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Internacional Colombiano é indiciado nos EUA por assassinato do presidente do Haiti

Colombiano é indiciado nos EUA por assassinato do presidente do Haiti

Ex-militar do Exército da Colômbia é um dos acusados de planejar e executar a ação que tirou a vida de Jovenel Moise, em julho

AFP
Jovenel Moise foi assassinado por homens armados na residência presidencial, em julho de 2021

Jovenel Moise foi assassinado por homens armados na residência presidencial, em julho de 2021

Valerie Baeriswyl / AFP - 23.7.2021

Um militar colombiano reformado foi indiciado nesta terça-feira (4) nos Estados Unidos pela suposta participação no assassinato do presidente haitiano Jovenel Moise, em julho do ano passado, informou o Departamento de Justiça americano.

Mario Antonio Palacios, de 43 anos, é acusado de participar "de um complô para sequestrar ou assassinar" o presidente haitiano, destacou o departamento em comunicado.

Palacios, acusado de fazer parte de um grupo de 20 homens que matou o presidente do Haiti em sua residência em Porto Príncipe, foi detido na segunda-feira em um aeroporto do Panamá durante a escala de um voo procedente da Jamaica com destino à Colômbia, antes de ser extraditado para Miami, onde comparecerá perante um tribunal nesta terça.

Se for declarado culpado das acusações contra ele, poderá ser condenado à prisão perpétua.

O Ministério Público americano afirma que o complô contra Moise "inicialmente se concentrou em sequestrar o presidente como parte de uma suposta operação de detenção", mas "finalmente resultou em um complô para assassiná-lo".

Os promotores afirmam na ação que, "em 7 de julho de 2021, Palacios e outros entraram na residência do presidente no Haiti com a intenção e o propósito de matar o presidente Moise, e de fato o presidente foi assassinado".

Palacios foi detido em outubro na Jamaica e nesta terça dirigia-se para a Colômbia após ter sido deportado do país caribenho por falta de provas.

No entanto, ao fazer escala no aeroporto internacional de Tocumen, ele foi detido pelas autoridades panamenhas.

Segundo a diretora do Serviço Nacional de Migração panamenho, Samira Gozaine, após sua detenção, Palacios "aceitou se acolher na extradição voluntária e por isso ontem à noite mesmo embarcou em um voo para Miami".

O FBI, polícia federal americana, investiga o caso com outros sócios, como os agentes da Investigações de Segurança Interior (HSI, o Homeland Security Investigations).

Embora vários haitianos, dois americanos e cerca de 15 colombianos acusados de participar do assassinato de Moise estejam detidos na prisão de Porto Príncipe desde o verão no Hemisfério Norte, a investigação sobre o magnicídio não parece avançar.

Crise

O homicídio do presidente aprofundou a grave crise política na qual o Haiti está mergulhado há anos.

O atual primeiro-ministro haitiano, Ariel Henry, também denunciou ter sido alvo de tentativa de assassinato.

Em entrevista à AFP publicada nesta segunda, Henry disse que teve que abandonar precipitadamente as comemorações da festa nacional, celebradas no sábado, na cidade de Gonaïves, sob rajadas de tiros que atingiram seu carro blindado.

Sem Parlamento funcional há dois anos e com poder judicial paralisado, o Haiti, o país mais pobre do Caribe, sofre uma crise de governança.

O crescente controle das gangues no território nacional míngua as esperanças de uma melhora das condições de vida da população, vítima de sequestros cometidos diariamente por bandos armados.

Ao menos 950 sequestros foram registrados no Haiti em 2021, segundo o Centro de Análise e Investigação de Direitos Humanos, com sede em Porto  Príncipe.

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