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Chineses querem fim dos "chengguan", a violenta polícia à paisana

Internacional|Do R7

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Antonio Broto. Pequim, 5 ago (EFE).- A polícia local da China, os temidos "chengguan", é há anos o grupo mais criticado e temido pelos cidadãos do país asiático, que pedem sua extinção ou ao menos sua regulamentação, especialmente após dois casos recentes de agressões violentas por parte de seus soldados. Em princípio, essa é a força policial - e na China há dezenas delas - com a tarefa mais simples: reprimir os pequenos crimes e realiza missões de rotina, tais como controlar os vendedores ambulantes, zelar para que as ruas estejam limpas e agir em pequenos litígios. No entanto, a instituição criada em meados dos anos 1990 para reduzir a carga de trabalho das forças nacionais de segurança acabou se tornando a mais odiada pela população chinesa, ao ponto de na linguagem coloquial "ser um chengguan" é um insulto equivalente a ser comparado com um bandido. Subordinados às administrações locais, e não ao Ministério da Segurança Pública como as outras polícias, os chengguan, nem sempre uniformizados, não têm autoridade para prender nem multar, e sua arma mais frequente é a agressão violenta, a maioria das vezes contra seu grande "alvo": os vendedores ambulantes ilegais. No dia 17 deste mês, a morte de um deles na província central de Hunan, um vendedor de melancias que foi espancado até a morte pelos chengguan, foi amplamente condenada pela opinião pública e lembrou mais uma vez a brutalidade do corpo. Deng Zhengjia, de 60 anos, apanhou até a morte com os pesos de sua própria balança, apesar de ter seguido as ordens dos policiais e ter transferido sua barraca para um mercado local, após uma discussão em que sua esposa também foi agredida. Um dia depois, outro vendedor em Harbin, cidade do nordeste do país, foi atingido na cabeça com tijolos por outros chengguan - que normalmente patrulham desarmados - e depois se negaram a levá-lo a um hospital para que fosse atendido. Os dois incidentes são apenas alguns exemplos de uma longa lista, e organizações de direitos humanos que investigaram o controverso grupo, como a Human Rights Watch (HRW), registraram até 150 agressões semelhantes entre 2010 e 2012, entre eles o assassinato de um vendedor deficiente físico e uma surra em uma mulher grávida que a levou a um aborto. Isso explica o motivo pelo qual no dia 20 de julho, quando outra vítima dos chengguan - um ex-taxista que em 2005 ficou inválido por uma dessas surras - detonou uma bomba no Aeroporto de Pequim. O fato não foi unanimemente condenado, e houve comentários em redes sociais e, inclusive, em artigos jornalísticos que mostraram certa compreensão com ele. "Eles ganharam reputação de brutalidade e impunidade, o que levou o povo a identificá-los com a força física, as prisões ilegais e os roubos", dizia no ano passado a diretora da HRW na China, Sophie Richardson, quando a organização apresentou seu relatório sobre o corpo policial. Há ainda quem os vincule às máfias locais, ou suspeite que praticam extorsão, e muitos governos locais recorrem a eles para fazer o "trabalho sujo" do qual a polícia e o exército preferem não participar, por medo de denúncias sobre violações dos direitos humanos. Em janeiro de 2008, foi muito condenado o assassinato, pelos chengguan, do empresário Wei Wenhua, que tentava filmar com uma câmera como os soldados agiam perto de manifestantes que protestavam pela abertura de um aterro sanitário em seu bairro. O problema do grupo, cuja denominação oficial poderia ser traduzida como "administradores da lei de gestão urbana" é, segundo os observadores, sua falta de regulação, talvez por sua recente criação, há apenas 15 anos. Qualquer um pode integrar o grupo, por isso muitos de seus membros são pessoas sem formação e não é raro que venham de ambientes violentos, sem qualquer tato para resolver os novos conflitos que nasceram em cidades modernas onde a extrema riqueza convive com milhões de imigrantes rurais pobres. "É preciso que mudem", dizia recentemente o especialista em desenvolvimento urbano Huang Shiding, que destacava que o governo "deve aprovar uma legislação nacional que regule seu comportamento". A violência dos "chengguan" foi mais divulgada na China graças ao rápido desenvolvimento das redes sociais, onde uma agressão filmada em vídeo pode circular em questão de segundos, e o discurso da população chinesa se mostrou cada vez mais coeso: os policiais locais precisam parar de agir como bandidos. EFE abc/tr/rpr

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