Internacional Bin Salman teria mobilizado tropas para evitar golpe na Arábia Saudita

Bin Salman teria mobilizado tropas para evitar golpe na Arábia Saudita

Em entrevista, príncipe exilado na Alemanha defende saída pacífica do atual mandatário saudita, que está em Buenos Aires para a cúpula do G20

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Bin Salman está na Argentina para cúpula do G20

Bin Salman está na Argentina para cúpula do G20

Sergio Moraes/Reuters/30-11-18

No momento em que o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Muhamad Bin Salman, chegou a Buenos Aires para a cúpula do G20, nesta sexta-feira (30) e no sábado (1), uma mobilização em seu país teria se iniciado para impedi-lo de ser o primeiro nome na sucessão do atual rei, Salman bin Abdulaziz Al Saud (pai de Bin Salman), de 82 anos.

A possibilidade foi levantada pelo príncipe príncipe Khaled bin Farhan Al Saud, que vive na Alemanha, em entrevista ao portal de noticias árabes online Al-khaleej. Ele ressaltou a importância de haver uma mudança pacífica.

"Espero que haja um golpe suave, que chegue às profundezas do governo e assuma o controle de importantes instituições de segurança, e então tire o príncipe herdeiro e o rei."

Por governar de fato o país neste momento, Bin Salman teria ordenado a movimentação de tropas militares para Riad, no sentido de se proteger deste suposto golpe, segundo informou o Daily Mail.

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Desde a fundação da Arábia Saudita, em 1932, a família Saud domina o país. O primeiro a assumir o posto foi Abd al-Aziz Al Saud, que permaneceu até a morte dele em 1953. Depois, somente seus filhos assumiram o trono: Saud (1953 a 1964); Faisal (1964 a 1975); Khalid (1975 a 1982); Fahd (1982 a 2005); Abdullah (2005 a 2015) e Salman (2015 até hoje).

Caso assuma após a morte do pai, Bin Salman, neste caso, seria o primeiro rei escolhido para o trono que não é filho do fundador da dinastia.

Neste momento, a Casa de Saud é composta de centenas de príncipes, primos próximos ou distantes de Bin Salman, com possibilidade de se tornar rei dentro da linha sucessória, que não seja necessariamente o filho mais velho do atual mandatário.

Há informações também de que o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, no consulado saudita em Istambul, em 2 de outubro último, teria Bin Salman como mentor.

E tal situação fortaleceu a ala que se opõe ao atual príncipe herdeiro. Na mesma época da morte de Khashoggi, Bin Farhan acusou o governo de seu país de tentar sequestrá-lo.

Assim que assumiu, Bin Salman, tentou passar ao mundo uma imagem positiva, implementando políticas e leis que apontavam para uma abertura do regime, de cunho radical wahabita.

Uma das iniciativas foi a permissão para mulheres dirigirem veículos. Outra foi uma onda de prisões baseadas em um discurso de combate à corrupção. Mas organizações internacionais, como a Anistia Internacional, denunciou que as prisões foram políticas, com muitos ativistas sofrendo maus tratos e torturas.

Entre os pelo menos 11 príncipes, quatro ministros e dezenas de ex-ministros presos em novembro de 2017 estavam primos de Bin Salman: o almirante Abdullah Bin Sultan (comandante das Forças Navais sauditas); o príncipe Miteb Bin Abdullah (chefe da Guarda Nacional dos três braços das Forças Armadas sauditas) e o príncipe Mohammed Bin Nayef. Eles também seriam possíveis herdeiros do trono saudita.

Veja o vídeo: Promotor saudita admite que assassinato de jornalista foi premeditado

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