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Conheça os candidatos que vão disputar o 2º turno da eleição presidencial no Chile

José Antonio Kast e Jeannette Jara disputam para suceder Gabriel Boric no comando do país

Internacional|do R7, com informações da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Os candidatos José Antonio Kast e Jeannette Jara disputarão o segundo turno das eleições presidenciais no Chile em 14 de dezembro.
  • Kast é um político ultraconservador, fundou o Partido Republicano e é comparado a líderes como Donald Trump e Jair Bolsonaro.
  • Jeannette Jara, ex-ministra do Trabalho, representa a esquerda e busca priorizar o bem-estar das pessoas em sua proposta de governo.
  • A eleição reflete um confronto entre visões políticas opostas, com elevado interesse internacional pela disputa.

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Segundo turno entre Jara e Kast será no dia 14 de dezembro Reprodução/Governo do Chile e Janitoalevic

O ultraconservador José Antonio Kast e a comunista Jeannette Jara vão disputar o segundo turno das eleições presidenciais no Chile no dia 14 de dezembro.

A disputa representa um cenário que se repete com frequência na política internacional: um segundo turno entre duas figuras opostas, próximas de seus extremos do espectro político.


De um lado, temos um candidato conservador que já disputou as eleições outras duas vezes, e do outro, a ex-ministra do Trabalho do governo de Gabriel Boric, filiada ao Partido Comunista do Chile.

José Antonio Kast

José Antonio Kast Rist tem 59 anos e é um político chileno de ascendência alemã. Nasceu em Santiago em 18 de janeiro de 1966 e é o caçula de 10 irmãos.


Começou sua trajetória política na UC (Universidade Católica do Chile) com o “gremialismo” (movimento sindicalista), onde conheceu pessoas influentes como Jaime Guzmán, fundador do partido de direita tradicional UDI (União Democrata Independente), onde Kast militou por quase 20 anos.

Com um lema sempre conservador, Kast foi eleito deputado em várias oportunidades e em 2019 fundou o Partido Republicano no Chile, onde suas propostas e estilo chamaram a atenção e ampliaram o espectro político para os extremos.


Devido ao seu discurso conflituoso e tendência ultraconservadora, Kast tem sido comparado por especialistas e analistas ao presidente Donald Trump e também ao ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro.

Além disso: para um de seus encerramentos de campanha deste ano na cidade de Viña del Mar, Kast fez um discurso protegido por um muro de vidro à prova de balas e com várias bandeiras chilenas às suas costas, muito semelhante ao estilo do líder norte-americano, a quem em 2024 parabenizou por sua vitória nas eleições presidenciais.


“Minhas felicitações a Donald Trump. Um novo triunfo da liberdade e do bom senso”, publicou em sua conta no X.

Nesse mesmo evento na “cidade jardim”, Kast assegurou que “vamos fechar as fronteiras, vamos exigir que essas 300 mil pessoas que entraram de maneira irregular deixem nossa pátria”.

Em sua linha estrita, Kast sempre se opôs ao direito ao aborto, ao casamento igualitário e à imigração; em uma candidatura passada, inclusive propôs cavar uma vala de 3 metros de comprimento por outros 3 metros de profundidade em várias áreas da fronteira norte para impedir a entrada irregular de pessoas.

Sua “estreia política” foi muito antes, no plebiscito de 1988, onde apareceu na propaganda eleitoral apoiando abertamente a opção “Sim” que buscava a continuidade do regime do ditador Augusto Pinochet. Anos mais tarde, para as eleições de 2017, Kast assegurou que, se Pinochet estivesse vivo, votaria nele.

Em seu atual programa de governo, Kast se baseia em três pilares fundamentais e denuncia que o Chile vive uma “emergência de segurança”, pelo que seu governo buscará: “recuperar a ordem e a autoridade”, “reimpulsionar o progresso econômico e o trabalho” e “restaurar a liberdade e a justiça para todos os chilenos”.

Para o acadêmico e analista político Guillermo Holzmann, as chances de Kast desta vez são maiores do que antes devido a questões que o governo Boric não conseguiu resolver, como o aumento da sensação de insegurança e o combate ao crime organizado.

“Nestas eleições, o Chile chega com um grau de incerteza. Apesar de estarmos há meses pensando que haverá um segundo turno presidencial e tudo indica que haverá uma mudança de orientação ideológica no próximo governo. O Chile chega também com um eleitorado exausto de tantas eleições. Tivemos duas eleições para uma Constituição, mais outros processos plebiscitários, mais eleições de governadores, prefeitos, vereadores. Consequentemente, há um certo cansaço eleitoral”, assegurou à CNN Internacional o acadêmico da Universidade de Valparaíso.

Holzmann também ressalta que essa possível virada política no Chile é observada de perto por vários países, entre eles os Estados Unidos. Em uma coletiva de imprensa recente, o vice-secretário de Estado dos Estados Unidos, Christopher Landau, afirmou que esperam melhorar a relação bilateral diante de uma possível mudança de cor política, deixando claro que Washington observa de perto que tipo de parceiro o Chile se tornará nos próximos anos.

Landau também acrescentou que uma eventual mudança de cor política para a direita —com candidatos como José Antonio Kast, Evelyn Matthei ou Johannes Kaiser— poderia abrir as portas para um alinhamento mais estreito com Washington.

