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Como as Filipinas se tornaram o campo de treinamento terrorista do mundo

Especialistas apontam Mindanao como refúgio usado por grupos armados islâmicos

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Filipinas são investigadas como campo de treinamento para terroristas após massacre em Bondi Beach, Austrália.
  • Naveed e Sajid Akram passaram um mês em Mindanao antes do ataque, conhecido por ser refúgio de militantes.
  • O sul das Filipinas apresenta condições favoráveis para atividades extremistas, dificultando o monitoramento governamental.
  • Grupos armados islâmicos continuam ativos, e apesar de acordos de paz, a ameaça terrorista persiste no país.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Terroristas passam por treinamento básico com armas nas Filipinas em vídeo que circulou nas redes sociais em 2015 Reprodução de vídeo/Redes sociais

As Filipinas voltaram ao centro das atenções de autoridades internacionais após revelações de que os responsáveis pelo massacre em Bondi Beach, na Austrália, passaram um mês no país antes do ataque.

O episódio reforçou alertas de especialistas sobre o papel do sul do arquipélago como área historicamente associada ao treinamento e à articulação de militantes extremistas.


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Naveed Akram, de 24 anos, e seu pai, Sajid Akram, de 50, chegaram a Manila em 1º de novembro e seguiram para Mindanao, ilha do sul das Filipinas marcada por décadas de insurgência e violência ligada ao extremismo islâmico. Eles retornaram à Austrália em 28 de novembro e, duas semanas depois, cometeram o ataque que deixou 15 civis mortos durante uma celebração judaica em uma das praias mais conhecidas de Sydney.


Após o atentado, bandeiras improvisadas do Estado Islâmico foram encontradas no veículo usado pelos dois homens. A polícia de Nova Gales do Sul informou que os motivos da viagem, seus objetivos e os locais visitados ainda estão sob investigação e que, à época, o deslocamento não acionou alertas de segurança.


Naveed já havia sido classificado como risco “baixo” em avaliações antiterrorismo realizadas após uma investigação sobre uma célula do Estado Islâmico em Sydney, em 2019. Mesmo assim, segundo a emissora ABC, autoridades acreditam que pai e filho podem ter passado por algum tipo de treinamento de estilo militar durante a estadia no país asiático.


O especialista em segurança internacional Will Geddes afirmou que não é surpreendente que extremistas escolham Mindanao como destino. Segundo ele, a região oferece vantagens estratégicas devido à dificuldade de monitoramento por parte das forças governamentais, criando condições para que simpatizantes aprendam técnicas de atuação terrorista longe dos olhos do Estado.

De acordo com Geddes, ao contrário de locais como Afeganistão ou Indonésia, que contam com estruturas de vigilância mais robustas, Mindanao é menos acessível para operações de segurança, o que a transforma em um refúgio relativo para militantes e apoiadores.

Embora a violência terrorista nas Filipinas tenha diminuído nos últimos anos, grupos armados islâmicos continuam ativos, especialmente no sul do país. Essas organizações possuem um histórico de acolher e treinar combatentes estrangeiros, aproveitando a geografia local e a fragilidade da governança.

Facções ligadas ao Estado Islâmico, com base em áreas como Marawi, utilizam florestas densas e regiões montanhosas para ocultar acampamentos e atividades. O sul das Filipinas abriga a maior minoria muçulmana de um país majoritariamente católico, cenário que, aliado a conflitos históricos, facilitou a instalação de grupos militantes.

A região enfrentou décadas de insurgência, movimentos separatistas e ações de organizações como o Abu Sayyaf. Em 2017, militantes chegaram a tomar a cidade de Marawi, forçando mais de 350 mil moradores a fugir durante um cerco que durou meses.

Cidades como Davao, visitada pelos suspeitos do ataque em Bondi Beach, são apontadas como pontos de encontro e centros logísticos. Nesses locais, extremistas conseguem planejar, financiar e coordenar operações enquanto se misturam à população civil.

Geddes também destacou que grupos terroristas na região frequentemente atuam em parceria com organizações criminosas, criando redes que dificultam a ação das autoridades e ampliam a capacidade de evasão.

Mesmo após a aprovação de uma ampla lei antiterrorismo em 2020 e acordos de paz com algumas facções armadas, analistas alertam que a ameaça persiste. Grupos dissidentes e elementos fora de controle continuam armados e aptos a realizar ataques.

Segundo o especialista, o treinamento em Mindanao costuma ocorrer em unidades pequenas e difíceis de detectar, combinando atividades em áreas urbanas e na selva, o que torna a identificação ainda mais complexa.

Rommel Banlaoi, do Instituto Filipino de Pesquisa sobre Paz, Violência e Terrorismo, afirmou à CNN que, desde os tempos da Al Qaeda, o país é visto como uma espécie de “academia do terrorismo” na Ásia, devido à sua localização e à presença de grupos militantes já estabelecidos.

O governo filipino, no entanto, rebateu essa caracterização. O conselheiro de Segurança Nacional, Eduardo Año, disse não haver informações que indiquem que os suspeitos tenham treinado com militantes em Mindanao. A presidência também rejeitou a imagem do país como um polo de treinamento do Estado Islâmico.

Para investigadores australianos, a prioridade é determinar se Naveed e Sajid Akram exploraram redes extremistas durante a viagem. Geddes afirmou que, após o atentado, autoridades intensificaram o monitoramento de indivíduos que se deslocam para regiões consideradas de alto risco.

Funcionários do hotel em Davao onde pai e filho se hospedaram relataram que eles permaneceram no local por quatro semanas e raramente saíam por mais de uma hora. Segundo uma funcionária, a rotina consistia basicamente em entradas e saídas curtas, sem indícios de viagens para outras áreas.

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