Internacional Chilenos criam app que dá 'match' entre eleitores e candidatos

Chilenos criam app que dá 'match' entre eleitores e candidatos

155 pessoas serão eleitas para redigir nova Constituição para o país, que substituirá leis da época da ditadura de Pinochet

  • Internacional | Da EFE

Ator Ignacio Achurra é um dos candidatos

Ator Ignacio Achurra é um dos candidatos

EFE / Rodrigo Saez M. - 11.05.2021

Um total de 1.373 candidatos para redigir uma nova Constituição, entre independentes, militantes, ativistas, profissionais e acadêmicos, nas eleições deste fim de semana no Chile, a mais importante do país em décadas.

Mas, como evitar que os eleitores se percam entre tantas opções e façam escolhas desinformadas? Um grupo de amigos do mundo da comunicação encontrou a solução: criar um aplicativo para que os chilenos encontrem seu "par", ou seja, o constituinte mais próximo.

"Queríamos levar informação às pessoas de uma forma que fosse divertida, que não tivessem que de ler, pesquisar na internet ou ouvir programas políticos onde ninguém dizia nada", disse Estela Cabezas, diretora do "Votamos tod@s", à Agência Efe.

De todos os candidatos, apenas 155 farão parte da assembleia que redigirá a nova Carta Magna. O processo que levou ao pleito deste sábado e domingo teve início após os grandes protestos sociais que tomaram conta do país no final de 2019.

Para Jaime Abedrapo, diretor da Escola de Governo da Faculdade de Direito da Universidade de San Sebastián (USS), "este é um processo histórico em substância e forma, o mais importante desde o plebiscito de 1988", que marcou o início do fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

70 perguntas

O funcionamento da plataforma é simples: cada usuário deve responder a um questionário de até 70 perguntas e, após comparar as respostas, os eleitores são apresentados aos candidatos que mais se aproximam dos seus ideais.

Entre as perguntas estão temas tão importantes como a conveniência de um sistema presidencialista, a reestatização do serviço de água ou o papel do Banco Central, além de questões mais atuais, como a legalização da maconha e do aborto.

Desde o lançamento do aplicativo, mais de 32 mil pessoas fizeram o download, e 70% dos candidatos responderam aos questionários.

"Tem sido mais difícil chegar aos candidatos dos partidos políticos (do que aos independentes), eles têm menos probabilidade de aderir a este tipo de questionários, pois os tira da disciplina partidária e dos discursos vazios", afirmou Estela Cabezas.

O app, que é gratuito, também busca "igualar" os candidatos após uma campanha eleitoral que foi prolongada por mais de um mês, uma vez que as eleições seriam realizadas em abril, mas foi adiada pela segunda onda da covid-19 no Chile.

"A representante aimará que ocupa um cargo no conselho de bairro tem as mesmas oportunidades de vender suas ideias que uma representante do partido Evópoli (centro-direita) que mora em Vitacura (um dos bairros mais ricos da capital) e que tem recursos pessoais para pagar a campanha", acrescentou a diretora do "Votamos tod@s".

Desafio da participação

Além das eleições constituintes, outras três serão realizadas nos mesmos dias (prefeitos, vereadores e governadores regionais), elevando o número total de candidatos envolvidos para 16.730.

"Não queremos que tenha maior complexidade, e é por isso que estamos fazendo uma ampla campanha apelando aos cidadãos para que votem informados e conheçam antecipadamente seus candidatos e sua localização nas cédulas eleitorais", afirmou Raúl García, diretor do Serviço Eleitoral.

A grande incógnita é se a complexidade das eleições afetará a adesão popular no Chile, que não ultrapassou mais de 50% desde que a votação deixou de ser obrigatória, em 2012, exceto no plebiscito de outubro do ano passado, quando 50,9% dos chilenos decidiram enterrar a atual Constituição, herdada da ditadura.

A pesquisadora principal do Centro de Estudos de Conflitos e Coesão Social (COES), Emmanuelle Barozet, disse à Agência Efe que os eleitores não levarão mais de 4 minutos para votar, apesar do número de cédulas, tempo que ultrapassa um minuto do referendo de outubro, mas que "não é exorbitante".

Para Barozet, a abstenção será marcada principalmente pela pandemia da Covid-19, que já deixou mais de 1,2 milhão de infectados e cerca de 27 mil mortos. No referendo, disse, muitos idosos ficaram em casa com medo do contágio, mas agora estão vacinados e, por serem os mais participativos, podemos esperar números elevados.

Abedrapo, porém, acredita que já não existe tanta "efervescência participativa" como em outubro e que o adiamento das eleições esvaziou o ânimo.

"Tem havido muito ruído ambiente nos últimos meses, com uma agenda política e informativa marcada por retiradas de pensões e a pandemia. Tem sido muito difícil colocar as mensagens constituintes".

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