Internacional Comunidade judaica repudia carta que cita câmara de gás

Comunidade judaica repudia carta que cita câmara de gás

Para lideranças, tal analogia da pandemia, feita em carta assinada por intelectuais e religiosos, banaliza tragédia do Holocausto

  • Internacional | Eugenio Goussinsky, do R7

Holocausto matou milhões na Segunda Guerra

Holocausto matou milhões na Segunda Guerra

Marcelo Nagy/EFE/03-12-19

A carta aberta divulgada no sábado (6) e assinada por religiosos e intelectuais que criticaram a gestão do governo federal durante a pandemia, afirmando que o Brasil é uma “câmara de gás a céu aberto”, recebeu o repúdio de entidades que representam a comunidade judaica brasileira.

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O motivo da indignação foi a referência às câmaras de gás usadas pelo nazismo para assassinatos em massa de judeus e outras vítimas durante o Holocausto.

Para as entidades, a comparação banaliza os trágicos acontecimentos daquele momento, perpretados por uma fábrica de mortes institucionalizada, em uma política baseada na crueldade, na intolerância e no antissemitismo, que assassinou 6 milhões de judeus e outras milhões de pessoas de distintos grupos, etnias e nacionalidades.

"Nada é comparável à dor e o sofrimento de uma guerra. Ainda mais, na Segunda Guerra Mundial, quando judeus e outras minorias eram enviados às câmaras de gás e aos fornos crematórios. Não toleramos a banalização do Holocausto e sua comparação infeliz com quaisquer fatos que ocorrem nos dia de hoje", declarou a Fisesp (Federação Israelita do Estado de São Paulo).

Também a Conib (Confederação Israelita do Brasil) reiterou, em forma de declaração oficial, sua contrariedade em relação à publicação.

"A Conib, que reúne todas as federações israelitas do país, repudia mais uma vez comparações completamente indevidas do momento atual com os trágicos episódios do nazismo que culminaram no extermínio de 6 milhões de judeus no Holocausto.

Essas comparações, muitas vezes com fins políticos, são um desrespeito à memória das vítimas do Holocausto e de seus descendentes. A  Conib inclusive criou uma campanha contra a banalização do Holocausto, para que possamos entender melhor as verdadeiras dimensões dos fatos e assim contribuir para um melhor entendimento do presente."

O documento em questão reuniu a assinaturas, entre outros, do economista Márcio Pochmann; do padre Julio Lancelotti; do teólogo Leonardo Boff; da historiadora Marina Maluf; do religioso Dom Mauro Morelli; do cientista Miguel Nicolélis; do escritor Frei Betto e do compositor, cantor e escritor Chico Buarque de Holanda.

No dia seguinte à divulgação da carta, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, que está em Israel junto com uma comitiva do governo, também manifestou o seu repúdio.

"É uma colocação totalmente absurda e acho que é ofensiva para comunidade judaica de todo o mundo e também para não judeus que, como nós, vemos a especificidade da coisa horrível que foi o Holocausto. Qualquer comparação que banalize, ainda mais uma comparação tão absurda quanto essa, é algo que não ajuda ninguém e que prejudica a ideia de que nunca mais possa haver nada como o Holocausto", declarou o ministro.

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