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Cientistas desvendam mistério do abraço de dois esqueletos da Era do Gelo

Baixa estatura dos corpos surpreendeu os pesquisadores, além disso, o menor também apresentava membros anteriores mais curtos

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo revela a relação entre dois esqueletos encontrados abraçados na Itália, datados de 12.000 anos.
  • Os esqueletos pertencem a duas mulheres, possivelmente mãe e filha, com anomalias genéticas que afetaram sua estatura.
  • Ambas carregavam variações do gene NPR2, com a filha apresentando uma mutação que causou displasia acromesomélica.
  • A pesquisa foi realizada por uma equipe internacional e publicada no The New England Journal of Medicine.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Esqueletos foram encontrados abraçados em um sítio arqueológico na Itália Reprodução/univie.ac.at/Adrian Daly

Um estudo revelou o segredo de dois esqueletos encontrados abraçados na província de Cosenza, na Itália, que viveram há 12.000 anos, no final da última Era Glacial. Os corpos foram encontrados em 1963, durante escavações arqueológicas no sítio paleolítico de Grotta del Romito, mas só agora os cientistas conseguiram compreender o que havia acontecido.

Na época, o que surpreendeu os estudiosos foi a altura dos corpos, significativamente menor que a média da época. O adulto tinha 1,45 metro enquanto o menor, que poderia ser um adolescente ou outro adulto, media 1,10 metro. Além da baixa estatura, o menor também apresentava membros anteriores mais curtos. Os dois esqueletos foram encontrados lado a lado, abraçados delicadamente.


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Após um estudo paleogenômico, os cientistas descobriram que os dois esqueletos pertenciam a duas mulheres com parentesco de primeiro grau, com a principal hipótese de que elas fossem mãe e filha. A análise também determinou por que elas eram tão baixas e por que a filha tinha braços tão curtos. Ambas carregavam variantes mutacionais do gene NPR2, associado ao crescimento ósseo. A mãe provavelmente tinha apenas uma cópia, o que a tornava mais baixa do que a média da época; a filha, por outro lado, carregava duas cópias, sendo a segunda herdada do pai.

A presença de uma cópia dupla danificada do gene NPR2 desencadeou uma doença genética rara chamada displasia acromesomélica do tipo Maroteaux. Trata-se de “uma forma de displasia acromesomélica com transmissão autossômica recessiva, caracterizada por nanismo grave (altura adulta menor que 120 cm) e envolvimento axial e apendicular (encurtamento dos segmentos intermediários e distais dos membros e encurtamento vertebral)”, descreve o portal especializado Orphanet.


Como o estudo foi feito

Os pesquisadores chegaram a essas conclusões após extrair amostras de DNA dos dois esqueletos da porção petrosa do osso temporal, uma parte muito robusta da base do crânio, importante para a proteção do ouvido interno (onde se localizam a cóclea e os canais semicirculares, responsáveis ​​pela audição e pelo equilíbrio). Utilizando técnicas paleogenômicas, os estudiosos conseguiram sequenciar o material genético, revelando as variantes associadas ao gene NPR2.

“Ao aplicar a análise de DNA, agora podemos identificar mutações específicas em indivíduos pré-históricos. Isso ajuda a estabelecer há quanto tempo existiam doenças genéticas raras e também pode revelar variantes até então desconhecidas”, afirma Ron Pinhasi, um dos coordenadores da pesquisa, em um comunicado à imprensa.


“Identificar ambos os indivíduos como mulheres e parentes próximos transforma este sepultamento em um caso familiar genético. A estatura ligeiramente menor da mulher mais velha provavelmente reflete uma mutação heterozigótica, demonstrando como o mesmo gene afetou membros de uma família pré-histórica de maneiras diferentes”, acrescentou o cientista Daniel Fernandes.

O último mistério que resta é a morte da garota mais jovem, que ocorreu simultaneamente à de sua mãe, com quem foi sepultada abraçada.


O estudo foi realizado por uma equipe internacional de pesquisa liderada por cientistas da Universidade de Viena (Áustria), do Hospital Universitário de Liège (Bélgica), da Universidade Sapienza de Roma (Itália) e da Universidade de Coimbra (Portugal), que colaboraram com colegas do Wageningen Environmental Research (Holanda). O caso foi publicado na revista científica The New England Journal of Medicine.

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