Internacional Chile se prepara para uma eleição presidencial acirrada

Chile se prepara para uma eleição presidencial acirrada

Com a divulgação de pesquisas proibida por lei, o país não tem ideia de como será o resultado do primeiro turno, no domingo

AFP
Gabriel Boric é um dos candidatos à Presidência do Chile na eleição de domingo

Gabriel Boric é um dos candidatos à Presidência do Chile na eleição de domingo

Claudio Reyes / AFP - 18.11.2021

No Chile, 15 milhões de eleitores estão convocados para eleger no próximo domingo (21) o sucessor de Sebastián Piñera entre sete candidatos, da extrema esquerda à extrema direita, em uma das eleições mais incertas em 31 anos de democracia.

Também serão escolhidos 155 deputados, 27 dos 43 senadores e vereadores regionais.

Esta será a quarta eleição desde 2020 a ser realizada no Chile, que atravessa um período de mudanças desde a agitação social de outubro de 2019.

Representantes dos dois polos políticos mais antagônicos são os favoritos: o deputado da Frente Ampla de esquerda Gabriel Boric, o candidato mais jovem da história com 35 anos, e o advogado e político de extrema direita José Antonio Kast, de 55 anos e do Partido Republicano.

Mas, em um cenário sem pesquisas sólidas, e cuja divulgação está proibida por lei há 15 dias, também pesam as candidaturas do representante da coalizão de direita no governo, Sebastián Sichel (44), e da única mulher, senadora e ex-ministra de Michelle Bachelet, a democrata-cristã Yasna Provoste (51).

"A direita propõe ordem sem mudanças e Boric, mudanças sem ordem, ambos nos levam à incerteza", declarou Provoste na segunda-feira.

Ela se apresenta como a orgulhosa "herdeira" da "Concertación", coalizão de centro-esquerda que governou o país em grande parte dos 31 anos de democracia após a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), e agora desintegrada.

"Desde o plebiscito de 1988 [que decidiu a saída de Pinochet], não sentia essa incerteza", comentou à AFP Silvia Gutiérrez, uma enfermeira de 60 anos que trabalha em Santiago.

Na família de Gutiérrez "sempre votamos pela Concertación e agora estamos divididos: há votos na direita e na esquerda, mas nenhum extremo", diz, em um reflexo da divisão política no país.

"Há uma distorção produzida pela mediocridade da política, uma degradação da política", opina à AFP a analista e pesquisadora Marta Lagos, diretora executiva da organização Latinobarómetro, explicando a falta de pesquisas confiáveis e a ascensão da extrema direita.

Nesta quinta-feira, as campanhas dos sete candidatos presidenciais vão se encerrar e os eleitores são chamados a votar entre as 11h00 GMT (8h00 de Brasília) e 21H00 (18h00 de Brasília) de domingo.

Resultado imprevisível

Desde 2012, quando o Chile estabeleceu o voto voluntário, a participação eleitoral tem sido baixa. Por isso, analistas estimam que haverá um segundo turno no dia 19 de dezembro.

A eleição presidencial, além de imprevisível, ocorre em meio à elaboração de uma nova Constituição, ao aumento da inflação para 6% e ao colapso dos partidos tradicionais como reflexo de uma crise de confiança institucional.

Assim, o Chile é o último destino da onda de populismo de extrema direita com Kast, que reivindica a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) e está em sintonia com o brasileiro Jair Bolsonaro e o americano Donald Trump.

Promete restaurar a ordem social e manter o modelo econômico que fez do Chile um país próspero, mas com uma desigualdade que fragmenta sua sociedade.

No Chile, onde venezuelanos e peruanos constituem a primeira e a segunda comunidades estrangeiras, cerca de 400 mil pessoas residentes há mais de cinco anos no país poderão votar, segundo o serviço eleitoral.

Uma parte importante dos 19 milhões de habitantes apoia, desde 2019, a demanda por um Estado presente nas questões sociais, melhor acesso à educação e saúde pública, e mudar o sistema previdenciário, atualmente nas mãos de fundos privados.

Desde 1999, as eleições presidenciais no Chile têm sido definidas no segundo turno.

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