Mas as riquezas do Chile e seu futuro político são observados de perto não apenas pelos Estados Unidos. “A equação do Chile é que ele tem uma cordilheira dos Andes cheia de minerais, onde claramente se destacam o cobre, o lítio, o cobalto, o molibdênio, e também tem as terras raras, mas além disso nós temos acumulação em vários rejeitos, temos terras raras que é preciso processá-las para poder extraí-las, mas também para os Estados Unidos é o acesso ao urânio, aqui está a cordilheira, é o acesso ao controle do estreito de Magalhães para todos os navios que não passam pelo Canal do Panamá, e também é a projeção da Antártica”, afirmou Holzmann à CNN Internacional.

Jeannette Jara

Jeannette Alejandra Jara Román é uma política de 51 anos. Nasceu em 23 de abril de 1974 em Santiago, é a mais velha de cinco irmãos e viveu sua infância na comuna de Conchalí. É filha de um mecânico e uma dona de casa e foi criada em um ambiente próximo à esquerda.

“Venho de uma família de esforço e sei o que é levantar cedo para ir trabalhar e voltar tarde para casa esperando que o sacrifício valha a pena”, assegurou a candidata em um discurso em 8 de abril.

Casou-se pela primeira vez aos 19 anos, mas ficou viúva aos 21. Aos 33 anos foi mãe e durante sua campanha assegurou que sonha com um Chile “onde os meninos, meninas e jovens não tenham que se esforçar tanto para poder realizar seus sonhos”.

Em seu programa de governo, por sua vez, assegura que terá três eixos: desenvolvimento guiado pela demanda interna, bairros dignos e cidadania plena.

“Estes eixos representam uma aposta para reorganizar as prioridades do modelo de desenvolvimento chileno, colocando no centro o bem-estar das pessoas e não os lucros de poucos”, diz o programa.

Em 1989, Jara começou sua formação política nas Juventudes Comunistas do Chile, onde militou até ingressar no Partido Comunista em 1999. Pouco antes, Jara estudou Administração Pública na USACH (Universidade de Santiago do Chile), onde chegou a ser eleita presidente da Federação de Estudantes em 1997. Além disso, estudou na Universidade Central do Chile, onde se formou como advogada em 2014.

Após se formar em sua primeira graduação, Jara trabalhou no SII (Serviço de Impostos Internos do Chile) como fiscalizadora e também foi dirigente sindical por vários anos, mas seu maior salto foi quando a ex-presidente Michelle Bachelet a nomeou subsecretária de Previdência Social durante seu segundo mandato, entre 2016 e 2018.

Posteriormente, Jara dedicou-se à advocacia e à docência universitária. Também se candidatou a prefeita da comuna de Conchalí, mas não teve sucesso.

Com a chegada do Governo de Gabriel Boric (nova esquerda chilena), Jara foi nomeada ministra do Trabalho e Previdência Social, cargo com o qual conseguiu destravar um projeto emblemático: a redução da semana de trabalho de 45 para 40 horas.

Apesar de ser militante originária do Partido Comunista, vários especialistas destacam sua habilidade para lograr acordos com a oposição política e também com o mundo empresarial, embora não tenha ficado isenta de críticas, sobretudo pelas definições de seu partido sobre Maduro e Venezuela.

Ela sinalizou que na Venezuela existe um regime autoritário e paulatinamente tem se distanciado de seu partido; inclusive, advertiu que poderia congelar sua militância se fosse eleita presidente.

Após três anos, Jara deixou o Governo de Boric para se dedicar à campanha presidencial e se tornou a principal aposta da esquerda chilena, tanto a tradicional quanto a progressista.

Jara defende a autonomia do Chile na política externa e afirmou durante seu encerramento de campanha que “as relações internacionais são conduzidas pelo chefe de Estado… e neste caso serei eu como presidente da República”.

A respeito da relação que o Chile teria com os Estados Unidos no âmbito comercial, Jara reconheceu a importância de manter relações diplomáticas estáveis.

“Deve-se manter sempre uma atitude que permita, sobretudo com países que são tão relevantes para o comércio internacional chileno e, por mais que eu não compartilhe a linha de pensamento de Donald Trump, pensar nos interesses do Chile”, disse a ex-ministra de Boric em declarações à imprensa local.

Para o analista político Guillermo Holzmann, o desafio de Jara não estava no primeiro turno deste domingo, mas sim no segundo turno de 14 de dezembro.

“Há um eleitorado que não se sente identificado nem com a esquerda ou a direita ou com os graus de polarização entre ambos, mas que busca soluções e respostas, e essas respostas hoje estão na direita. É a direita mais extrema que hoje passa a ser validada, que passa a ser não somente considerada sensata, mas também razoável e elegível”, disse o acadêmico da Universidade de Valparaíso à CNN Internacional.

Por outro lado, a analista e acadêmica Lucía Dammert disse à CNN Internacional que estas eleições não são “a derrota da esquerda”.

“Não é que a esquerda não passe para o segundo turno e todos esses prognósticos bem terríveis que existiram, mas novamente acho que não podemos deixar de nos surpreender nem de esperar surpresas, dado o que aconteceu na América Latina nos últimos anos, em quase todas as eleições, então até que o último voto seja contado, tudo o que se pode dizer são hipóteses e não realidades”, adverte a analista.

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