Como programa nuclear da Coreia do Norte ganha com o fim do tratado entre EUA e Rússia
Novo Start terminou após 54 anos, eliminando o limite de ogivas que Washington e Moscou podem ter em seus arsenais
Internacional|Do R7
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O fim do último tratado de controle de armas nucleares entre Estados Unidos e Rússia intensifica as preocupações de que uma nova corrida armamentista possa estimular a Coreia do Norte a ampliar seu poderio nuclear.
O acordo, conhecido como Novo Start, foi encerrado na quinta-feira (5), após 54 anos, eliminando o limite de 1.550 ogivas nucleares que Washington e Moscou podem ter em seus arsenais.
Embora tenha desempenhado papel central no controle global de armas nucleares, o acordo passou a se deteriorar após o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, quando as relações entre Washington e Moscou se agravaram e as inspeções dos armamentos foram suspensas.
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O presidente russo, Vladimir Putin, sugeriu prorrogar o acordo por um ano, enquanto o presidente americano, Donald Trump, busca um novo tratado que inclua a China.
O secretário-geral da Nações Unidas, António Guterres, alerta que o risco de uso de armas nucleares é o maior em décadas e pede a retomada imediata das negociações.
Com a crescente perspectiva de uma nova corrida armamentista, especialistas afirmam que a Coreia do Norte pode encontrar maior justificativa para expandir seu arsenal nuclear.
O país sofre sanções internacionais enquanto avança com o desenvolvimento de armas nucleares, uma estratégia vista como uma forma de obter vantagem nas negociações com Washington.
“Com o fim do Novo Start, Pyongyang observaria mais atentamente as mudanças na postura dos EUA sob o governo do presidente, Donald Trump, em relação às armas nucleares e usaria o enfraquecimento das normas globais de controle de armas para justificar ainda mais seu próprio programa nuclear”, disse Cho Han-bum, pesquisador do Instituto Coreano para a Unificação Nacional, ao site The Korea Times.
Ao mesmo tempo, o especialista observa que o fim da contenção nuclear pode provocar debates sobre armamento nuclear em países que atualmente não os possuem. “Tais desenvolvimentos podem, em última análise, complicar o ambiente estratégico da Coreia do Norte, visto que as armas nucleares são sua principal fonte de influência diplomática nas relações com os Estados Unidos e outras grandes potências”, diz
Em um artigo publicado recentemente, os pesquisadores Lee Sung-hoon e Paek Sun-woo, do Instituto de Estratégia de Segurança Nacional, da Coreia do Sul, defendem que a mudança no regime de controle de armas também pode abrir espaço para uma revisão da estratégia da Coreia do Sul em relação à desnuclearização da Coreia do Norte.
Os autores ressaltam que Pyongyang poderia ser incorporada de forma gradual a fóruns multilaterais de controle de armas estabelecidos após o fim do Novo Start, enquanto Seul deveria intensificar a atuação diplomática para usar essa participação como mecanismo de pressão em prol da desnuclearização da Península Coreana.
Os pesquisadores sugerem ainda a concessão à Coreia do Norte de um status limitado, como o de observador ou de “inspeção especial”, em negociações multilaterais sobre controle de armas.
De acordo com eles, esse arranjo permitiria a Pyongyang reivindicar envolvimento nessas discussões, ao mesmo tempo em que institucionalizaria o congelamento de seu programa nuclear.
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