Internacional Combates deixam ao menos 20 mortos perto da região do Tigré

Combates deixam ao menos 20 mortos perto da região do Tigré

Dezenas de milhares de pessoas precisaram deixar suas casas por conta de embates entre rebeldes e tropas do governo em Afar

AFP
Rebeldes e tropas do governo entraram em conflito na região de Afar, na Etiópia

Rebeldes e tropas do governo entraram em conflito na região de Afar, na Etiópia

Eduardo Soteras / AFP - Arquivo

Pelo menos 20 civis morreram e dezenas de milhares foram deslocados em meio a violentos combates entre rebeldes e forças pró-governo na região de Afar, na fronteira com Tigré, no nordeste da Etiópia, informou um funcionário de alto escalão do governo etíope nesta quinta-feira (22).

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Os combates na região de Afar indicam um risco de expansão da guerra no Tigré, que deixa milhares de mortos e centenas de milhares de deslocados em oito meses, segundo as Nações Unidas.

No domingo (18), os rebeldes que se opõem as forças pró-governamentais disseram ter realizado operações pontuais na região de Afar.

Mas o funcionário regional da Agência Nacional de Proteção Civil Mohammed Hussen afirmou nesta quinta-feira à AFP que se trataram de operações em grande escala e que as forças rebeldes "cruzaram a fronteira com a região de Afar e atacaram comunidades pastoris inocentes".

"Os combates violentos continuam acontecendo. Quase 70.000 pessoas se viram diretamente afetadas e estão deslocadas (...) Mais de 20 civis foram assassinados", acrescentou, acusando os rebeldes de quererem "submeter os Afar".

Um porta-voz dos rebeldes, Getachew Reda, qualificou estas acusações de massacres de civis de "puras mentiras".

Conflito em Tigré

O ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2019 e primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, enviou o Exército federal para Tigré em novembro passado, com o objetivo de destituir as autoridades regionais da Frente de Libertação do Povo de Tigré (TPLF).

Segundo ele, a operação, lançada após meses de tensão, foi realizada em represália por ataques lançados contra acampamentos do Exército ordenados pela TPLF, o partido que governou o país por três décadas.

Abiy proclamou vitória neste conflito no final de novembro passado, após assumir o controle da capital regional, Mekele. Os combates continuaram e recentemente se voltaram contra os interesses do governo.

Em 28 de junho, as forças rebeldes pró-TPLF reconquistaram Mekele e, nos dias seguintes, grande parte de Tigré, marcando um ponto de inflexão no conflito.

Abiy prometeu que os faria recuar e mobilizou forças regionais, procedentes em especial de Oromia, para combater junto com o Exército federal.

- Estrada-chave -
Os combates na região de Afar interromperam a distribuição de ajuda alimentar no Tigré.

Dez veículos do Programa Mundial de Alimentos (PMA) que transportavam ajuda foram atacados no domingo a 100 quilômetros da capital de Afar, Semera, o que levou a agência da ONU a suspender seus comboios que passavam por essa estrada.

A estrada que corta Semera para entrar no Tigré se tornou um ponto crítico para a entrega de ajuda humanitária, depois que duas pontes em outras estradas foram destruídas no final de junho.

Segundo um documento da ONU consultado pela AFP, na quarta-feira (21), houve intensos combates das forças especiais de Afar e dos soldados do Exército federal contra as tropas do TPLF nos distritos de Awra e Ewa.

Esses dois distritos de Afar fazem fronteira com o sul do Tigré e o norte da região de Amhara, para onde vários milicianos foram enviados recentemente.

A rota que une a Etiópia ao porto de Djibuti, ao leste da região de Afar, é essencial para este país sem saída para o mar, o que gera temores de que os rebeldes do Tigré queiram bloqueá-la.

Nesta quinta-feira, o chefe da Agência Nacional de Proteção Civil disse que a estrada estava "aberta" e era "muito segura" e acrescentou que qualquer afirmação em sentido contrário é "propaganda" da TPLF.

Em Adis Abeba, capital da Etiópia, uma manifestação de apoio ao exército levou dezenas de milhares de pessoas à emblemática praça Meskel.

Os manifestantes exibiram cartazes nos quais descreviam o TPLF como "o câncer da Etiópia" e diziam que o exército se posiciona "pela verdade e pela justiça".  

A prefeita de Adis Abeba, Adanech Abiebe, acusou o TPLF, considerado uma "organização terrorista" pelas autoridades federais, de colaborar com a mídia internacional para "difamar o nosso exército".

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