobre Guantánamo, incluindo dossiês, entrevistas e memórias classificadas pelo governo dos EUA, o que mostrou que a prioridade do centro prisional era obter informações, independentemente do estado mental dos detentos.

Atualmente há 40 pessoas presas em Guantánamo, e o governo americano ainda não prestou contas pelos crimes contra os direitos humanos cometidos durante os 19 anos de funcionamento do complexo.

"O governo, e não os detentos, deve aceitar os custos destas decisões ilegais. Agora, é preciso utilizar todas as medidas necessárias a nível Executivo, e em outros âmbitos, para corrigir os erros pelos quais o governo é responsável", concluiu a AI.

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