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Chikungunya pode ser transmitida em grande parte da Europa, revela estudo

Cientistas apontam que as mudanças climáticas devem fazer com que a doença avance ainda mais nos próximos anos

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A chikungunya pode agora ser transmitida em grande parte da Europa, segundo um estudo do Journal of Royal Society Interface.
  • A elevação das temperaturas tem permitido infecções por mais de seis meses ao ano em países do sul da Europa, como Espanha e Grécia.
  • Novas estimativas indicam que a temperatura mínima para transmissão da doença é mais baixa que o previsto, aumentando o risco de surtos.
  • A educação comunitária e sistemas de vigilância são essenciais para controlar a disseminação do mosquito responsável pela doença.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Chikungunya é transmitida pelos mosquitos 'Aedes aegypti' e 'Aedes albopictus' Reprodução/YouTube/Jornal da Record

Um novo estudo, divulgado pelo Journal of Royal Society Interface, aponta que a chikungunya, doença transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, agora pode ser transmitida em grande parte da Europa.

De acordo com os cientistas, a elevação das temperaturas tem feito com que as infecções ocorram por mais de seis meses ao ano na Espanha, na Grécia e em outros países do sul do continente. No sudeste da Inglaterra, a transmissão pode ser registrada por cerca de dois meses anuais. As mudanças climáticas devem fazer com que a doença avance ainda mais nos próximos anos.


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O estudo detalha ainda que a temperatura mínima na qual as infecções podem ocorrer é 2,5°C menor do que as estimativas anteriores, menos robustas, representando uma diferença “bastante chocante”, afirmam os pesquisadores.

O vírus chikungunya foi detectado pela primeira vez em 1952 na Tanzânia. Inicialmente, ficou restrito às regiões tropicais, incluindo o Brasil. Entre os sintomas da doença estão febre, dores musculares e nas articulações, dor de cabeça e nas costas, náuseas, vômitos e calafrios.


Casos foram registrados em mais de 10 países europeus nos últimos anos. Surtos em larga escala atingiram a França e a Itália em 2025.

“A taxa de aquecimento global na Europa é aproximadamente o dobro da taxa de aquecimento global em escala mundial, e o limite inferior de temperatura para a propagação do vírus é muito importante. As novas estimativas são bastante alarmantes. A expansão da doença para o norte é apenas uma questão de tempo”, destacou o principal autor do estudo, Sandeep Tegar, do Centro de Ecologia e Hidrologia do Reino Unido (UKCEH), ao jornal The Guardian.


Steven White, também do UKCEH, complementa: “Vinte anos atrás, se você dissesse que teríamos chikungunya e dengue na Europa, todos diriam que era louco. Agora tudo mudou. Isso se deve a esse mosquito invasor e às mudanças climáticas.”

“O clima tem um enorme impacto nisso, mas a Europa ainda tem a chance de controlar a disseminação desses mosquitos”, afirmou, ao The Guardian, Diana Rojas Alvares, que lidera a equipe da Organização Mundial da Saúde que atua na área de vírus transmitidos por picadas de insetos e carrapatos.


“A educação da comunidade sobre a eliminação de água parada, onde os mosquitos se reproduzem, é uma ferramenta importante, enquanto o uso de roupas compridas e de cores claras e o uso de repelente previnem as picadas. As autoridades de saúde também precisam estabelecer sistemas de vigilância”, acrescentou.

Mudanças na temperatura

O estudo descobriu que a temperatura limite para a transmissão é de 13°C a 14°C. A anteriormente estimada era de 16°C a 18°C. Os novos resultados indicam que há risco de surtos de chikungunya em mais áreas e por períodos mais longos do que se pensava anteriormente.

Além disso, o novo estudo traz informações mais detalhadas sobre as áreas de risco. “Identificar locais específicos e os meses de possível transmissão permitirá que as autoridades locais decidam quando e onde agir”, apontou Teegar ao The Guardian.

Na Europa, os surtos têm início quando viajantes infectados retornam de regiões tropicais e são picados por mosquitos-tigre locais, que passam a transmitir o vírus.

Até então, os invernos rigorosos do continente interrompiam a atividade do inseto, funcionando como uma barreira natural que impedia a manutenção da doença de um ano para o outro.

Os cientistas, no entanto, observam a atividade do mosquito-tigre durante todo o ano no sul da Europa. Para eles, isso é um indicador de que surtos de chikungunya provavelmente se intensificarão com as mudanças climáticas.

Segundo o The Guardian, a equipe do UKCEH vem investigando essa questão. “Nossa intuição é que teremos surtos muito maiores porque não há essa barreira natural”, finaliza White.

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