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Após ameaças do governo turco, protestos sindicais ocorrem sob certa calma

Internacional|Do R7

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Istambul, 17 jun (EFE).- As manifestações encabeçadas por dois dos principais sindicatos e vários coletivos profissionais da Turquia foram realizadas nesta segunda-feira com certa calma e muitas palavras de ordem contra o governo, que previamente chegou a advertir que castigaria quem participasse da greve. Em Istambul, os simpatizantes do sindicato de funcionários (KESK) e da Confederação de Sindicatos Operários Revolucionários (DISK) se reuniram a partir das 10h (de Brasília) na central rua Istiklal, onde a presença policial era consideravelmente grande. As manifestações, que também haviam sido convocadas pelas associações de médicos, dentistas, engenheiros e arquitetos, ganharam o reforço de outros coletivos, desde farmacêuticos a transportadoras. Emanando um único grito, os manifestantes exigiram a renúncia do primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, e cantaram o lema desta revolta cidadã que dura já três semanas: "Taksim em todas partes. Em todas partes resistência". No entanto, os manifestantes respeitaram o cordão policial, formado com blindados e agentes antidistúrbios. Neste caso, a contenção do protesto tinha o objetivo de impedir que as pessoas seguissem em direção à Praça Taksim, símbolo dos protestos. "Os sindicatos nos pediram para reagir com calma. Mas, o povo seguirá na rua e continuará lutando. Seguramente, haverá outros confrontos e ofensivas policiais", explicou à Agência Efe Erdal Güzel, técnico de radiologia em um hospital público e membro do KESK. Embora a onda de protestos tenha uma origem ecologista com a defesa do parque Gezi de Istambul, o movimento cidadão de agora se volta contra uma suposta tentativa de Erdogan de impor à força uma agenda islâmica e por adotar posturas autoritárias. Após lançar suas proclamações e ler um comunicado, os porta-vozes sindicais deram hoje por concluída a concentração de Istambul e, o melhor, sem o registro de incidentes. No entanto, algumas horas após o encerramento dos protestos sindicais, leves confrontos entre agentes antidistúrbios e grupos de manifestantes foram registradas em algumas regiões da capital, já que o povo seguia na ruas protestando contra o governo. Em Ancara, a concentração começou por volta das 12h locais, quando os manifestantes iniciaram uma passeata, que, posteriormente, acabou sendo bloqueada pela polícia com blindados e uso de jatos de água e barricadas. No entanto, o protesto terminou sem o registro de grandes incidentes. Em Esmirna, no litoral egea, milhares de pessoas também foram às ruas, mas, assim como nas demais cidades, incidentes como os vistos nos últimos dias não ocorreram. Apesar da situação estar sob controle, a calma vista ao longo do dia de hoje pode ser rompida a qualquer momento, já que, em Ancara, há novos protestos convocados para esta noite. De acordo com alguns manifestantes consultados pela Agência Efe, é possível que alguns grupos tentem chegar à Praça Taksim. Antes do início da greve anunciada, o governo tinha advertido hoje que essa falta laboral era ilegal e que aplicaria punições aos funcionários envolvidos. O vice-primeiro-ministro, Bülent Arinç, chegou a lembrar que os governadores provinciais têm autoridade para requerer a intervenção do Exército se as forças policiais não se mostrarem suficientes para conter os protestos ilegais. Enquanto o governo turco desdobrou a milhares de soldados, muitos deles jovens e com apenas um ano de formação, para sufocar os protestos, os sindicatos policiais denunciaram que os agentes estão trabalhando em condições muito duras e sem receber alojamento e manutenção apropriada. "Estou trabalhando a 20 dias sem intervalo, sem poder ir para casa. Como não há camas para todos, dormimos no chão. Em alguns dias, cheguei a trabalhar 24 horas seguidas, sem pausa, enquanto descansamos somente quando podemos", explicou à Agência Efe um dos agentes que acompanhava a manifestação sindical em Istambul. EFE as-iut-dt/ (vídeo) (foto)

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