Logo R7.com
RecordPlus

Conheça o animal ‘imortal’ que engana a morte ao reiniciar a própria vida

Pequena água-viva consegue voltar à fase inicial do ciclo vital e intriga cientistas há décadas

Internacional|Do R7

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A água-viva Turritopsis dohrnii, conhecida como "água-viva imortal", tem a capacidade de reiniciar seu ciclo de vida em situações extremas.
  • Essa espécie pode reverter à fase inicial de sua vida após enfrentar fome, ferimentos ou mudanças bruscas de temperatura, através de um processo chamado transdiferenciação.
  • A habilidade de rejuvenescimento ocorre rapidamente, possibilitando várias repetições em um curto período, o que gera interesse em estudos sobre envelhecimento e regeneração.
  • Apesar do apelido "imortal", a água-viva não é invencível e pode ser morta por predadores ou condições ambientais adversas antes de completar o rejuvenescimento.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Água-viva Turritopsis dohrnii consegue reverter o próprio ciclo de vida Dr. Karen J. Osborn/Wikimedia Commons

Uma criatura quase invisível aos olhos humanos, encontrada em águas tropicais, vem chamando a atenção da ciência por um feito raro: a capacidade de driblar a morte.

Trata-se da água-viva Turritopsis dohrnii, conhecida popularmente como a “água-viva imortal”, por conseguir reverter o próprio ciclo de vida quando enfrenta situações extremas.


LEIA MAIS:

A espécie foi descrita pela primeira vez em 1883, mas só cerca de um século depois os cientistas descobriram seu segredo. Diferentemente da maioria dos animais, que envelhecem e morrem, essa água-viva é capaz de retornar ao estágio inicial da vida adulta, reiniciando seu desenvolvimento sempre que sofre danos físicos ou ambientais.


Com apenas cerca de 4,5 milímetros de altura e largura, a Turritopsis dohrnii pertence ao grupo dos hidrozoários, parentes próximos das chamadas “águas-vivas verdadeiras”. Esse grupo inclui também a caravela-portuguesa, famosa pelo veneno potente.


Quando passa por situações como fome, ferimentos ou mudanças bruscas de temperatura, a água-viva não segue o caminho habitual da morte. Em vez disso, afunda até o fundo do mar e inicia um processo de rejuvenescimento. Suas células adultas se reorganizam e formam uma massa de tecido da qual surge um novo pólipo, a fase inicial do animal.


Esse fenômeno, chamado de transdiferenciação, ocorre de forma surpreendentemente rápida. Em cerca de 24 a 36 horas, a água-viva adulta, conhecida como medusa, é transformada em um organismo jovem, pronto para crescer novamente. Na prática, o animal “volta no tempo”.

Estudos em laboratório mostraram que colônias da espécie conseguiram repetir esse processo até dez vezes em um período de dois anos, às vezes com intervalos de apenas um mês entre um rejuvenescimento e outro. Isso faz com que, em teoria, a espécie não tenha um limite natural de idade.

Segundo pesquisadores, essa habilidade extrema depende da ativação de genes ligados à pluripotência das células-tronco, reparo do DNA, manutenção dos telômeros e comunicação celular. Trata-se de um exemplo raro de plasticidade celular levada ao limite.

Para os cientistas, o fenômeno vai muito além da curiosidade biológica. A forma como a Turritopsis dohrnii reprograma células adultas pode oferecer pistas valiosas sobre envelhecimento, regeneração de tecidos e tratamentos médicos no futuro.

Especialistas explicam que compreender esse mecanismo não tornará os humanos imortais, mas pode abrir caminhos para terapias capazes de reparar órgãos danificados, tratar doenças degenerativas e ampliar o tempo de vida saudável das pessoas.

Além disso, a água-viva é considerada um modelo de estudo promissor por ser fácil e barata de manter em laboratório, o que aumenta seu potencial de retorno científico em pesquisas biomédicas.

Outros animais do mesmo grupo, como corais e hidras, também apresentam formas de regeneração ou reprodução assexuada que desafiam a noção tradicional de envelhecimento. Ainda assim, a Turritopsis dohrnii se destaca por conseguir reiniciar completamente o próprio ciclo de vida.

Apesar do apelido de “imortal”, a espécie não é invencível. Ela pode ser devorada por predadores ou morta por condições extremas antes de completar o processo de rejuvenescimento. Ainda assim, sua capacidade de enganar a morte continua sendo um dos exemplos mais impressionantes da biologia marinha.

Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.