Brasil é um dos últimos colocados na lista de aprovados para obter Green Card, diz pesquisa
Segundo especialista, isso ocorre porque "o brasileiro é desinformado em relação à imigração"
Internacional|Eugenio Goussinsky, do R7

Com ou sem Donald Trump, a política imigratória nos Estados Unidos sempre foi um alicerce importante para a economia do país. O Brasil, porém, tem uma participação pequena nesse processo, segundo pesquisa divulgada no fim de novembro, realizada pela Hayman-Woodward, consultoria internacional, com sede nos Estados Unidos, especializada na imigração e emigração de pessoas e empresas.
O País ocupa a 22ª colocação, entre 30 países, na pesquisa que estabeleceu uma lista dos paises que mais receberam o Green Card (visto que possibilita residência permanente nos Estados Unidos) entre 2010 e 2014. Foram 56.924 vistos concedidos a cidadãos brasileiros.
Segundo o diretor da empresa, Leonardo Freitas, especialista em relações governamentais, esta ideia de que há uma barreira imigratória no país tem desestimulado os brasileiros a tentarem o Green Card.
— O brasileiro é muito desinformado em relação à imigração. Na verdade existem várias maneiras legais de ir para os EUA para pessoas qualificadas. As pessoas não procuram saber a maneira correta de migrar. Não sabem que se qualificam para determinados status imigratórios para os EUA e por isso não procuram migrar ou procuram de maneira errada, fazendo visto de estudante, ficando ilegal, entre outros equívocos. Muita gente que tem experiência de 10 anos na profissão e nível superior poderia se qualificar para um Green Card imediato.
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Com a preocupação de buscar profissionais que possam preencher lacunas e contribuir com o desenvolvimento americano, Freitas diz que veio ao Brasil (São Paulo, Curitiba e Porto Alegre), nos primeiros dias de dezembro, a pedido do próprio governo americano para desfazer alguns tabus em relação à questão imigratória.
— Viemos ao Brasil a convite do governo americano, no envento Select USA, para promover oportunidades de trabalho e de investimento nos Estados Unidos.
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O levantamento mostra que, somente em 2014, foram concedidos 762.141 Green Cards nos Estados Unidos, o que significa uma contribuição de cerca de 25% anuais para o crescimento absoluto da população americana (em torno de 0,80% ou 2,8 milhões por ano). O Green Card é um visto de residência e de trabalho, entre outras possibilidades concedidas, renovável de 10 em 10 anos. Pode ser um passo para a obtenção da cidadania após cinco anos, mas não dá direito a voto e exige que o imigrante a comunique as autoridades em caso de ausência do país.
Dentre os cerca de 11 milhões de imigrantes ilegais no país, segundo Freitas, estima-se que mais ou menos 3 milhões têm problemas de criminalidade, desde infrações pequenas até mais graves. Mesmo sem a pesquisa ter se direcionado aos ilegais, ele garante que neste quesito o Brasil também não está nem entre os 10 primeiros.
— Estas pessoas (acusadas de crimes) estão inelegiveis para qualquer benefício imigratório. As outras pessoas podem procurar o sistema americano, há banca operadora de imigração que na maioria dos estados analisa as condições do imigrante, se ele estiver em uma empresa na qual o empregdor quer fazer solicitação ou até o próprio imigrante pode solicitar. Muitas vezes o Green Card é concedido, depende da circunstâncias. Cada caso é um caso.
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A vitória do republicano Donald Trump assustou os imigrantes mexicanos na fronteira sul dos Estados Unidos. Eles temem que a chegada do novo presidente dificulte suas chances de viver no país vizinho. Ainda assim, muitos se recusam a desistir do sonho americano
Onda Trump
Na opinião da advogada especialista em imigração, Ingrid Baracchini, que faz parte da Aila (Associação Americana de Advogados de Imigração), as dificuldades para algumas categorias menos qualificadas, a serem impostas pelo novo governo de Trump, tendem a fazer com que muitos brasileiros comecem a procurar a maneira correta de emigrar.
— Com essa nova onda do Trump, não dá mais para ir como estudante e trabalhar ilegalmente, as pessoas vão ficar com mais receio. Acredito que vá haver um aumento muito grande (de pedidos de Green Card) porque as pessoas vão ter de procurar o processo correto, não vão mais poder fazer só qualquer tipo de processo para entrar e tentar se regularizar nos Estados Unidos.
Ela diz que, nos últimos anos, por causa da crise econômica mundial, foram disponibilizados vistos para um total de 85 mil imigrantes (65 mil para empresas e 20 mil para universidades), que podem morar nos Estados Unidos mesmo sem tanta experiência profissional.
— Com a correria por melhores condições nos últimos tempos, há uma loteria do Green Card que oferece as vagas para profissionais tidos como comuns, com um curso superior e que estão com dificuldade de arrumar emprego no Brasil. Este tipo de profissional pode entrar na fila para o visto americano do tipo H1B, mesmo sem um currículo excepcional. As vagas são abertas a cada 1 de abril e, em 2016, houve 204 mil pedidos para as 65 mil vagas destinadas às empresas.
Dentro da pesquisa sobre o número de vistos concedidos, no período entre 2010 e 2014, o México está em primeiro na lista (689.052 vistos). Em segundo está a China (387.550), em terceiro vem a Índia (350.975), em quarto estão as Filipinas (276.953) e em quinto a República Dominicana (227.433). A Ucrânia é a última da lista, com 40.356 concessões.
Entre as razões mais determinantes para esta ordem estão: proximidade geográfica, questões do comérico internacional, questão demográfica e tratados internacionais que permitem maior intercâmbio profissional.
Freitas explica que as categorias de Green Card estão distribuídas por itens que variam dentro de uma escala. A primeira categoria é formada para pessoas com habilidades extraordinárias (como medalhistas olímpicos, ganhadores de prêmios mundiais, professores universitários).
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Na segunda categoria, segundo ele, estão incluídas pessoas que comprovem ter 10 anos de carreira ou trabalho progressivo pós-bacharelado que equivale a um mestrado americano. Ele diz que a terceira é para o profissional de grau avançado, aquele que realiza trabalhos manuais ou mesmo sem experiência comprovada, mas com o pedido de um empregador.
A quarta, conforme ele ressalta, é reservada a quem presta serviços ao governo americano, como tradutores, funcionários de consulado. E a quinta é para quem faz investimento de pelo menos US$ 500 mil nos Estados Unidos.
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