Como o Exército dos EUA usa influenciadores para resolver crise de recrutamento
Estratégia das Forças Armadas abandona TV e mira geração Z usando humor, vivências pessoais e parcerias online
Internacional|Do R7
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O Exército dos Estados Unidos enfrenta um dos períodos mais desafiadores na atração de novos soldados.
O déficit acumulado de recrutamento ultrapassou 25 mil pessoas ao longo dos últimos cinco anos.
Diante desse cenário, a força terrestre decidiu rever profundamente sua comunicação. A prioridade passou a ser a presença constante em redes sociais, com foco em vídeos curtos e linguagem informal, deixando em segundo plano campanhas tradicionais veiculadas na televisão.
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A nova aposta envolve influenciadores digitais. Parte deles são militares da ativa que transformaram o cotidiano na caserna em conteúdo viral; outra parte é formada por criadores civis convidados a visitar bases, participar de treinamentos e relatar a experiência aos seguidores.
Um dos nomes mais conhecidos dessa estratégia é o sargento Tyler Butterworth, que ganhou notoriedade ao produzir vídeos bem-humorados enquanto atuava como recrutador. Com milhões de seguidores, ele passou a defender que histórias pessoais têm mais impacto do que mensagens institucionais padronizadas.
Segundo militares envolvidos no projeto, o objetivo central é humanizar a farda. O humor aparece como ferramenta-chave, apresentando soldados como pessoas comuns, que erram, brincam e compartilham vivências reais, quebrando a imagem de rigidez permanente associada à carreira.
A guinada ganhou força após fracassos em campanhas milionárias. Mesmo com um orçamento de marketing bilionário, parcerias com celebridades não entregaram resultados.
Em contraste, iniciativas menores mostraram desempenho expressivo. O programa “Creative Reserve”, testado em 2025, treinou soldados para produzir conteúdo próprio. Uma ação comemorativa pelos 250 anos da instituição alcançou 40 milhões de pessoas e atraiu 72 mil novos seguidores, triplicando a média de campanhas anteriores.
A presença crescente nas redes também trouxe desafios. O TikTok, principal vitrine junto ao público jovem, é proibido em dispositivos governamentais desde 2020 por razões de segurança, levando militares a publicar conteúdos a partir de celulares pessoais, em uma área cinzenta das regras.
Além disso, surgem dilemas éticos ligados à monetização. Muitos soldados-influenciadores não recebem pagamento direto da instituição, mas podem ganhar com as plataformas. Para evitar conflitos, alguns optam por doar os valores arrecadados a organizações que apoiam famílias militares.
Ao ampliar convites a criadores civis ligados a fitness, esportes radicais e estilo de vida, o Exército aposta que relatos autênticos, baseados em experiências reais ao lado de soldados, consigam despertar interesse em jovens que, até pouco tempo atrás, não considerariam seguir carreira militar.
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