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Como vaca que usa vassoura para se coçar inspirou estudo sobre inteligência do gado

Habilidades cognitivas do animal, que usa diferentes partes do objeto para alcançar o corpo, chamou atenção de pesquisadores

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estudo sobre a inteligência do gado foi inspirado em uma vaca chamada Veronika, da Áustria.
  • Veronika utiliza uma vassoura para se coçar, demonstrando habilidades cognitivas inesperadas.
  • A pesquisa sugere que gado tem potencial de raciocínio maior do que se acreditava, frequentemente subestimado.
  • Falta de registros semelhantes é atribuída ao ambiente das vacas, que geralmente não têm acesso a objetos para interação.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Veronika usa as cerdas da vassoura para coçar o dorso e o cabo em regiões sensíveis, como barriga Current Biology

Uma vaca que usa uma vassoura para se coçar inspirou um estudo sobre habilidades cognitivas do gado, muitas vezes visto como um animal pouco inteligente. Veronika vive em uma zona rural da Áustria e chamou atenção de pesquisadores da Universidade de Medicina Veterinária de Viena por usar gravetos para alcançar partes do próprio corpo.

Segundo o estudo publicado na revista Current Biology, Veronika surpreendeu não só pela capacidade de equilibrar a vassoura na boca, mas também por escolher qual lado do objeto usar. Para áreas altas e de pele grossa, como o dorso, ela se coça com as cerdas. Já para regiões sensíveis, como a barriga, usa o cabo, fazendo movimentos suaves.


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Pesquisadores acompanharam o comportamento do animal ao longo de diversas sessões. Durante os testes, observaram que a vaca manipula o objeto com a boca, ajusta a posição antes de usar e demonstra controle dos movimentos. Esse tipo de comportamento é considerado raro fora de espécies de primatas. Para os cientistas, isso indica que o gado pode ter uma capacidade de raciocínio maior do que se imaginava.

“Na ciência, assim como na cultura, as espécies de gado são frequentemente subestimadas cognitivamente, reforçado por seu papel utilitário e pelos persistentes vieses de negação da mente associados ao consumo de carne. Apesar de mais de 10.000 anos de domesticação, a pesquisa sobre a cognição bovina permanece escassa e confinada a contextos aplicados, como produtividade e bem-estar. O uso de ferramentas, embora raramente observado, oferece um teste rigoroso de flexibilidade cognitiva”, diz um trecho do estudo.


A pesquisa ainda aponta que a falta de registros semelhantes pode estar ligada ao ambiente em que a maioria das vacas vive, geralmente sem acesso a objetos que permitam esse tipo de movimento. A discussão sugere que, quando têm oportunidades, vacas podem demonstrar comportamentos complexos e inteligentes.

“O caso de Veronika desafia essa negligência, revelando que a resolução de problemas técnicos não se restringe a espécies com cérebros grandes, mãos ou bicos manipuladores. Ela não fabricou ferramentas como a vaca no desenho de Gary Larson, mas selecionou, ajustou e usou uma com notável destreza e flexibilidade. Talvez o verdadeiro absurdo esteja não em imaginar uma vaca usando ferramentas, mas em presumir que tal coisa jamais poderia existir”, finaliza o texto.

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