China diz que satélites de Elon Musk são um risco para a segurança global; entenda
Starlink, controlada por Elon Musk, opera cerca de 10 mil satélites e pretende chegar a mais de 42 mil
Internacional|Do R7
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A China alertou na ONU que a rápida expansão de constelações privadas de satélites de internet, como a Starlink, da SpaceX, representa riscos à segurança global. O alerta foi feito durante uma reunião informal do Conselho de Segurança das Nações Unidas, convocada pela Rússia, e ocorre em meio a novos episódios de quase colisões e ao uso crescente desses sistemas para fins militares.
Em comunicado divulgado pela missão chinesa na ONU, um representante de Pequim afirmou que a proliferação de grandes constelações comerciais, sem regulamentação eficaz, criou “desafios significativos em termos de segurança”. Segundo ele, essas redes congestionam recursos de órbita e frequência compartilhados por todos os satélites e elevam o risco de acidentes no espaço.
O diplomata citou dois incidentes ocorridos em 2021, quando satélites da Starlink teriam feito aproximações consideradas perigosas da estação espacial chinesa Tiangong, obrigando os astronautas a realizar manobras evasivas. Ele mencionou ainda um episódio recente, em 17 de dezembro, no qual um satélite da Starlink se desintegrou em órbita e gerou mais de cem fragmentos de detritos espaciais.
“Para espaçonaves operadas por países em desenvolvimento que não possuem capacidade de controle orbital ou tempo de reação suficiente, isso constitui um risco significativo”, afirmou o representante chinês.
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Ele também alertou que o uso crescente de satélites comerciais para reconhecimento e comunicações militares “torna tênue a fronteira entre atividades civis e militares no espaço” e pode alimentar uma corrida armamentista.
A crítica incluiu acusações de que serviços de internet via satélite vêm sendo utilizados sem autorização sobre territórios estrangeiros e empregados por grupos terroristas, forças separatistas e redes de fraude. Segundo a China, há registros desse tipo de uso no Sul da Ásia, no Sudeste Asiático e no Sahel africano.
A Starlink, controlada pela SpaceX de Elon Musk, opera atualmente cerca de 10 mil satélites e pretende chegar a mais de 42 mil quando a constelação estiver completa. Cada satélite foi projetado para operar por cerca de cinco anos antes de ser destruído na atmosfera da Terra. Musk já negou que insurgentes na Índia usem o serviço e a empresa afirmou ter desativado mais de 2.500 kits da Starlink em centros de fraude em Mianmar.
Após as declarações de Pequim, a SpaceX anunciou que irá reconfigurar sua constelação. Segundo Michael Nicolls, vice-presidente de engenharia da Starlink, mais de 4.400 satélites terão sua órbita reduzida ao longo de 2026, passando de cerca de 550 quilômetros para aproximadamente 480 quilômetros de altitude. “A Starlink está iniciando uma importante reconfiguração de sua constelação, com foco no aumento da segurança espacial”, disse Nicolls em publicação nas redes sociais.
De acordo com ele, operar abaixo de 500 quilômetros reduz a probabilidade de colisões, já que há menos detritos e menos constelações planejadas nessa faixa orbital. A mudança também deve acelerar a reentrada de satélites defeituosos. Nicolls afirmou que a redução pode diminuir em mais de 80% o tempo de decaimento orbital durante o próximo mínimo solar, previsto para cerca de 2030.
A empresa informou que a manobra será coordenada com órgãos reguladores, outras operadoras e o Comando Espacial dos Estados Unidos. No primeiro semestre de 2025, os satélites da Starlink realizaram cerca de 145 mil manobras automáticas para evitar colisões.
As críticas chinesas também fazem referência a um episódio recente relatado por Nicolls, no qual um satélite da Starlink quase colidiu com um satélite chinês recém-lançado. Segundo ele, não houve coordenação por parte da China. A empresa chinesa CAS Space respondeu que, se confirmado, o incidente teria ocorrido 48 horas após o lançamento, quando a missão já estava concluída, e defendeu o restabelecimento da cooperação entre os dois ecossistemas espaciais.
No encerramento de sua fala na ONU, o representante chinês fez uma referência indireta aos Estados Unidos ao afirmar que países que não regulam adequadamente suas empresas espaciais devem ser responsabilizados quando essas atividades interferem no uso pacífico do espaço. Ele defendeu que a ONU lidere discussões para esclarecer regras existentes e desenvolver normas de conduta para evitar abusos no espaço sideral.
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