Internacional Austrália se oporá a decisão da Unesco sobre Barreira de Corais

Austrália se oporá a decisão da Unesco sobre Barreira de Corais

Organização quer incluir formação em lista de patrimônios em perigo devido à deterioração causada pela mudança climática

AFP

SARAH LAI/AFP

A Austrália se oporá a um plano da Unesco de incluir a Grande Barreira de Corais na lista de patrimônio mundial em perigo devido à deterioração causada pela mudança climática, anunciou o governo nesta terça-feira (22).

A Unesco publicou na segunda-feira um relatório preliminar no qual recomenda que o status da Grande Barreira de Corais, incluída no patrimônio mundial desde 1981, seja degradado devido à sua deterioração, em grande parte em função dos episódios de branqueamento dos corais, consequência de distúrbios climáticos.

"É uma advertência à comunidade internacional e à humanidade de que o ecossistema do coral está em perigo", disse à imprensa Fanny Douvere, responsável do programa marinho do Patrimônio Mundial da Unesco.

Segundo as organizações ecologistas, a recomendação mostra uma falta de vontade do governo para reduzir as emissões de carbono.

A um mês da próxima sessão do comitê do patrimônio mundial da Unesco, prevista para julho na China, o governo australiano alertou que vai impugnar este projeto e expressou uma "forte decepção" com esse organismo.

"Concordo que a mudança climática global é a maior ameaça aos recifes do mundo, mas é errado, em nossa opinião, designar o recife mais bem administrado do mundo para uma lista (de locais) 'em perigo'", declarou a ministra australiana do Meio Ambiente Susan Ley.

A ministra disse que a decisão da Unesco não leva em consideração os bilhões de dólares gastos na proteção da Grande Barreira de Corais, localizada no nordeste da Austrália.

"Envia um sinal equivocado aos países que não fazem os investimentos que estamos fazendo na proteção dos recifes de coral", declarou Susan Ley.

Além da Grande Barreira, a Unesco propôs incluir outros seis lugares no status "em perigo", entre eles a cidade italiana de Veneza, afetada pelo turismo em massa.

Também propôs retirar da lista de patrimônio mundial o passeio marítimo da cidade inglesa de Liverpool, ameaçado por vários projetos de desenvolvimento, e a Reserva Natural de Selous na Tanzânia, ameaçada por caçadores furtivos.

Desaparecimento de metade dos corais

Além do seu valor inestimável do ponto de vista natural e científico, é considerado o recife que gera 4,8 bilhões de dólares em renda para o setor turístico australiano.

O relatório preliminar, no entanto, destaca os esforços da Austrália para melhorar a qualidade dos recifes, sobretudo do ponto de vista financeiro.

Mas lamenta "que as perspectivas a longo prazo para o ecossistema (da Barreira) tenham deteriorado ainda mais, passando de medíocres a muito medíocres". 

Desde 1995, metade dos corais da Grande Barreira desapareceu pelo aumento da temperatura da água. Além disso, nos últimos cinco anos houve três episódios de branqueamento, um fenômeno também causado pelo aquecimento da água, que enfraquece os corais e produz sua descoloração.

"O governo australiano não pode salvar a Grande Barreira sozinho", disse Fanny Douvere, que pediu uma melhoria da qualidade da água para aumentar a resistência do coral à mudança climática.

Para Igmogen Zethoven, consultora da Sociedade Australiana de Conservação Marinha, este relatório preliminar revela a importância de limitar o aquecimento global para +1,5º C para preservar esta joia.

Ela estima que os dados climáticos registrados na Austrália correspondem mais a um aumento da temperatura de 2,5º C a 3º C, um nível que levaria "inevitavelmente à destruição do Grande Recife e de todos os recifes coralinos do mundo".

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