Arquipélago do Pacífico processa nove potências mundiais por testes nucleares
O país usa as consequências dos bombardeios sofridos como justificativa para o processo
Internacional|Do R7

As Ilhas Marshall — pequeno arquipélago localizado no oceano Pacífico — estão processando nove países que possuem armas nucleares no Tribunal Internacional de Justiça em Haia, argumentando que eles violaram a sua obrigação legal de se desarmar.
Na ação legal sem precedentes, incluindo nove casos separados perante o Tribunal Internacional de Justiça nesta quinta-feira (24), a república das Ilhas Marshall acusa os Estados com armas nucleares de flagrante negação de justiça humana.
O país argumenta que sua ação é justificada por causa do dano que sofreu, como resultado da corrida armamentista nuclear.
A cadeia de ilhas do Pacífico, incluindo o Atol de Bikini e Enewetak, foi palco de 67 testes nucleares entre 1946 e 1958, incluindo o chamado Tiro Bravo, um dispositivo que equivale a mil explosões de Hiroshima, detonada em 1954. O país diz ter sofrido graves efeitos na saúde da população e impactos ambientais desde então.
A ilha processa os cinco países armados reconhecidos pelo TNP (Tratado de Não-Proliferação) em 1968. Estados Unidos, Rússia (que herdou o arsenal soviético), China, França e Reino Unido participam, e mais três países fora do TNP que declararam arsenais nucleares, a Índia, Paquistão e Coreia do Norte, e o não declarado, Israel.
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O TNP, que entrou em vigor em 1970, é um pacto entre os Estados não possuidores de armas, que se comprometeram a não adquirir armas nucleares, e os Estados detentores de armas, que se comprometeram a se desarmar.
As Ilhas Marshall observam que ainda existem mais de 17 mil ogivas, sendo que 16 mil são propriedade da Rússia e dos EUA. Segundo o jornal The Guardian, o arsenal seria suficiente para destruir toda a vida no planeta.
O caso Ilhas Marshall chama a atenção para o fato de que os estados de armas estão atualmente no processo de modernização das suas armas nucleares, o que ele retrata como uma clara violação do TNP.











