Após renúncia, Egito julgará ElBaradei por "traição de confiança"
Internacional|Do R7
Por Lin Noueihed
CAIRO, 20 Ago (Reuters) - Mohamed ElBaradei, que renunciou na semana passada ao cargo de vice-presidente do Egito por discordar da repressão aos manifestantes da Irmandade Muçulmana, será julgado por "traição de confiança", disseram fontes judiciais nesta terça-feira.
O caso indica a perspectiva de uma nova onda de ações judiciais com motivação política depois da deposição do presidente Mohamed Mursi pelos militares, em 3 de julho.
Antes disso, durante o período de um ano em que Mursi e sua Irmandade Muçulmana passaram no poder, foram os partidários da Irmandade que moveram processos contra seus rivais.
Ativistas antigoverno dizem que esses processos, muitos deles acusando pessoas de "insultar o presidente", são uma forma de intimidação política.
O caso de ElBaradei, movido por um professor de Direito, será levado a audiência em 19 de setembro, segundo fontes judiciais.
ElBaradei, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2005 por seu trabalho à frente da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), era a mais importante personalidade liberal a ter apoiado a intervenção militar que derrubou Mursi.
Ele havia sido nomeado vice-presidente do governo provisório, mas renunciou na última quarta-feira em protesto contra a violenta repressão daquele dia aos acampamentos da Irmandade Muçulmana no Cairo, o que resultou em centenas de mortes.
O jurista Sayyed Ateeq, professor da Universidade Helwan e autor da ação contra ElBaradei, disse à Reuters que ele, como representante do grupo político laico Frente de Salvação Nacional, deveria ter submetido seu pedido de renúncia a seus correligionários, em vez de agir unilateralmente.
Ateeq disse que ElBaradei pode ser condenado a até três anos de prisão, mas uma fonte judicial disse que a pena máxima num caso desses seria uma multa e uma pena de prisão com direito a sursis.
ElBaradei viajou nesta semana à Europa e, provavelmente, não comparecerá a nenhuma audiência judicial no processo.
(Reportagem adicional de Tom Perry)









