Como Trump pretende fechar o espaço aéreo venezuelano ‘por completo’
Endurecimento ocorre no momento em que os EUA ampliam operações militares no Caribe
Internacional|Do R7
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Trump escalou a tensão com Caracas ao anunciar que o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela deve ser considerado totalmente fechado. A declaração feita neste sábado (29) em uma postagem no Truth Social soma pressão à mobilização militar que os Estados Unidos empreendem na região desde setembro e ocorre enquanto o governo americano avalia operações mais agressivas contra o ditador Nicolás Maduro.
Na publicação, Trump escreveu que companhias aéreas, pilotos e traficantes de drogas deveriam considerar o espaço aéreo venezuelano fechado em sua totalidade. O aviso não detalhou parâmetros operacionais e não foi seguido de esclarecimentos da Casa Branca. Na semana anterior, a FAA (Administração Federal de Aviação dos EUA) havia alertado que sobrevoar a Venezuela representava situação potencialmente perigosa por causa da piora da segurança e do aumento de atividade militar no país e ao redor dele.
O endurecimento ocorre no momento em que os EUA intensificam operações contra embarcações que Washington afirma transportar drogas no Caribe e no Pacífico. Ao menos 83 pessoas morreram nessas ações. Trump disse a militares que os EUA iniciariam em breve operações terrestres para deter supostos traficantes venezuelanos, sem informar quando ou como.
Empresas aéreas reagiram ao alerta da FAA com o cancelamento de voos de e para Caracas. Na segunda-feira, a companhia Iata comunicou que o governo venezuelano deu um prazo de 48 horas para a retomada das operações, afirmando que a FAA não tem jurisdição sobre o espaço aéreo do país. Em resposta, Caracas revogou a autorização de seis companhias aéreas, entre elas a Gol.
O acirramento também inclui efeitos no setor civil. Uma onda de ruído eletromagnético tem afetado sinais de GPS na Venezuela e prejudicado o funcionamento de aplicativos de transporte e entrega. O aumento de exercícios militares nacionais reforçou a percepção de que os céus venezuelanos se tornaram área restrita para operações comerciais.
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A pressão militar americana na região cresceu com a presença do porta-aviões USS Gerald Ford, visitado na quinta (27) pelo secretário de Defesa Pete Hegseth. O governo Trump também designou o suposto Cartel de los Soles como organização terrorista estrangeira, argumento que os EUA usam como base legal para suas ações e que a Venezuela chama de ‘falsidade usada para justificar uma intervenção’.
Apesar da escalada, a rotina urbana permaneceu relativamente estável nas cidades venezuelanas, com movimento intenso antes das celebrações de Natal e promoções de Black Friday. Ainda assim, Maduro convocou a população a ‘dar suas vidas’ se necessário para defender o país de ‘ataques imperialistas’. O presidente, no poder desde 2013, acusa Trump de tentar derrubá-lo a qualquer custo.
O clima de confronto ganhou novo capítulo com a revelação de que Trump e Maduro conversaram por telefone na semana passada. Segundo o The New York Times, eles discutiram a possibilidade de um encontro e até uma visita de Maduro aos EUA. O líder venezuelano é procurado pela Justiça americana sob suspeita de envolvimento com o narcotráfico, acusações que ele nega.
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