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Aquecimento global está reduzindo a produtividade dos trabalhadores dos Estados Unidos, diz pesquisa

Em 2021, mais de 2,5 bilhões de horas de trabalho foram perdidas por causa das altas temperaturas

Internacional|Coral Davenport, do The New York Times

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Evan Avant monta a estrutura de ferro para um outdoor em Oklahoma City
Evan Avant monta a estrutura de ferro para um outdoor em Oklahoma City Breet Deering

Enquanto grande parte dos Estados Unidos sufoca sob um calor recorde, os motoristas e funcionários dos armazéns da Amazon entraram em greve, em parte para protestar contra as condições de trabalho, pois a temperatura no local pode exceder os 38ºC.

Em dias especialmente quentes em Orlando, na Flórida, as equipes de serviços públicos têm adiado as vistorias de vazamentos de gás, já que podem correr risco de morte ao escavar ao ar livre com equipamento de segurança pesado. Mesmo no Michigan, na fronteira norte do país, os grupos de construção têm encurtado o expediente por causa do calor.


Agora que as mudanças climáticas elevaram as temperaturas da Terra aos níveis mais altos registrados na história e que as projeções mostram que elas ainda vão subir, novas pesquisas mostram que o impacto do calor sobre os trabalhadores está se espalhando por toda a economia e diminuindo a produtividade.

O calor extremo está afetando regularmente os trabalhadores de setores além dos esperados, como agricultura e construção. As temperaturas escaldantes estão causando problemas para quem trabalha em fábricas, armazéns e restaurantes, bem como para funcionários de companhias aéreas e empresas de telecomunicações, serviços de entrega e fornecedores de energia. Até mesmo os auxiliares de saúde domiciliar estão enfrentando dificuldades.


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"Sabemos há muito tempo que, por causa da grande sensibilidade à temperatura, o desempenho humano diminui drasticamente com a exposição ao calor, mas o que não sabíamos, até muito recentemente, era se e como essas respostas laboratoriais extrapolavam significativamente na economia do mundo real. E o que estamos aprendendo é que as temperaturas mais quentes parecem danificar as engrenagens da economia de muitas maneiras além das esperadas", explicou R. Jisung Park, economista ambiental e trabalhista da Universidade da Pensilvânia.

Um estudo publicado em junho sobre os efeitos da temperatura na produtividade concluiu que, embora o calor extremo prejudique a agricultura, o impacto é maior nos setores industriais e em outros da economia, em parte porque eles são mais intensivos em mão de obra. Foi constatado que o calor aumenta o absenteísmo e reduz as horas de trabalho e que, à medida que o planeta continua a esquentar, essas perdas aumentam.


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O custo é alto. Em 2021, mais de 2,5 bilhões de horas de trabalho foram perdidas nos setores de agricultura, construção, manufatura e serviços dos EUA em decorrência da exposição ao calor, de acordo com dados compilados pela revista The Lancet. Outro relatório descobriu que, em 2020, a perda de mão de obra como resultado da exposição ao calor custou à economia cerca de US$ 100 bilhões, valor previsto para alcançar US$ 500 bilhões anualmente até 2050.

Outra pesquisa verificou que, à medida que o termômetro atinge 32ºC, a produtividade cai cerca de 25%, e, quando ultrapassa os 38ºC, a queda é de 70%.

Dos muitos custos econômicos das alterações climáticas — plantações moribundas, aumento das taxas de seguro, propriedades inundadas —, a perda de produtividade causada pelo calor está emergindo como uma das maiores, segundo especialistas.

"Sabemos que os impactos das mudanças climáticas estão custando caro à economia. As perdas associadas ao calor no ambiente de trabalho, mais os atrasos e os erros que as pessoas cometem como resultado, são uma grande parte do problema", disse Kathy Baughman McLeod, diretora do Centro de Resiliência da Fundação Adrienne Arsht-Rockefeller e ex-executiva global de risco ambiental e social do Bank of America.

Gastando para esfriar

Em Tulsa, Oklahoma, a Navistar está instalando um sistema de ar-condicionado de US$ 9 milhões em sua fábrica IC Bus, que produz muitos dos ônibus escolares dos Estados Unidos. As temperaturas no solo podem chegar aos 37ºC. Atualmente, a fábrica é resfriada apenas por ventiladores de teto que giram muito acima da linha de montagem.

Segundo Shane Anderson, gerente interino da empresa, o ar-condicionado deve custar cerca de US$ 183 por hora, ou entre US$ 275 mil e US$ 500 mil por ano — mas a empresa acredita que isso aumentará a produtividade dos trabalhadores.

Outros empregadores também estão se adaptando. Brad Maurer, vice-presidente da Leidal and Hart, que constrói estádios, hospitais e fábricas no Michigan, em Ohio, em Indiana, no Kentucky e no Tennessee, disse que os gerentes agora fornecem páletes de água engarrafada, o que não era costume, a um custo para a empresa de alguns milhares de dólares por mês.

Especialistas em trabalho ressaltam que os empregadores terão de pagar de uma forma ou de outra, à medida que se adaptam à nova realidade da mudança do clima. "A verdade é que as mudanças necessárias provavelmente vão ser muito caras e repassadas a empregadores e consumidores. Mas, se não quisermos que esses trabalhadores morram, vamos ter de arcar com esses custos", afirmou David Michaels, que atuou como secretário adjunto do trabalho na Osha durante o governo Obama e agora é professor da Escola de Saúde Pública George Washington.

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