Caso Epstein: quem é brasileiro que teria recebido ‘mesada’ do criminoso sexual
Empréstimos do ex-financista podem ter ajudado Reinaldo Avila da Silva a custear curso de osteopatia
Internacional|Isadora Mangueira*, do R7
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A mais recente leva de documentos do caso Jeffrey Epstein, divulgada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na última sexta-feira (30), revelou a curiosa relação do falecido criminoso sexual com um brasileiro. Reinaldo Avila da Silva, marido de um proeminente político britânico, pode ter recebido milhares de dólares em pagamentos do ex-financista norte-americano.
O elo da relação dos dois parecia ser Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido em Washington que renunciou nesta terça-feira (3) a um assento na Câmara dos Lordes, em face do escândalo. O político que tinha Epstein como “seu melhor amigo” teria chegado a vazar planos fiscais confidenciais do governo britânico para o criminoso.
Quem é Reinaldo Avila da Silva?
Reservado e distante da vida pública do companheiro, o que se sabe é que Silva teria conhecido Mandelson através de amigos em comum, em 1996.
Enquanto Mandelson dirigia a campanha do então futuro primeiro-ministro Tony Blair, o brasileiro, falante de sete línguas, estudava japonês na Universidade de Londres, segundo informações do jornal britânico The Times. Os dois passaram a viver juntos em 1997.
Silva não é ativo politicamente e há muito desejava que seu parceiro deixasse as disputas políticas com o Partido Trabalhista, constante objeto de atenção da mídia. Neste domingo (1º), Mandelson anunciou sua desfiliação do partido para não “provocar mais constrangimentos”.
Relação com Epstein
O dinheiro de Jeffrey Epstein entra em cena 12 anos depois, em setembro de 2009, quando o linguista envia um e-mail pedindo 10 mil libras (ou quase R$ 72 mil) para ajudar a custear seu curso de osteopatia — uma prática de medicina alternativa. “Vou transferir o valor do seu empréstimo imediatamente”, responde Epstein.
Alguns dias depois, segue a resposta de Silva: “Prezado Jeffrey, [...] Apenas uma breve mensagem para agradecer pelo dinheiro que caiu na minha conta esta manhã.” No e-mail, Silva assina como “osteopata em treinamento”, mas o Conselho Geral de Osteopatia do Reino Unido emitiu um comunicado no qual insistiu que ele nunca se formou em um curso de osteopatia no país.
Em abril de 2010, o brasileiro volta a contatar o ex-financista, com informações de sua conta bancária. Epstein encaminha a mensagem para seu contador, Rich Kahn, com a orientação de enviar US$ 13 mil. Mais tarde no mesmo mês, Epstein diz a Kahn para “enviar 2.000 por mês para Reinaldo”. Quando Kahn pergunta se essa é uma soma aos US$ 13 mil originais, Epstein responde: “após repensar mande apenas US$ 4.000.”
Em outubro daquele ano, Mandelson brinca com o americano, perguntando: “Você suspendeu permanentemente os empréstimos de Reinaldo?! Eu posso ter de colocá-lo para trabalhar nas ruas.” Não fica claro se Silva fazia os pagamentos em uma espécie de “mesada”, ou se eram envios pontuais.
Os registros financeiros divulgados também parecem mostrar que o britânico pode ter recebido quase R$ 400 mil (ou US$ 75 mil) em pagamentos de Epstein entre 2003 e 2004. Mas um porta-voz de Mandelson disse à mídia britânica que nem o ex-embaixador nem Silva “têm qualquer registro ou lembrança de terem recebido pagamentos em 2003 e 2004, nem sabem se a documentação é autêntica”.
*sob supervisão de Guilherme Fagundes
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