Internacional Colômbia anuncia fim de um dos maiores grupos criminosos do país

Colômbia anuncia fim de um dos maiores grupos criminosos do país

Segundo o governo, operações militares acabaram com a liderança do grupo Los Caparros, que atuava no noroeste colombiano

Diego Molano, ministro da Defesa da Colômbia, anunciou o fim do grupo nesta terça

Diego Molano, ministro da Defesa da Colômbia, anunciou o fim do grupo nesta terça

Carlos Ortega / EFE - 12.3.2021

O Ministério da Defesa anunciou nesta terça-feira (1º) "o fim" de Los Caparros, um dos cinco maiores grupos criminosos da Colômbia, acusado de assassinar líderes sociais, massacres, tráfico de drogas e recrutamento forçado de menores.

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"Hoje podemos garantir à Colômbia que Los Caparros chegou ao fim", disse o ministro da Defesa, Diego Molano, em um comunicado.

Segundo Molano, as recentes operações contra essa quadrilha "põem fim ao terror dos líderes sociais nos municípios de Cáceres e Tarazá, em Antioquia (noroeste). Os responsáveis por massacres e patrocinadores de todo o tipo de ações criminosas deixarão de persegui-los".

Fim do líder

Na última quinta-feira, o governo anunciou que o líder dos Los Caparros, Robinson Gil Tapias, vulgo "Flechas", acusado de sequestro e recrutamento de menores, tinha sido morto em uma operação militar.

Para o Ministério da Defesa, os Los Caparros eram um dos cinco maiores grupos criminosos do país, ao lado dos dissidentes das FARC, dos guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN), do Clã do Golfo e dos Los Pelusos, como o governo chama um reduto do Exército Popular de Libertação (EPL).

A Polícia Nacional explicou em um comunicado que a "neutralização" de Gil Tapias "rompeu a linha na sucessão criminosa do extinto Grupo Armado Organizado (GAO) - Los Caparros -, que nasceu dissidente do Clã do Golfo em 2017".

No final do ano passado, também foi morto em outra operação militar seu antecessor, Emiliano Alcides Osorio Macea, conhecido pelo pseudônimo "Caín", e a liderança foi muito enfraquecida, com vários líderes presos ou mortos nas 40 operações que as Forças Armadas realizaram contra eles nos últimos dois anos.

No entanto, a polícia reconheceu que resta "um pequeno reduto, sob o controle de um sujeito conhecido como 'Franco', que muito provavelmente será levado à Justiça para confessar seus crimes", segundo o diretor da Polícia Nacional, general Jorge Luis Vargas.

Molano afirmou que "com as operações da última semana, a forças de segurança conseguiram uma grande conquista ao destruir o controle territorial da cadeia criminosa do narcotráfico em sua fase de produção, armazenamento e comercialização na zona do Baixo Cauca, em Antioquia".

Por sua vez, o general Vargas alegou que estão "trocando informações com a Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA, na sigla em inglês) para fechar o círculo internacional da cadeia do narcotráfico de Los Caparros".

Los Caparros estavam envolvidos em uma batalha territorial com o Clã do Golfo — principal grupo criminoso do país, herdeiro dos paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) — na região de Baixo Cauca, para assumir o controle desse corredor do narcotráfico, chave para a saída para o Caribe.

Los Caparros, também conhecido como Los Caparrapos ou Frente Vigilio Peralta Arenas, é um grupo criminoso dedicado ao narcotráfico, que também surgiu da desmobilização das AUC e, desde a extinção das guerrilhas das FARC, ampliou sua presença no Baixo Cauca e sul de Córdoba, de acordo com o banco de dados "InSight Crime".

No mês de fevereiro, foram acusados de sequestrar oito jovens que viajavam do Eixo Cafeeiro, na região central da Colômbia, para visitar o Mar do Caribe, com o objetivo de recrutá-los de forma forçada, em fatos também denunciados pelas Nações Unidas.

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