Internacional Beirute tem noite de protestos contra governo por explosões

Beirute tem noite de protestos contra governo por explosões

População cobra explicações sobre tragédia, especialmente sobre o armazenamento de milhares de toneladas de material explosivo no porto

  • Internacional | Da Ansa Brasil

Madrugada foi de protestos em Beirute: indignação com explosão no porto

Madrugada foi de protestos em Beirute: indignação com explosão no porto

Mohamed Azakir / Reuters - 7.8.2020

A noite da quinta-feira (6) foi marcada por uma série de protestos de moradores de Beirute contra o governo da cidade e do Líbano por conta das explosões registradas na área portuária da cidade no dia 4 de agosto.

No meio da escuridão — a capital libanesa sofre com constantes quedas no fornecimento de energia —, dezenas de pessoas se manifestaram pedindo explicações sobre o incidente e culpando as autoridades por permitirem o armazenamento das mais de 2.700 toneladas de nitrato de amônio sem medidas de segurança.

Em alguns momentos, militares repreenderam os manifestantes com bombas de gás para dispersar o protesto e algumas pessoas ficaram feridas. Em imagens nas redes sociais, é possível ver pequenos focos de fogo em meio às ruas destruídas.

Apesar das investigações estarem em andamento, não há dúvidas de que a manutenção de uma quantidade enorme do produto químico em uma área sem proteção foi o que deu a dimensão da tragédia.

O produto estava armazenado no porto há seis anos após uma apreensão dos agentes alfandegários e, segundo documentos divulgados pela Al Jazeera, houve o envio de ao menos cinco cartas à Justiça questionando o que fazer com o material.

O nitrato de amônio é muito utilizado na produção de fertilizantes agrícolas, mas também pode ser usado na fabricação de bombas caseiras. Há investigações em curso sobre a questão também.

O governo já determinou a prisão domiciliar de diversos funcionários e autoridades que atuavam no porto de Beirute como forma de dar alguma resposta à população. Em nota oficial da Procuradoria Militar do Líbano, os detidos são 16 pessoas entre dirigentes do conselho de administração, agentes alfandegários e operários que atuavam na manutenção e armazenamento do local.

Outras duas pessoas foram ouvidas, mas não tiveram sua prisão determinada. Entre os detidos, de acordo com a emissora norte-americana ABC, estaria o diretor do porto, Hassan Koraytem.

EM FOTOS: Moradores de Beirute passam o dia vasculhando escombros

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