Internacional Colômbia vai sacrificar alguns dos hipopótamos de Pablo Escobar

Colômbia vai sacrificar alguns dos hipopótamos de Pablo Escobar

Medidas como eliminar, esterilizar e transferir os mamíferos para outros países visam prevenir danos causados pela espécie

AFP
Existe um número recorde de 166 hipopótamos na Colômbia

Existe um número recorde de 166 hipopótamos na Colômbia

Instituto Alexander Humboldt/EFE - 14.04.2023

A Colômbia vai sacrificar alguns dos 166 hipopótamos — pertencentes ao traficante de drogas Pablo Escobar — que se reproduzem incontrolavelmente no país, informou nesta quinta-feira (2) a ministra do Meio Ambiente ao iniciar o plano do governo para impedir expansão.

Segundo Susana Muhamad, a eliminação dos mamíferos que crescem no rio Magdalena será uma das três medidas tomadas pelas autoridades para prevenir os danos causados ​​por esta espécie invasora, juntamente com a esterilização e transferência para outros países.

“Começa a primeira etapa deste plano de manejo, que na próxima semana mostrará a fase de esterilização dos hipopótamos na Colômbia”, disse em entrevista coletiva. A expectativa da ministra é que sejam pelo menos 20 este ano.

Sem detalhar o número, Muhamad acrescentou que “uma parte da população” será sacrificada, embora não tenha especificado quando esse processo terá início.

Outros serão enviados para o México, Índia ou Filipinas, que estavam abertos a receber exemplares. O governo ainda está processando as autorizações necessárias para as transferências.

Os hipopótamos chegaram à Colômbia por capricho de Pablo Escobar, que introduziu um casal vindo da África em seu zoológico pessoal na Hacienda Nápoles, na região de Magdalena Medio (centro-norte).

Após a morte do então maior traficante de drogas do mundo, nas mãos da polícia, em 1993, e a intervenção oficial de suas propriedades, os mamíferos ficaram indefesos e começaram a se reproduzir. Alguns atacaram pescadores no rio mais importante do país.

Atualmente existe um número recorde de 166 hipopótamos e segundo cálculos do Ministério do Meio Ambiente, até 2035 poderão ser 1.000 se sua expansão não for interrompida.

Nos últimos anos, a corporação ambiental Cornare realizou cerca de vinte esterilizações, confrontada com o que fazer com o rebanho, o maior fora do continente africano. Ambientalistas apontam que esse procedimento causa sofrimento ao animal e coloca em risco a vida dos veterinários.

David Echeverri, representante da organização que ficará responsável pelas cirurgias, reconheceu que um dos riscos é a morte ou uma reação alérgica à anestesia.

O governo de Gustavo Petro tem sido enfático ao afirmar que os hipopótamos causam sérios danos ambientais e destinará cerca de US$ 10 mil (R$ 49,5 mil) para cada esterilização.

“São animais muito territoriais” e “com agressividade muito elevada” que “pela sua alimentação afetam todo o ecossistema”, sublinhou Muhamad.

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