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Como drones e tecnologia de vigilância chinesa ajudam o regime do Irã

Empresas da China foram parte integrante da expansão do sistema de vigilância iraniano, oferecendo equipamentos e treinamento

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Irã utiliza tecnologia de vigilância e drones chineses para reprimir protestos em curso desde o final de 2025.
  • Grupos de direitos humanos relatam quase 6.000 mortes em manifestações, embora algumas mídias indiquem mais de 30 mil vítimas.
  • Drones e câmeras de reconhecimento facial são usados para identificar manifestantes e reprimir movimentos de protesto.
  • Os protestos, que começaram por questões econômicas, se tornam um desafio ao regime teocrático, com demanda por mudança e intervenções externas discutidas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Protestos se espalharam por mais de 100 cidades iranianas Reprodução/X/iribnews_irib

O Irã conta com o apoio de tecnologia chinesa para reprimir e tentar controlar a onda de protestos que varre o país desde o final do ano passado. Um grupo de direitos humanos com sede nos Estados Unidos declarou na segunda-feira (26) que confirmou a morte de quase 6.000 pessoas nas manifestações. No entanto, algumas mídias internacionais chegaram a apontar mais de 30 mil mortes, número que o regime islâmico negou.

Em sua tentativa de controlar as manifestações, o Irã tem feito uso de tecnologia de vigilância e drones, muitos com a marca “Made in China”. Empresas chinesas foram parte integrante da expansão da arquitetura de vigilância do Irã, com algumas delas vendendo equipamentos e fornecendo cursos de treinamento.


Empresas chinesas também têm se envolvido em esforços para fortalecer a intranet do Irã, facilitando o corte de comunicação com o mundo exterior, e desempenham um papel ativo no fornecimento de tecnologia e equipamentos para fabricantes de drones iranianos.

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Essa tecnologia desempenhou um papel importante na repressão a esses e a protestos anteriores. A tecnologia de reconhecimento facial de câmeras de vigilância foi implantada após os protestos “Mulher, Vida, Liberdade” que seguiram o assassinato de Jina Mahsa Amini, sob custódia da polícia religiosa, em 2022. A tecnologia foi usada para identificar e reunir os manifestantes após o fato, e relatos indicam que está sendo usada de maneira semelhante novamente.


À medida que os protestos se espalhavam, o acesso à internet era bloqueado com velocidade e alcance sem precedentes, cortando os iranianos do mundo exterior e de seus amigos e familiares.

Grupos de direitos humanos acusaram as autoridades de atirar diretamente contra os manifestantes e de bloquear o acesso à internet desde 8 de janeiro para ocultar a dimensão da repressão. O observatório Netblocks confirmou que o bloqueio da internet segue em vigor.


“Relatos de testemunhas oculares informam que drones foram usados para encurralar manifestantes, inclusive atirando contra multidões. Em outros casos, drones foram usados para identificar vítimas nas ruas ou mesmo em suas próprias casas, depois que cantar de dentro das casas para evitar sair se tornou uma tática popular de protesto”, diz William Figueroa, pesquisador das relações da China no Oriente Médio e professor da Universidade de Groningen, na Holanda, em artigo na revista especializada The Diplomat.

“A China é um grande player no contexto iraniano, mas o problema tem suas raízes em uma rede global de fabricantes de vigilância de alta tecnologia”, acrescenta. Segundo Figueroa, empresas europeias e americanas também fornecem e fabricam tecnologia de vigilância para a própria China.


Os protestos que abalam a República Islâmica começaram no fim de dezembro contra o custo de vida, mas se transformaram em um movimento contra o regime teocrático estabelecido desde a revolução de 1979.

Pessoas em mais de 100 cidades participaram das manifestações. Os protestos se espalharam para províncias iranianas tão distantes quanto Ilam, uma região de maioria curda na fronteira com o Iraque, e Lorestan, ambas emergindo como pontos críticos. Alimentadas por divisões étnicas e pobreza, multidões incendiaram ruas e gritaram “Morte a Khamenei”, desafiando diretamente o líder supremo, que detém autoridade máxima sobre assuntos religiosos e estatais, segundo a CNN.

Os líderes religiosos seguem no poder apesar do desafio representado pelos protestos, e opositores do sistema veem na intervenção externa o elemento mais provável de mudança.

O presidente americano, Donald Trump, mantém sobre a mesa a opção de uma intervenção militar e informou que Washington enviou uma frota da Marinha à região.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã reagiu nesta segunda-feira (26) e advertiu que responderia de forma “contundente” a qualquer “agressão”.

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